20 setembro 2007

Corrente literária

Respondo a corrente literária enviada pelo Wallace Guedes, do Crônicas Cinéfilas. O objetivo é determinar meus 5 livros prediletos.

Tarefa difícil, diga-se de passagem. Ainda mais considerando tantas coisas que ficaram de fora - algumas porque nunca li. Obras completas e coletâneas ficaram de fora. Talvez nem sejam meus prediletos mesmo, coisa momentânea... Ei-los.

Nada de Novo no Front, de Erich Maria Remarque

Esse sim, meu livro preferido sem dúvida alguma. “Tombou morto em outubro de 1918, num dia tão tranqüilo em toda linha da frente, que o comunicado limitou-se a uma frase: ‘Nada de novo no front’.” Escrito por Erich Maria Remarque, veterano da guerra, o livro aborda um grupo alemão de soldados durante a 1ª Grande Guerra, relatando suas futilidades e selvagerias em tom extremamente poético. Narrado em primeira pessoa por Paul Baumer, vemos as atrocidades e monotonias das batalhas de trincheira, as peripércias juvenis e o saudosismo do lar. Um verdadeiro retrato intimista de um momento tão calamitoso da História.

O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde

Wilde cria um dos mais apaixonantes livros de realismo fantástico já feitos. A história de um homem que vive para seu ego, para sua juventude, para sua aparência. Dorian Gray é um sujeito da alta sociedade inglesa, um asco de homem, que por meio de algo um tanto inexplicável consegue tranferir sua feiúra interna (e externa) para um retrato de sua pessoa. Dessa maneira, nunca envelhece. Wilde com toda sua ironia e seus brilhantes diálogos prende o leitor nessa fábula excêntrica.

A Revolução dos Bichos, de George Orwell

Muito mais que 1984, A Revolução dos Bichos é a síntese perfeita entre fantasia e realidade. Orwell era notadamente um autor político, que através da sua narrativa exacerbada e consciente, delineava os problemas pela ficção. Nesse, ele metaforiza a revolução bolchevique russa, colocando animais que se rebelam numa fazenda, tomando o poder. E como fruto disso, vemos a crítica feroz a URSS e a Stálin. Mais, vemos a crítica ao próprio homem e seu conceito asqueroso de poder.

Últimos Poemas (O mar e os sinos), de Pablo Neruda

Neruda é meu poeta preferido. Sendo assim, é-me muito difícil escolher um livro. Crepusculário e Cem Sonetos de Amor poderiam figurar aqui facilmente, não devem nada a O mar e os sinos. Fico com esse por ser seu último livro, escrito às vésperas de seu falecimento, em 1973. Os poemas de Neruda são dotados de uma sutileza impressionante, e quando escreve sobre o cotidiano, sobre as trivialidade e sobre o amor, é que s encontra mais perfeitamente. Seus Últimos Poemas são os mais melancólicos, mais nostálgicos, e os mais vivos...

Noite na Taverna, de Álvarez de Azevedo

Considerado o único escrito brasileiro de teor gótico, Noite na Taverna é o único romance de Azevedo, conhecido pela sua poesia ultra-romântica. Na realidade, é um belo conto macabro. Num bar, sete amigos se desafiam para contar a história mais escabrosa. Sucedem-se sete histórias, todas rechaçadas com violência, sexo e sangue. Seria perfeiamente adaptada por José Mojica Marins, que consegue juntar a seu horror, o lirismo de uma história descomunal como essa.
Repasso a quem quiser. Só deixar o nome no comentário.

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