19 maio 2007

São Paulo S/A

São Paulo S/A (Idem, 65)

Walmor Chagas estréia com essa película, com a melancolia de seus olhos. Eva Wilma mais linda, impossível. Fotografia impecável, tomadas espetaculares e movimentos de câmera que mostram preocupação estética. Cenas ardentes. Destaco uma, que Carlão contou-me se repetir anos depois com o diretor, em que, embrigado, chega à casa da ex cedo, quebrando garrafas à sua porta.
A discussão em torno do primeiro filme de Luis Sérgio Person se dá pelo crescimento industrial em São Paulo. Era a época de JK, do Plano de Metas, e do exacerbado crescimento automobilístico e rodoviário. São Paulo S/A surge nesse contexto, entre 1957 e 1961, numa cidade que em dois anos se tornou um pólo industrial. Um tanto autobiográfico o filme é, segundo Carlos Reichenbach, com quem tive o prazer de conversar sobre isso, pois é a visão de um autor que viajara pela Itália por alguns anos, volta e se depara com um novo mundo. Há uma nova classe social, a burguesia industrial, com sua verve boêmia.

Pois para mim, o que intriga mais é a sofreguidão. A angústia e melancolia formada por essa nova vida, pelo reflexo da acelaração da produção em sua vida. Carlos é naturalmente melancólico. Seus relacionamentos não duram, não sabe escolher a garota certa, e quando escolhe não a mantém; sua vida profissional é infeliz, seu emprego é fruto de corrupção. São Paulo o deprime. Ele vagueia pela cidade sem rumo, à procura de uma existência, sente-se perdido. O álcool o consome, mas não o embriaga. Seu mundo se perdeu na agonia da existência. Suas paixões esvaziaram-se, as mulheres não são mais as mesmas, nada lhe vale a pena. O tempo é um amparo, uma desilusão, um inimigo. São Paulo é um lugar trágico, opressor...
Person encontra a pluralidade da cidade, a melancolia da cidade, daí sua anonimidade. O que São Paulo S/A me representa é a dificuldade por se encontrar, muito mais do que encontrar ao outro. Ode à cidade, e ode à desesperança. Person acredita que pode mudar algo, mas o que Carlos ensina é justamente que o conformismo é a melhor solução. Não importa o que ocorra, sempre seremos tragados ao caos, quase sempre interior.
Nota: 10/10
Lido: Os Sofrimentos do jovem Werther - Goethe
A ler: Correio Sul - Saint-Exupéry
Ouvindo: Both Sides Now - Joni Mitchell

14 maio 2007

Zingu!

Como não consigo organizar mais uma linha de pensamento, vai mais uma propaganda.

Zingu! # 8 no ar

Iniciando a série críticos paulistas do passado: dossiê Edu Janks.

Estréias das novas colunas de Andrea Ormond (Crônicas) e de Melody Westenra (Que história espera seu fim lá embaixo?). Aliás, excelentes ambas.

Comentários sobre os filmes A Última sessão de Cinema, El Topo e O Menino Maluquinho.

Em música, temos David Bowie e Marlene. Em quadrinhos, Zodíako. Além de artigos sobre os Discomovies e o livro 13.

Por minha vez, tem resenha sobre o clássico de David Lean, Oliver Twist. Nesse mês, estréio na coluna Musas Eternas falando sobre sempre impecavelmente maravilhosa Nicole Kidman.

Aproveitem e se deliciem.

http://revistazingu.blogspot.com/

01 maio 2007

Filmes vistos em Abril (2007)

legenda: curtas; revistos; S.A. = sem avaliação


Antes do Pôr-do-Sol me faz compreender

  1. O Triunfo da Vontade (Triumph des Willens, 35) 4,5
  2. O Samurai (Le Samouraï, 67) 8
  3. Um Tiro na Noite (Blow Out, 81) 7
  4. Amor Além da Vida (What Dreams May Come, 99) S.A.
  5. 300 (300, 07) 0 0
  6. Viver (Ikiru, 52) 8
  7. A Família do Futuro (Meet the Robinsons, 07) 3
  8. Um Cão Andaluz (Un chien andalou, 29) 8
  9. Bagdad Café (Ou of Rosenheim, 87) 7,5
  10. Histórias Extraordinárias, ep. William Wilson (Histoires extraordinaires, 68) 7
  11. Gritos e Sussurros (Viskningar och rop, 72) 8,5
  12. Antes do Amanhecer (Before Sunrise, 95) 10
  13. Antes do Pôr-do-Sol (Before Sunset, 04) 10
  14. Tarantino’s Mind (Idem, ?) 7
  15. Jardins de pedra (Gardens of Stone, 87) 4
  16. O Cheiro do Ralo (Idem, 06) 2
  17. Absolutamente Certo (Idem, 57) 7,5
  18. Maria (Mary, 05) 6
  19. Festa na Boca (Idem, 76) 7,5
  20. Oliver Twist (Idem, 48) 8,5
  21. O Quarto (Idem, 67) 8
  22. A Opção (Aopção/A Opção/Rosas da estrada, 81) 6
  23. O Cangaceiro (Idem, 53) 8

Comentários: 0,76 filme/dia. 6,64/filme. O Triunfo da Vontade é muito chato, nem é esteticamente bonito de se ver...; esperava muito mais de Um Tiro na noite, que muitos apontam como sua obra-prima; 300 é um estupro visual, e tenho dito!; conselho: nunca assistam filmes computadorizados da Disney [A Família do futuro], que não seja com a Pixar; Antes do Pôr-do-Sol é um dos melhores filmes de todos os tempos, e cada vez que o vejo, mas ensandecido por ele fico; Coppola [Jardins de Pedra] também pode ser enfadonho; O Cheiro do Ralo é um estupro intelectual; é emocionante ver Festa na Boca, ainda farei um curta assim; O Cangaceiro é um ótimo faroeste americano à brasileira - o cangaço é muito mais legal por essa ótica, do que pela miserabilidade de Glauber.

Melhores:

  1. Antes do Pôr-do-Sol
  2. Antes do Amanhecer
  3. Gritos e Sussurros
  4. Oliver Twist
  5. O Samurai
  6. O Quarto

Piores:

  1. 300
  2. O Cheiro do Ralo
  3. A Família do Futuro
  4. Jardins de Pedra
  5. O Triunfo da Vontade