11 agosto 2006

Anima Mundi 2006

Anima Mundi 2006 -
14º Festival Internacional de Animação do Brasil (Parte 4)


Bill Plympton cede a imagem do cão de
seu Guide Dog para a promoção do evento


Papo Animado Kihachiro Kawamoto

Oni (Japão, 72) [74]
Kataku (Japão, 79) [95]
Fusha no Sha (Japão, 88) [89]

Kihachiro Kawamoto, além de super simpático, é um gênio da animação. Começou na Tchecoslováquia na década de 50 com seu mestre Jiri Trnka, e levou para o Japão toda sua influência para criar obras poéticas, regionais, com bonecos confeccionados por ele próprio. A técnica com bonecos é a mesma da com massinha, o stop-motion. Kihachiro, 81, disse que para completar um filme de 19 minutos, é levado aproximadamente um ano de produção. Não é à toa que seu longa, O Livro dos Mortos, conseguiu sua relativa popularidade. Se 19 minutos acarretam um ano, imagnem 70.


Oni

Oni, ou O Demônio, é um dos seus primeiros filmes autorais. Com um estilo bem pessoal, Kawamoto retrata a alma destroçada de uma mulher de idade, que semi-abandonada resolve resgatar o amor proóprio. Diz a lenda que toda mulher de idade é o demônio encarnado, portanto seus atos perdem o juízo e sua mentalidade debilitada é motivo de piedade.

Kataku, ou Casa de Fogo, é o melhor filme visto no festival. A história de uma mulher dividida entre dois homens. Não querendo magoar nenhum dos dois, que duelavam pelo seu amor, não aceita nenhum pedido e se mata. Os dois, antes inimigos, tornam-se amigos da dor. Ela, pelo suicídio, é mandada para a casa de fogo, onde permanecerá por 500 anos ardendo. Kawamoto disse que "dentro da lógica católica, isso é inconcebível, ela apenas tentou evitar sofrimento. Nas tradições orientais, isso é não é levado em conta. Intenção não é o primordial." Creio que essa incorporação da tradição e da beleza dessa cultura é o ponto alto de seus filmes.

Fusha no sha, ou Atire sem Atirar, conta a história de um homem que quer a qualquer preço tornar-se o melhor arqueiro do mundo. Segue os primeiros passos recomendados pelo mestre da cidade, até o dia que se torna tão bom quanto o próprio. Isso era insuficiente. Uma nova apredizagem ocorre, com o maior mestre de todos, aquele que detém o poder de atirar sem atirar de fato. Não existe um arco e uma flecha, isso é apenas mentalizado, menos a consequência. O final mostra o detrimento de sua obstinidade.


O Livro dos Mortos (Shisha no Sho, 05)

Shisha no Sha, ou O Livro dos Mortos, é o segundo longa dirigido por Kihachiro Kawamoto. O primeiro ocorrera em 2003 com Winter Days, filme que engloba mais de 30 colegas animadores. E pela primeira vez Kawamoto anima seu longa. O mérito é grande, pois o animador consegue aprofundar e aprimorar seu usual trabalho de 20 minutos. 70 minutos que passam tranquilamente e fogem completamente do padrão usual dos animes, com ritmo acelerado e piadas espirituosas. Pressente-se um orgulho muito maior pela sua origem do que o normal. A lenda de uma mulher que empenhada nos estudos depara-se com uma imagem. Ela é levada a um templo budista, onde uma alma penada passa a visitá-la. Num misto de esperança e medo, ela tenta modificar tal situação. Perante um sentimento tão forte e desconexo, a jovem esquece-se de toda realidade, e uma trajetória toda é tomada em direção ao passado. O entendimento daquele ser é fundamental.

Kawamoto geralmente coloca mulheres em seus papéis centrais, sofredoras e resistentes, que muitas vezes se sujeitam a forças extraterrestres. Interessante visão de mundo. Visando uma mudança que ele concebeu o curta Fusha no Sha.

Nota: 83/100

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