09 julho 2006

Factotum - Sem Destino

Factotum - Sem Destino (Factotum, 05)

Factotum é uma adaptação sem vida - por mais irônico que isso possa parecer - de Bukowski. É fato que em alguns momentos parece que Bent Hamer acertará o tom boêmio melancólico com a profunda indiferença e incerteza da personagem quanto ao seu próprio futuro, mas o dinamismo que encerra as melhores sequências, fazem-nas medíocres pela contradição estética. Só li um livro de Bukowski, Hollywood, e creio que lendo apenas um livro dele, percebe-se seu estilo, um marasmo desconcertante que é abalado pela estrutura viciosa da sociedade: o prazer. Em Factotum há o prazer e o marasmo, falta apenas uma conexão maior entre eles. No filme, vejo-os como antagonistas, e na verdade, são cúmplices.

A história é simplista, caraterizada pela boemia de Henry Chinaski. Um descrente nas relações sociais que pensa em dinheiro, álcool e mulheres. Sem moradia, sem dinheiro, e com prooblemas tão fúteis quanto sua ignóbil vida. Troca de mulheres, de empregos, e de vida. Imprudente, infeliz... Seu fruto de prazer é sexo, whisky e escrever, e disso pretende - talvez - criar a típica atmosfera dos escritores Românticos (?), subvertendo apenas o conteúdo. As corridas de cavalo estão lá, assim como a irresponsalidade e a dúvida. Diálogos provavelmente melhores desenvolvidos no livro, que, procurando alimentar os espectadores leitores, o mencionam, sintetizando-os por demais - a exemplo disso a opinião sobre amor.

Ao menos o filme trouxe-me algo de novo: Matt Dillon. Pela primeira vez, assisto a ele com gosto, e muito aliás. Matt Dillon é Bukowski. Brilhante sua personificação, seu clima canalha. Sem ele, Factotum seria insuportável de assistir, pois Dillon capta a essência maldita de Chinaski. Nunca se levando muito a sério e sendo sério, sabendo creditar à sua insignificância uma esperança descrédula.

A melhor cena é a final, a correspondência. Instigante e incorporando de fato o que Dillon faz no filme e Bukowski nos livros. Pena que Hammer não consegue ser constante, sendo tedioso e incongruente. Seqüências extremamente desnecessárias permeiam a película - havia mesmo necessidade da personagem de Marisa Tomei? -, e uma falta de respeito à linearidade de um raciocínio.

Poderia ser melhor, bem melhor...

Nota: 52/100

Ouvindo: The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars - David Bowie
Lendo: A Cidade e as Serras - Eça de Queiroz (ainda, o livro é bem chato - droga de vestibular)

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