22 agosto 2007

Os Simpsons - O Filme

Os Simpsons - O Filme (The Simpsons Movie, 07)

Sempre gostei da série animada. Não é por menos que fui conferir o filme na estréia. Os Simpsons são para mim porvavelmente o que há de melhor na TV hoje. Sabendo mesclar o humor nonsense com a crítica, para fazer um dos programas mais inteligentes. As personagens são geniais em suas peculiariedades, desde os principais até os insignificantes, todos eles tem suas características particulares.

Homer é o meu preferido. O gordo, careca, patriarca amarelo é hilário pelo simples ser. Seus atos desinteressados, suas trapalhadas, suas expressões faciais, suas idédias estúpidas... E agora vou bater na mesma tecla, a dublagem é também essencial no personagem. Assisti ao filme legendado pois a brilhante dublagem de Waldyr Sant'Anna foi substítuida após problemas burtocráticos pela de Carlos Alberto. Não culpo este, de maneira alguma, mas está tão aquém do trabalhor de Waldyr, que a essência de Homer não existe mais. Usualmente gosto muito mais da versão nacional, porém nesse caso, preferei a original.

O filme é certamente feito para os fãs ferrenhos. É um belo filme, engraçado e satírico. Aproveita-se bastante das fórmulas da série, e não faz feio. Só que o problema é que, assim, o criador Matt Groening confirma que Os Simpsons é para se ficar na telinha. Pois se for para fazer um longo episódio, não faça filme. Ou faça como um especial para TV. Infelizmente me parece que foi muito mais concebido para se ganhar dinheiro fácil, do que uma nova experiência.

O longa toca na crise do meio ambiente, com a mania de aquecimento global que tem acometido o mundo. Ainda mais depois daquele documentário horrendo do Al Gore. Quando Homer arranja um porco de estimação e tem que se livrar das fezes do animal, resolve jogar no lado de Springfield. O governo comandado por Arnold Schwarzenegger põe uma cápsula em torno da cidade, e ao descobrirem que Homer é o culpado, começa-se uma caça às bruxas. Ao criticar a chatice dessas organizações politicamente corretas, Os Simpsons conseguem um efeito muito mais construtivo do que Al Gore. É bom saber isso.

Dentre as sequências a se destacar, temos a brilhante cena em que Homer encena O Homem-Aranha com o porco ("Spider-pig"). A do donuts de graça também é excelente.

Nota: 7,5/10

13 agosto 2007

Kaze no tani no Naushika

Kaze no tani no Naushika (vulgo Nausicaä of the Valley of the Winds, 1984)

Nausicaä é o segundo filme da brilhante carreira do animador japonês Hayao Miyazaki, que infelizmente só teve 2 de seus filmes lançados por aqui - A Viagem de Chihiro e O Castelo Animado.
Uma coisa fica clara ao ver o filme, Miyazaki amadureceu muito, adquirindo um estilo próprio e único dentro das animações. Nausicaä flerta muito mais com o anime tradicional dos que seus filmes mais recentes. Não apenas na construção narrativa, mas também na criação gráfica do filme. As extravagâncias estão lá - como ao chorar, água escorre e não lágrimas -; Hayao ainda estava se encontrando. O próprio desenho não se assemelha nos traços, mesmo que procure fazer um desenho mais próximo ao humano. E isso mostra o quão fantástico esse diretor é. Provavelmente o único dentre as artes animadas que faz longas tão autorais, tão artísticos, mesmo que não completamente comprovado em seu início de carreira.
Em contrapartida, a temática do fantástico e místico está presente. Dois mundos estão presentes em Nausicaä, o dos humanos e o dos insetos. Eternos inimigos, aparentemente. Existem criaturas, os 'ohm', extremamente venosos, assim como muitas das plantas. Nausicaä é a princesa do Vale do Vento, um dos povoados terrestres. Quanto o Vale é atacado misteriosamente, descobre-se que um outro povoado, com a ajuda de um monstro, pretendem destriur todo esse mundo alternativo. Nausicaä é contra, pois vê nele a essencialidade. É nessa esfera de conflito que o filme se coloca.
Longe de ser uma apologia à questão ambiental e afins, o que vemos é uma história do choque de dois mundos, tema tão recorrente em sua filmografia. O fantástico é uma mera metáfora, mas uma metáfora que não faz questão de se desdobrar. O intuito não é te fazer refletir sobre a vida, mas sim ver a poesia nela quando, talvez, dela nos aproximarmos. É através da magia que se vê a arte, e dela, extrai-se tudo o que quiser. Miyazaki sempre soube fazer isso, ao que tudo indica.
Nota: 8,5

07 agosto 2007

Filmes vistos em Junho/Julho (2007)

Findo hoje minhas férias por aqui. Tentarei postar com mais frequência, nem que sejam pequenos comentários sobre filmes diversos que vejo. E tentarei comentar mais em blogs alheios. Sejam novamente bem-vindos a esse espaço.
Aproveito e anuncio que a edição 11 da Revista Zingu! já está no ar.

legenda: revistos


David Lean faz a obra do bimestre. Ninguém chegou perto...

  1. Desencanto (Brief Encounter, 45) 10
  2. Twin Peaks – Os Últimos Dias de Laura Palmer (Twin Peaks: Fie walks with me, 92) 4
  3. Transylvania (Idem, 06) 5
  4. Segunda-Feira ao Sol (Los Lunes al sol, 02) 5
  5. Despedida em Las Vegas (Leaving Las Vegas, 95) 7
  6. Lady Vingança (Chinjeolhan geumjassi, 05) 2,5
  7. A Morta-Viva (I walked with a Zombie, 43) 6,5
  8. The Mole People (Idem, 56) 7,5
  9. A Última Sessão de Cinema (The last Picture Show, 71) 7
  10. Não Por Acaso (Idem, 07) 6,5
  11. Lavoura Arcaica (Idem, 01) 7
  12. Nelson Freire (Idem, 03) 6
  13. A Gaiola das Loucas (The birdcage, 96) 6
  14. A Vida Secreta das Palavras (The Secret Life of Words, 05) 4
  15. Como Água para Chocolate (Como agua para chocolate, 92) 4
  16. Janela da Alma (Idem, 01) 7
  17. O Gabinete das Figuras de Cera (Das Wachsfigurenkabinett, 24) 7
  18. A Face Oculta (One-Eyed Jacks, 61) 7
  19. Zodíaco (Zodiac, 07) 8
  20. Depois do Casamento (Efter brylluppet, 06) 7,5
  21. Two Weeks (Idem, 06) 5,5

Comentários: O único filme visto em julho foi o ainda inédito por aqui Two Weeks. Twin Peaks, o filme, é um lixo porque desvirtua-se completamente da série - não há mais mistério ou encantamento -, parece que Lynch simplesmente quis fazer "do jeito dele" e saiu pior que a encomenda; Lady Vingança é horrendo: a história é besta e absurda, a montagem é irritante... Old Boy é certamente muito superior; quem tiver a oportunidade, assista a The Mole People, ótimo exemplo de ficção B feita nos anos 50; Zodíaco é mais ótimo exemplo de como se fazer um thriller nos dias de hoje - Fincher mostra cada vez mais o bom diretor que é; Depois do Casamento pode ser um dramalhão - da melhor escola de Sirk, mas tecnicamente é um filme impecável... um primor estético!

Melhores:

  1. Desencanto
  2. Zodíaco
  3. Depois do Casamento
  4. The Mole People
  5. O Gabinete das Figuras de Cera

Piores:

  1. Lady Vingança
  2. Twin Peaks - Os Últimos Dias de Laura Palmer
  3. A Vida secreta das Palavras
  4. Como Água para Chocolate
  5. Transyvania