19 agosto 2006

Anima Mundi 2006

Anima Mundi 2006 -
14º Festival Internacional de Animação do Brasil (Parte 5)


Bill Plympton cede a imagem do cão de
seu Guide Dog para a promoção do evento

Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 51)

Alice no País das Maravilhas é uma das pérolas da animação, e o triste é que nunca o tinha percebido. Gostava, e muito, mas não com a mesma intensidade pela qual hoje a reverbero. Talvez por ser no áudio original e na tela grande a diferença tenho sido admirável. Meus contatos anteriores se resuimam a uma cópia dublada vista numa TV de 14 polegadas. A incrível fábula de uma garota que sonha em viver num mundo que não faz sentido algum, e de repente se vê de cara com ele. Uma história que seria contada de outra maneira por Miyazaki em A Viagem de Chihiro.


A fábula transposta da obra de Lewis Carrol é tocante no aspecto de sobre-vivência num mundo de alegorias e mitos. O abrilhantado colorido rechaçado, em ápice na ópera floral (cena da imagem), onde, rejeitada pelas esnobes plantas, começará de fato sua jornada pelo mundo das maravilhas. A lagarta, o gato, a lebre e o chapeleiro malucos, entre outros vão compondo um emaranhado de idéias e conceitos, que após toda confusão inicial, tornaram-se tão familiares quanto qualquer coisade seu mundo. Adaptação seria a palavra-chave, porque Alice é uma menina ingênua cansada da realidade, mas que aprende e que quer permanecer íntegra.

E viva o cogumelo, o mundo lsd das maravilhas, o desaniversário, os gêmeos e tudo mais.

Nota: 92/100

Você Já Foi à Bahia? (The Three Caballeros, 45)

Quem já foi à Bahia? é um título estúpido. Não só por estar longe do original, mas por querer mostrar outra realidade. Óbvio que o objetivo era apenas atrair público, com a prévia "O pato Donald está no Brasil", e sim, ele vem para o Brasil, como também vai para o México. A Doutrina Monroe (ou política do Big Stick, como preferirem, é tudo igual) atualizada pós-guerra e pós Segunda Guerra, política de boa vizinhança, "América para os americanos (do norte)"... Donald faz aniversário, e depois de receber um vídeo explicativo sobre as aves sulamericanas - com a participação do pirado Folião, que viria a ter suas próprias histórinhas no gibi do Zé Carioca -, é a vez de aparecem seus grandes amigos, Panchito e Zé Carioca. Carioca o levará à Bahia, onde Iaiá os receberá - com seus deliciosos quindins: "os Quindim de Iaiá/Cumé, cumé, cumé?" -, e Panchito, num tapete voador, amostrará cidade como Acapulco, Cidade do México e outras.

O mais fantástico do filme é sem dúvida a persona de Donald. Que pato maravilhoso. Que dublagem primorosa. Pato Donald é um dos melhores personagens já criados, seu jeito despojado e megalomaníaco, assanhado, remetem-me a uma versão máscula de Andy Warhol. E que pato safado, Donald era. Não podia ver um rabo de saia, que sua tez avermelhava-se e ele ficava doidinho atrás. Tempos despudorados (enrustidos?) da animação.

Se não cansasse tanto na segunda metade...

Nota: 65/100

Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock'n'Roll (Idem, 06

Não gostei por um simples fato, é muito aquém às tirinha de Angeli. Mesmo porque fui esperando ver algo que percorresse o mundo de Wood & Stock, e não tudo produzido por Angeli - considero muito de sua coisas chatas. Os dois hippies convictos da década de 70, com toda sua promiscuidade, rock'n'roll e drogas - ao invés de maconha, a preferência é pelo orégano - mostram suas vidas nos dias atuais, tentando ganhar a vida com a música. O filme serve só mesmo para Otto Guerra desfilar a psicodelia, banalidades, conversas idiotas e personagens nuas. Poucas são realmente as tiradas que alcançam a verdadeira alma de Wod & Stock, a tirinha. Vale pela voz de Sepé Tiarajú, como Stock, e pelas aparições de Raul Seixas.

Nota 40/100

Melhores - curtas:


Kataku

  1. Kataku (Kihachiro Kawamoto, Japão, 79)
  2. Fusha no Sha (Kihachiro Kawamoto, Japão, 88)
  3. The Moon and the Son (John Canemaker, EUA, 05)
  4. First Flight (Cameron Hood e Kyle Jefferson, EUA, 06)
  5. Gargoyle (Michael Cusack, Austrália, 06)
  6. Confessions a Stand-Up (John Canemaker, EUA, 93)
  7. Creature Conforts - Monarchy Business (Richard Goleszowski, RU, 05)
  8. Bottom's Dream (John Canemaker, EUA, 83)
  9. The Girl Who Did Things She Didn't Like to do first (Maki Yoshikura, RU, 06)
  10. McLaren's Negatives (Marie-Josee Saint-Pierre, Canadá, 06)

Piores - curtas:

  1. CNote (Chris Hinton, Canadá, 05)
  2. Bid'em In (Neal Sopata, EUA, 03)
  3. Opera (Ondrej Rudavsky, Eslováquia, 05)
  4. Le Dernière Heure (Antoine Guex, Suíça, 04)
  5. Bonsoir Mister Chu (Stéphanie Lansaque e François Leroy, França, 05)
  6. La Memoria dei Cani (Simone Massi, Itália, 06)
  7. Rabbit (Run Wrake, RU, 05)
  8. Careful (Damian Gascoign, RU, 05)
  9. Santa de Casa (Allan Sieber, Brasil, 05)
  10. Declaration in Love (Dmitri Geller, Rússia, 06)

PS.: Já está nos links um post com tudo sobre o Anima Mundi 2006, para caso alguém queira ler e ainda não começou.

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