15 outubro 2006

Etiquetar: Seis Faces de Gabriel Carneiro

Paulo convidou-me a esse desafio. É a corrente "Etiquetar" adaptada aos blogs de cinema. Seis pessoas são convidadas a expôr seis de suas principais caracteísticas. À moda de Paulo, escolhi seis personagens do cinema. Com ajuda da Mel, eis as personganes:

Começo com Salieri (foto 1 - F. Murray Abraham), de Amadeus, pela sua faceta rancorosa. Não digo que chegaria a tal ponto, e que meu rancor provenha de da inveja. Mas há o rancor. Raramente esqueço algo que me prejudique ou machuque. Mesmo que muito não seja externado, o sentimento existe, é guardado e pode ser usado.

Noodles (foto 2 - Robert De Niro), de Era Uma Vez na América, figura na lista pela sua essência nostálgica. Não quero entrar nos méritos do filme e discutir suas interpretações. Digo apenas, na sua velhice, quando relembra; ou na ilusão do ópio, Noodles está sempre a lembrar com gosto do passado, do que foi e do que não foi. Sua realidade existe, ah, mas como pensa em outra, em outro mundo.

Capra além de gênio conseguiu dar o tom para duas de minhas caractéristicas. O primeiro é em Do Mundo Nada se Leva, encarnado na personagem de Anthony P. Kirby (foto 3 - Edward Arnold). Kirby é o típico rabugento, que de tudo reclama, que com nada compactua, que está sempre discutindo. Adoro discutir e resmungar, caracterizo-o como um hobbie. Rabugentice é algo deveras divertido.

Desde minha tenra idade idolatrei A Bela e a Fera (foto 4), e de certa forma o gênio da Fera permanceu em mim. A teimosia do monstro é uma das minhas características mais marcantes. Raramente admitirei meu erro ou mudarei de opinião. Isso até pode irritar alguns, mas não levando a sério pode ser até algo cativante.

Esqueça a loucura ou a esquisitice de Edward Bloom (foto 5 - Ewan McGregor), de Peixe Grande. O que mais temos em comum é seu gosto pela comunicação, ambos gostamos de falar. Não conto histórias e não sou tagarela, mas se possuir alguma intimidade comigo, perceberá que falarei bastante. E se for de cinema então, aí que não paro...

A segunda personagem de Capra é Jefferson Smith (foto 6 - James Stewart), de A Mulher Faz o Homem. Tal qual, a persistência é um ponto forte. Não cheguei a ficar mais de 30 horas diante do Congresso, falando, para impedir seu fim de expediente, mas tento, tento de novo, e tento mais algumas vezes para conseguir o que quero. Algumas vezes desisto, mas não sem muita exaustão. Insistência e teimosia são componentes. Vocês verão, ainda ouvirão meu nome no futuro.

Posso até parecer alguém desagradável, mas dando-me uma chance, talvez descubra que não.
Passo esse desafio - sim, pois é algo bem difícil de se fazer - à Mel, ao Matheus, ao Ed, ao Rodrigo, ao Roberto, e à próxima pessoa que deixar um comentário dizendo que está interessado - não sei mais quem lê meu blog com certa regularidade e não recebeu um convite, se esqueci de alguém, peço perdão.

10 outubro 2006

Filmes vistos em Setembro (2006)

legenda: revistos; curtas


A melhor animação já feita, imbatível

  1. A Dama na Água (Lady in the Water, 06) [51]
  2. Dorminhoco (Sleeper, 73) [75]
  3. O Tempo que Resta (Le Temps qui reste, 05) [88]
  4. Anjo do Mal (Pickup on South Street, 53) [77]
  5. Obirgado Por Fumar (Thank You For Smoking, 06) [63]
  6. Vôo 93 (United 93, 06) [76]
  7. Augusta a Gosto (Idem, 06) [60]
  8. Cenas de um Casamento (Scener ur ett äktenskap, 73) [87]
  9. Click (Idem, 06) [65]
  10. Viridiana (idem, 61) [88]
  11. Miami Vice (Idem, 06) [62]
  12. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, 77) [77]
  13. Blow Up - Depois Daquele Beijo (Blowup, 66) [95]
  14. Creature Comforts (Idem, 89) [68]
  15. Wallace & Gromit: A Grand Day Out (Idem, 89) [78]
  16. Serpentes a Bordo (Snakes on a Plane, 06) [78]
  17. Interiores (Interiors, 78) [68]
  18. Depois do Vendaval (The Quiet Man, 52) [81]
  19. A Bela e a Fera (Beauty and the Beast, 91) [100]
  20. Céu e Inferno (Tengoku to jigoku, 63) [89]
  21. Ganga Bruta (Idem, 31/33) [65]
  22. A Velha a fiar (Idem, 57) [75]
  23. O Maior Amor do Mundo (Idem, 06) [78]
  24. O Abismo do Medo (The Descent, 05) [67]
  25. Amantes Constantes (Les Amants réguliers, 05) [61]
  26. Sonhos Eróticos de uma Noite de Verão (A Midsummer Night's Sex Comedy, 82) [43]
  27. Os Incompreendidos (Les Quatre cents coups, 59) [90]
  28. Ilha das Flores (Idem, 89) [62]
  29. O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada, 06) [60]

Comentários: 0,97 filmes/dia. 73,34 por filme. Nunca tive uma média tão alta, isso porque é a primeira vez em que há apenas 2 filmes que me desagradaram. Isso é excelente. A Dama na Água me provou que jamais devo esperar novamente algo de um filme do Shyamalan. Nesse mês, pude finalmente conhecer mais do Woody Allen de antigamente graças ao Telecine Cult. Exceptuando-se por Sonhos Eróticos de uma Noite de Verão - que bela porcaria! -, todos são muito bons, principlamente as comédias. Destaque para Noivo Neurótico, Noiva Nervosa e Dorminhoco - que não passou no ciclo. O Tempo que Resta é o melhor filme já feito por Ozon, sem artificialismo e sem pieguices. Blow Up e Os Incompreendidos ganharam muito fôlego na revisão, que maravilhas! Cenas de Casamento é fantástico, não? Só recomendo que não assistam as cinco horas direto. Buñuel é genial. Viva Viridiana. Aliás, saiu O Fantasma da Liberdade em DVD por 40 reais numa edição podre, mas é o melhor filme do homem. Deve valer a pena. Amantes Constantes é meio chato, não?

Melhores

  1. A Bela e a Fera
  2. Blow Up - Depois Daquele Beijo
  3. Os Incompreendidos
  4. Céu e Inferno
  5. Viridiana
  6. O Tempo que Resta
  7. Cenas de um Casamento
  8. Depois do Vendaval

Piores

  1. Sonhos Eróticos de uma Noite de Verão
  2. A Dama na Água

PS.: Alguém teria uma sugestão para que eu possa gostar de Godard? Mas não aqueles filmes com discursos intelectalóides, chatos, e com um final brega e horrível como o de Alphaville.

02 outubro 2006

Revista Zingu!

Está no ar a mais nova Revista eletônica cultural, a Zingu!
A revista, editada por Matheus Trunk, possui colaboração de Matheus, de Melody Westenra, de Marcelo Carrard, de Andrea Ormond, de Sérgio Andrade e de mim.
A proposta da revista é quebrar o mito da crítica, dando novo enfoque ao cinema prestigiado. Entre eles, buscar rememorar um cinema muitas vezes esquecido.
Coom esse novo olhar é que procurou-se retratar o cinema paulista, tendo, nesse mês, a matéria de capa o Dossiê Conrado Sanchez, diretor da Boca. O dossiê é algo mensal, que busca um novo panorama.
Com vocês, a ZINGU!