31 julho 2006

Anima Mundi 2006

Anima Mundi 2006 -
14º Festival Internacional de Animação do Brasil


Bill Plympton cede a imagem do cão de
seu Guide Dog para a promoção do evento

Segue um link para a minha cobertura do ano passado, explicando bastante do festival que prefiro não repetir, para não tornar o blog enfadonho para quem o acompanha há um bom tempo - e para o site oficial:

Farei agora pequenos acréscimos - coisas do ano -, em relação ao comentário geral do ano passado. Nesse, o festival contou com a participação do ganhador do Oscar de curta de animação, John Canemaker; do mestre da animção japonesa com bonecos, Kihachiro Kawamoto; de Gil Alkabetz; da Mackinon & Saunders e da TV Pingüim.

Com mais curtas e mais longas, o festival limitou-se ainda mais. Diversas sessões exibidas apenas uma vez - como o longa Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock'n'Roll, que teve seus 733 ingressos esgotados no segundo dia de festival e como a sessão Panorama 2, que possuía o curta The Aroma of Tea, tão aclamado por Peerre. Porém a qualidade geral tende a estagnar-se. Meu número de curtas vistos diminuiu - falta de tempo, dinheiro e interesse - e de longas aumentou, e tirando poucos, a maioria continuou me desagradando.

Com uma maioria de 5X1, será colocado em vários posts.

Vamos a eles.

DVD Anima Mundi Vol. 4

Kutoja (Laura Neuvonen, Finlândia, 05) [46]
Morir de Amor (Gil Alkabetz, Alemanha, 04) [53]
Qualquer Nota (Marcelo Ribeiro Mourão, Brasil, ?) [12]
Reci, Reci, Reci (Michaela Pavlátová, Rep. Tcheca, 91) [28]
Overtime (?, França, ?) [49]
Aos Pedaços (Guilherme Marcondes, Brasil, ?) 0 [0]
Ryan (Chris Landreth, Canadá, 04) [72]

Assistido durante as pausas de programação no stand personalizado da Petrobrás. Mostrando, no geral, os "melhores" curtas exibidos no ano passado e outras raridades, como o indicado ao Oscar e vencedor do Prêmio do Júri, Reci, Reci, Reci. Além do ganhador do Oscar, Ryan. Aliás, este não me arrebatou como na primeira visão, e hoje não o acho nada mais do que bom. Algumas animações horríveis como Aos Pedaços e Qualquer Nota - e depois querem falar da qualidade da animação brasileira quando esses dois são considerados ótimos. Kutoja continua-me sendo desagradável. E Morir de Amor é simpático e engraçado, mas além dos traços, o roteiro um tanto quanto bobo desagradou-me bastante.

Não assisti a todos os curtas por falta de tempo.

Curtas 4

Stuart (José Pedro Cavalheiro, Portugal, 06) [50]
Carnivore Reflux (Eddie White e James Calvert, Austrália, 06) [40]
Ego (Louis Blaise, Thomas Lagache e Bastien Roger, França, 05) [60]
Pax (Paulo Munhoz, Brasil, 05) [71]
McLauren's Negatives (Marie-Josee Saint-Pierre, Canadá, 06) [75]
Guide Dog (Bill Plympton, EUA, 06) [48]

Impressiona-me a bobagem chamada Guide Dog levar os prêmios de público e crítica. Apesar de ser engraçado em alguns momentos, é o típico humor burlesco e afetado. O que salva é apenas a agradabilíssima figura do cão. Carnivore Reflux é visualmente feio e bizarro, e isso é o que mais me incomoda. Podendo ser uma animação criativa e sombrio pela sua narração e roteiro, joga tudo fora por um estilo baseado em recortes, fugindo, talvez, de algo mais adequado para compor um verdadeiro conto calamitoso. Pax é um engraçado filme sobre a tentativa de resolução da paz mundial através das quatro maiores religiões do mundo: cristianismo, islamismo, budismo e judaísmo. As gags e sátiras das religiões funcionam, e o clima de paródia faz com que levemos tudo na brincadeira, mesmo com as sutis críticas. McLauren's Negatives é uma mini-biografia/homenagem ao animador canadense Norman McLauren, ganhador do Oscar na década de 50. Não foge dos clichês do gênero, mas consegue compor um curta visualmente interessante, com trechos de animações de McLauren e citações.

Curtas 6

Le Dernière Heure (Antoine Guex, Suíça, 04) 0 [0]
Eclosion (Jerome Boubes, França, 06) [62]
CNote (Chris Hinton, Canadá, 05) 0 [0]
Santa de Casa (Allan Sieber, Brasil, 05) [16]
De Raíz (Carlos Carrera, México, 04) [45]
Creature Conforts - Monarchy Business (Richard Goleszowski, RU, 05) [80]


Creatures Comforts

O curta da estranhíssima reprodução das pedras, Eclosion, agradou-me. Talvez a falta de real propósito - além de mostrar os ótimos recursos - serviu para fazer do curta um balé de seres ignóbeis taxados por uma única razão instintiva de vida. CNote é horrível, faço das palavras de Mel as minhas: "pegaram um monte de cor, de som e de formas, jogaram no liquidificador e foram soltando aos poucos na tela". Santa de Casa ganhou elogios e até matéria na Folha, e eu não entendo como aquela exacerbação visual, dotado de um clima horrível - o típico carnaval carioca -, sérios problemas sonoros e uma história bem besta o pode fazer. Se alguém quiser explicar-me, sinta-se à vontade. Na sessão valeu mesmo o novo episódio de Creatures Comforts, a outra série de sucesso da Aardman. Nesse episódio, os animais debatem a monarquia inglesa, com um fantástico humor ácido. Gosto mais do que do primeiro e ganhador do Oscar.

Curtas 7

Bid'em In (Neal Sopata, EUA, 03) 0 [0]
Yansan (Carlos Eduardo Nogueira, Brasil, 06) [63]
Opera (Ondrej Rudavsky, Eslováquia, 05) 0 [0]
Le Moulin (Florian Thouret, França 05) [50]
La Memoria dei Cani (Simone Massi, Itália, 06) 0 [4]
Walkampf (Andreas Hykade, Alemanha, 04) [67]
Careful (Damian Gascoign, RU, 05) 0 [10]
Citoplasmas en Medio Ácido (Iborra, Gautier, Puertas, Espanha, 04) [48]

Disparadamente a pior sessão que conferi. Conta apenas com dois curtas que me agradaram: Yansan, um curta brasileiro sobre o amor de duas pessoas completamente imorais e sem senso algum de decência - talvez o positivamente mais experimental visto, e o que foge mais dos padrões comuns. E Walkampf, um adorável clipe musical da banda punk (??) alemã Die Toten Hosen, sobre uma baleia encalhada. A música é divertida, mas realmente não vejo nada de punk nela. Talvez o suposto "punk" atual.

Bid'Em In é algo sem sentido, de mal gosto e sem propósito. Opera é algo grosseiro, cantores que durante sua atividade operística lançam raios e coisas pela boca. La Memoria dei Cani é tão ruim que já esqueci o que ocorre nele. E Citoplama en Medio Ácido faz parte da série de comédias-engraçadinhas-baseados-somente-em-gags-que-é-idolatrado-apenas-por-isso. Outras que fazem parte disso é Guide Dog e Minuscule.

Perdido o curta Dehors Novembre.

Curtas 9

Declaration in Love (Dmitri Geller, Rússia, 06) [20]
Prime Time (Tom Dor, Israel, 06) [56]
Rabbit (Run Wrake, RU, 05) 0 [5]
Le Bouillon (Anne-Laure Totaro, França, 05) [30]
Minuscule (Thomas Szabo, França, 06) [48]

Uma pena não ter conseguido ver The Meaning of Life. Sobrou-me um monte de baboseira. Declaration in Love é um insulto a Luis Buñuel, fala-o por dedicarem a ele essa monstruosidade. Prime Time é bobo, mas engraçado. E muitos menos pretensioso que os filmes da série comédias-engraçadinhas... As diversas situações que uma TV imposta na idade das cavernas pode induzir. Rabbit é algo inexplicável. Até que ponto o ser humano é capaz? Criar algo que esteticamente se assemelhe a um jogo de computador da era do 386, de características infantis e fazer uma fábula mórbida e escatológica, imprimindo a um ídolo poderes mágicos e mentalidade macabra, é algo que só alguém dotado de muito mal gosto é capaz de conceber e apreciar.

Perdido os curtas The Meaning of Life - o que queria mais ver - e La Genie de la Boîte de Raviolis.

Curtas 12

The Girl Who Did Things She Didn't Like to do first (Maki Yoshikura, RU, 06) [75]
Zlydni (Stepan Koval, Ucrânia, 05) [47]
Úton (Zsuzsanna Paal, Hungria, 05) [32]
Gargoyle (Michael Cusack, Austrália, 06) [83]
Bonsoir Mister Chu (Stéphanie Lansaque e François Leroy, França, 05) 0 [3]
Cherno na Byalo (Andrey Tsvetkov, Bulgária, 05) [41]
First Flight (Cameron Hood e Kyle Jefferson, EUA, 06) [87]

A melhor das 5 sessões de curtas vista. First Flight é algo que não vejo a DreamWorks Animation fazendo há um bom tempo. Algo que realmente se encaixa para todas idades, espirituoso e gracioso. Diferentemente dos últimos longas, procura num passarinho e num homem metódico de vida patética uma relação de coperação. Ele ajudando o passarinho a voar. Gargoyle é um dos curtas mais poéticos que vi, a relação entre uma aristocrata e seu falecido marido. Aproxima-se bastante da estética Romântica gótica, com todo seu misticismo. The Girl Who Did Things She Didn't Like to do first é algo curioso e bizarro. Uma garotinha que faz tudo que não gosta de fazer primeiro para logo se livrar dessas coisas. A morte iminente do coelhinho da classe faz com que ela filosofe sobre a vida e chegue a uma conclusão.
Imagem: First Flight

Papo Animado Kihachiro Kawamoto

Oni (Japão, 72) [74]
Kataku (Japão, 79) [95]
Fusha no Sha (Japão, 88) [89]

Kihachiro Kawamoto, além de super simpático, é um gênio da animação. Começou na Tchecoslováquia na década de 50 com seu mestre Jiri Trnka, e levou para o Japão toda sua influência para criar obras poéticas, regionais, com bonecos confeccionados por ele próprio. A técnica com bonecos é a mesma da com massinha, o stop-motion. Kihachiro, 81, disse que para completar um filme de 19 minutos, é levado aproximadamente um ano de produção. Não é à toa que seu longa, O Livro dos Mortos, conseguiu sua relativa popularidade. Se 19 minutos acarretam um ano, imagnem 70.


Oni

Oni, ou O Demônio, é um dos seus primeiros filmes autorais. Com um estilo bem pessoal, Kawamoto retrata a alma destroçada de uma mulher de idade, que semi-abandonada resolve resgatar o amor proóprio. Diz a lenda que toda mulher de idade é o demônio encarnado, portanto seus atos perdem o juízo e sua mentalidade debilitada é motivo de piedade.

Kataku, ou Casa de Fogo, é o melhor filme visto no festival. A história de uma mulher dividida entre dois homens. Não querendo magoar nenhum dos dois, que duelavam pelo seu amor, não aceita nenhum pedido e se mata. Os dois, antes inimigos, tornam-se amigos da dor. Ela, pelo suicídio, é mandada para a casa de fogo, onde permanecerá por 500 anos ardendo. Kawamoto disse que "dentro da lógica católica, isso é inconcebível, ela apenas tentou evitar sofrimento. Nas tradições orientais, isso é não é levado em conta. Intenção não é o primordial." Creio que essa incorporação da tradição e da beleza dessa cultura é o ponto alto de seus filmes.

Fusha no sha, ou Atire sem Atirar, conta a história de um homem que quer a qualquer preço tornar-se o melhor arqueiro do mundo. Segue os primeiros passos recomendados pelo mestre da cidade, até o dia que se torna tão bom quanto o próprio. Isso era insuficiente. Uma nova apredizagem ocorre, com o maior mestre de todos, aquele que detém o poder de atirar sem atirar de fato. Não existe um arco e uma flecha, isso é apenas mentalizado, menos a consequência. O final mostra o detrimento de sua obstinidade.

Papo Animado John Canemaker

Confessions of a Stardreamer (EUA, 78) [72]
Bridgehampton (EUA, 98) [70]
Confessions a Stand-Up (EUA, 93) [82]
Bottom's Dream (EUA, 83) [80]
The Wizard's Son (EUA, 81) [46]
The Moon and the Son (EUA, 05) [87]

The World According to Garp (EUA, 83) [63]
You Don't Have to Die (EUA, 88) [60]
Break the Silence (EUA, 94) [60]

John Canemaker começou sua carreira no final da década de 60 e pode-se dizer que é um sujeito de sorte. Começou quando a animação era feita basicamente pela Disney, e seus desenhos não tinham o mesmo perfil. Mesmo que incorpore bastante desta, seu estilo é diferente, contrapondo unidades contínuas e descontínuas. Estudioso da área, apresentou no festival duas paletras: A arte de Mary Blair e Winsor McCay, este um dos precussores da animação, realizou diversos curtas que marcaram a história; aquela, designer gráfica da Disney, de filmes como Alice no País das Maravilhas e Peter Pan. Canemaker ganhou o Oscar de melhor curta de animação por The Moon and the Soon, além de ter sido indicado à Palma de Ouro por Bottom's Dream.

Separei os filmes em dois grupos: seus curtas autorais e trabalhos realizados para filmes e documentários. Estes são os últimos da lista, e apesar de bem feitos, é difícil analisar sem todo o contexto. John tem a fama de saber adaptar propostas de incentivo, ou campanhas humanitárias, para o mundo animado, tensionando atingir um detrminado público. Dois trechos são de documentários feitos para TV que falavam sobre o câncer infantil e sobre o abuso de crianças. O outro é um trecho animado aceito e um recusado para o filme O Mundo Segundo Garp.


Confessions of a Stand-Up

Confessions of a Stardreamer e Confessions of a Stand-Up seguem a mesma premissa, uma entrevista com um conhecido que está batalhando na vida por um espaço na vida. No primeiro, uma atriz, e no segundo um comediante de palco. O diferencial das notas reserva-se ao carisma do protagonista, sendo inegável a superioridade de Confessions of a Stand-Up nesse quesito.

Bottom's Dreams é o que mais se assemelha com a Disney. O uso de cores quentes contrastando muito com azul e verde, o traço ensandecido, personagens sem rumo... É um curta sem destino, só vai indo, sem objetivo, apenas carregando a forma e a sensação. Bridgehamptom é o desenho do seu próprio jardim. O mais experimental e o mais poético, linhas indefinidas que vão construindo figuras, formando cores, descontruindo-as, bailando. Cores mais frias são utilizadas nesse.


The Moon and the Son

The Moon and the Son é seu filme mais pessoal, alternando vídeos e fotos com animação, Canemaker volta ao seu triste passado com o pai, e através dos desenhos recria a amplidão de seus desgostos, medos e enigmas. Houve (ou há) um subtítulo, An Imagined Conversation, que revela a situação irreal da trama. De fato, a conversa, que tão devastadora seria, é uma forma de desabafar, dizer ao pai tudo que o agustiou, e sempre atravancou-se em sua garganta desde a morte do pai em 1995. Era a forma de enfim se livrar de peso. Reconstruindo momentos de um julgamento, e dos dias finais do hospital, Canemaker, num tom documental, sepultou finalmente uma alma atordoada.

O Livro dos Mortos (Shisha no Sho, 05)

Shisha no Sha, ou O Livro dos Mortos, é o segundo longa dirigido por Kihachiro Kawamoto. O primeiro ocorrera em 2003 com Winter Days, filme que engloba mais de 30 colegas animadores. E pela primeira vez Kawamoto anima seu longa. O mérito é grande, pois o animador consegue aprofundar e aprimorar seu usual trabalho de 20 minutos. 70 minutos que passam tranquilamente e fogem completamente do padrão usual dos animes, com ritmo acelerado e piadas espirituosas. Pressente-se um orgulho muito maior pela sua origem do que o normal. A lenda de uma mulher que empenhada nos estudos depara-se com uma imagem. Ela é levada a um templo budista, onde uma alma penada passa a visitá-la. Num misto de esperança e medo, ela tenta modificar tal situação. Perante um sentimento tão forte e desconexo, a jovem esquece-se de toda realidade, e uma trajetória toda é tomada em direção ao passado. O entendimento daquele ser é fundamental.

Kawamoto geralmente coloca mulheres em seus papéis centrais, sofredoras e resistentes, que muitas vezes se sujeitam a forças extraterrestres. Interessante visão de mundo. Visando uma mudança que ele concebeu o curta Fusha no Sha.

Nota: 83/100

Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 51)

Alice no País das Maravilhas é uma das pérolas da animação, e o triste é que nunca o tinha percebido. Gostava, e muito, mas não com a mesma intensidade pela qual hoje a reverbero. Talvez por ser no áudio original e na tela grande a diferença tenho sido admirável. Meus contatos anteriores se resuimam a uma cópia dublada vista numa TV de 14 polegadas. A incrível fábula de uma garota que sonha em viver num mundo que não faz sentido algum, e de repente se vê de cara com ele. Uma história que seria contada de outra maneira por Miyazaki em A Viagem de Chihiro.


A fábula transposta da obra de Lewis Carrol é tocante no aspecto de sobre-vivência num mundo de alegorias e mitos. O abrilhantado colorido rechaçado, em ápice na ópera floral (cena da imagem), onde, rejeitada pelas esnobes plantas, começará de fato sua jornada pelo mundo das maravilhas. A lagarta, o gato, a lebre e o chapeleiro malucos, entre outros vão compondo um emaranhado de idéias e conceitos, que após toda confusão inicial, tornaram-se tão familiares quanto qualquer coisade seu mundo. Adaptação seria a palavra-chave, porque Alice é uma menina ingênua cansada da realidade, mas que aprende e que quer permanecer íntegra.

E viva o cogumelo, o mundo lsd das maravilhas, o desaniversário, os gêmeos e tudo mais.

Nota: 92/100

Você Já Foi à Bahia? (The Three Caballeros, 45)

Quem já foi à Bahia? é um título estúpido. Não só por estar longe do original, mas por querer mostrar outra realidade. Óbvio que o objetivo era apenas atrair público, com a prévia "O pato Donald está no Brasil", e sim, ele vem para o Brasil, como também vai para o México. A Doutrina Monroe (ou política do Big Stick, como preferirem, é tudo igual) atualizada pós-guerra e pós Segunda Guerra, política de boa vizinhança, "América para os americanos (do norte)"... Donald faz aniversário, e depois de receber um vídeo explicativo sobre as aves sulamericanas - com a participação do pirado Folião, que viria a ter suas próprias histórinhas no gibi do Zé Carioca -, é a vez de aparecem seus grandes amigos, Panchito e Zé Carioca. Carioca o levará à Bahia, onde Iaiá os receberá - com seus deliciosos quindins: "os Quindim de Iaiá/Cumé, cumé, cumé?" -, e Panchito, num tapete voador, amostrará cidade como Acapulco, Cidade do México e outras.

O mais fantástico do filme é sem dúvida a persona de Donald. Que pato maravilhoso. Que dublagem primorosa. Pato Donald é um dos melhores personagens já criados, seu jeito despojado e megalomaníaco, assanhado, remetem-me a uma versão máscula de Andy Warhol. E que pato safado, Donald era. Não podia ver um rabo de saia, que sua tez avermelhava-se e ele ficava doidinho atrás. Tempos despudorados (enrustidos?) da animação.

Se não cansasse tanto na segunda metade...

Nota: 65/100

Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock'n'Roll (Idem, 06

Não gostei por um simples fato, é muito aquém às tirinha de Angeli. Mesmo porque fui esperando ver algo que percorresse o mundo de Wood & Stock, e não tudo produzido por Angeli - considero muito de sua coisas chatas. Os dois hippies convictos da década de 70, com toda sua promiscuidade, rock'n'roll e drogas - ao invés de maconha, a preferência é pelo orégano - mostram suas vidas nos dias atuais, tentando ganhar a vida com a música. O filme serve só mesmo para Otto Guerra desfilar a psicodelia, banalidades, conversas idiotas e personagens nuas. Poucas são realmente as tiradas que alcançam a verdadeira alma de Wod & Stock, a tirinha. Vale pela voz de Sepé Tiarajú, como Stock, e pelas aparições de Raul Seixas.

Nota 40/100

Melhores - curtas:


Kataku

  1. Kataku (Kihachiro Kawamoto, Japão, 79)
  2. Fusha no Sha (Kihachiro Kawamoto, Japão, 88)
  3. The Moon and the Son (John Canemaker, EUA, 05)
  4. First Flight (Cameron Hood e Kyle Jefferson, EUA, 06)
  5. Gargoyle (Michael Cusack, Austrália, 06)
  6. Confessions a Stand-Up (John Canemaker, EUA, 93)
  7. Creature Conforts - Monarchy Business (Richard Goleszowski, RU, 05)
  8. Bottom's Dream (John Canemaker, EUA, 83)
  9. The Girl Who Did Things She Didn't Like to do first (Maki Yoshikura, RU, 06)
  10. McLaren's Negatives (Marie-Josee Saint-Pierre, Canadá, 06)

Piores - curtas:

  1. CNote (Chris Hinton, Canadá, 05)
  2. Bid'em In (Neal Sopata, EUA, 03)
  3. Opera (Ondrej Rudavsky, Eslováquia, 05)
  4. Le Dernière Heure (Antoine Guex, Suíça, 04)
  5. Bonsoir Mister Chu (Stéphanie Lansaque e François Leroy, França, 05)
  6. La Memoria dei Cani (Simone Massi, Itália, 06)
  7. Rabbit (Run Wrake, RU, 05)
  8. Careful (Damian Gascoign, RU, 05)
  9. Santa de Casa (Allan Sieber, Brasil, 05)
  10. Declaration in Love (Dmitri Geller, Rússia, 06)