30 janeiro 2006

Wallace e Gromit

Wallace e Gromit - A Batalha dos Vegetais (Wallace and Gromit: The Curse of the Were-Rabbit, 05)


Começo minha resenha falando de como ansiava por esse filme. Eu adoro os curtas de Wallace e Gromit. As Calças Erradas é um dos melhores filmes que já vi em termos de animação. Eu adoro o humor britânico desse filme, sutil porém eficiente. Por gostar bastante dos curtas metragens fui com uma alta expectativa em relação ao longa. Posso dizer que fiquei um pouco desapontado, o filme não tem o mesmo encanto que possui os trabalhos anteriores sobre a dupla, mas é divertidíssima a saga de um homem e seu cachorro que combatem as pragas.

Nick Park é o gênio por trás da série. Dizer o principal expoente do cinema com massinha é A Fuga das Galinhas, também de Nick Park, é heresia. Hoje não existiria A Fuga das Galinhas se em 1989 esse estranho sujeito não tivesse a idéia de criar um modesto curta metragem sobre um homem e um cachorro que mais parecem casados do que dono e mascote. Wallace e Gromit foi uma brincadeira, uma tentativa de exibir seu potencial como criador e realizador. Independentemente de ele ter realizado anteriormente Creature Comforts, foi com Wallace e Gromit que ele se encontrou. Foram feitos 3 curtas sobre a dupla para os cinema: A Grand Day Out, The Wrong Trousers e A Close Shave, sendo o segundo meu preferido.

Eu vejo em Wallace e Gromit um único poropósito: entreter. Não quer fazer você refletir, não quer mostrar seu conhecimento, não quer fazer sátiras ou parodiar, ele só quer contar uma história sobre duas personagens bizarras, fora do comum, numa cidade ainda mais estranha. Eu consigo ver um paralelo entre as personagens desse filme e Mickey, Pateta e Donald, em seus desenhos da década de 40 e 50, quando trabalhavam em coisas incomuns e quando os desenhos deles ainda apresentava alguma qualidade. Wallace é um inventor de bugigangas nunca inventadas e um tanto quanto ingênuo, Gromit é o racional da relação, sempre tentando dissuadir Wallace de suas invenções malucas. Dessa vez, caçadores de pragas, Wallace quer modificar a mentalidade de um coelho, a principal praga das hortas da cidade. Ele tenta fazer lavagem cerebral no animalzinho, tirando-lhe todo prazer de comer vegetais. Assim ele facilitaria o seu trabalho de perseguir coelhos no meio da noite, já que seu trabalho é fundamentado nisso, perseguir coelhos que estão destruindo as plantações e principalmente os vegetais gigantes que participarão da grande festa popular do ano. A partir daí, como se é de esperar, algo talvez dê errado com sua nova geringonça.

Não sei de qual personagem gosto mais, se é de Wallace ou de Gromit. Wallace é todo trapalhão, com suas inveções peculiares e sua tara por queijo. Gromit é sério, estranho, misterioso. São personagens que se completam. O humor de Wallace vem da ingenuidade, do aspecto palhação, do humor mais voltado para os pastelão. Gromit é mais complexo, difícil de se definir, o humor nele vem do fato de nunca falar, do modo preocupado e do jeitão meticuloso. Pensando bem, outra personagem entra na disputa: o vigário. Longe do esteriótipo, o vigário já é esquisito fisicamente e sua maneira anti-convencional é o seu grande atrativo.

Atualmente as animações estão fadadas a um destino, o de serem facilmente esquecidas. E por que são esquecíveis? Por um simples motivo, são animações voltadas para o público infantil querendo enganar o público e se fazerem voltadas para todas as idades. A Disney nunca precisou fazer isso, tirando alguns delizes, dificilmente uma animação deles não entrará para a história do cinema. Só que a Disney vem perdendo seu espaço para outra produtora emergente nesse setor, a DreamWorks. Antes de Shrek, as animações dela eram voltadas para um público infanto-juvenil. Com Shrek - também voltada a esse público - a DreamWorks superfaturou, agradou a todos, principalmente à criançada. Desde então a DreamWorks e quase todas as outras produtoras de animações - exceto aquelas de animações japonesas e de Tim Burton, quase sempre feitas para o público adulto - tem produzido filmes infantis. A DreamWorks principalmente, por exemplo O Espanta Tubarões e Madagascar. Agora isso muda um pouco, Wallace e Gromit dá uma pausada nisso e retoma os bons tempos da Dreamworks com produções infanto juvenis - certo que a DreamWorks não merece quase nenhum mérito nesse projeto, todos são da Aardman -, fazendo um filme menos despretensioso e mais eficiente. O humor do filme se dá pela sutileza, baseadas nos gestos e gagues. Por isso que gosto tanto do humor britânico, ele é simples, pouco apelativo e feito para produzir sorrisos e não gargalhadas.

Gosto muito das animações de massinha da Aardman. Além de ser uma maneira inusitada de se criar, necessita-se de um trabalho muito árduo. Porém, seu resultado é fantástico. Os bonecos são criaturas fantásticas, seu estilo conceptico é o principal atrativo no visual. Acho que a qualidade de filmagem dos filmes deles vem evoluindo, nota-se uma alteração desde A Fuga das Galinhas.

Wallace e Gromit - A Batalha dos Vegetais não discute nada, só mostra a relação de dois companheiros inseparáveis, um inconsequente (Wallace, o homem) e um racional (Gromit, o cão) que juntos fazem de tudo para serem eles mesmo e impedir de se enrrascarem. Não é um filme excepcional, mas diverte um bocado. Com certeza entra para a história da animação, com seus méritos e glórias. Nick Park é um cara brilhante.

Nota: 73/100

Escutando: CD (Chaos and Creation in the Backyard - Paul McCartney); Música (Avalanche - Leonard Cohen)

A Descobrir

Hotel Ruanda (Hotel Rwanda, 04) - A história verídica de Ruanda, um país africano que sofreu há uma década um terrível guerra civil é muito bem retratada nesse drama. Hutus e Tutsis são dois grupos étnicos do país que lutam pelo poder, num país abandonado por todos os órgãos mundiais. Brilhante a franqueza na cena em que o general da ONU afirma à personagem de Don Cheadle: "vocês não valem nada", se referindo à importância econômica do país. Cheadle está muito bem. [81]

Postado originalmente em 14/10/2005.

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