30 janeiro 2006

Tiros em Columbine

Tiros em Columbine (Bowling for Columbine, 02)

Não sou muito fã de documentários, pois, geralmente sempre abordam os mesmos temas, são chatos e tem sempre o mesmo cara fazendo a narração. São poucos os documentários que me agradam, ainda mais se durarem mais de uma hora e meia. Provavelmente não teria alugado esse, se não fossem os diversos prêmios e críticas positivas. Depois de Michael Moore ganhar a Palma de Ouro em Cannes por seu novo “Fareiheint 11 de Setembro”, cheguei a conclusão que era um dever conferir o filme que o trouxe ao mundo dos grandes cineastas. E não é que adorei o filme. Não é cansativo, a narração não é em off, aliás, quase não tem narração, quase sempre sendo comentários de Moore que acaba por estrelas o documentário.

Não posso dizer que Michael Moore é um gênio e que o documentário é completamente dentro da realidade. Ou que Michael é persistente apenas em busca da verdade, percebe-se a manipulação feita por ele, em muitos momentos ele fala apenas não dando direito de respostas. É como se fosse uma propaganda política anti o governo, e não que isso seja ruim, pois mostra fatos contundentes a humanização de qualquer pessoa. Mas é inevitável que após a edição, coisas que não fossem tão radicais como sua visão (que concordo plenamente) fossem cortadas. Mas enfim, fez um documentário realista (até certo ponto), e mostra exatamente todos os perigos de armamento em ambiente doméstico.

Concordo com muitos de seus argumentos, mesmo porque o Brasil, mesmo não tendo um índice tão alto quanto dos EUA, o índice de mortes por meios de armas é enorme. Porque em países como França, Inglaterra e até mesmo Canadá (onde o número de posse de arma é alto) o índice de mortalidade por meio de armas é muito menor. Vários fatores, inclusive o dado pelo excelente ator e presidente da ANR (Associação Nacional de Rifles), Charlton Heston, cuja opinião consiste no passado violento da América. E excluindo países como Alemanha que vivenciaram a primeira e a segunda Guerras Mundiais, e hoje tem um índice baixo.

Além da entrevista com Heston, o filme conta com a entrevista de outro famoso, o rock star Marylin Manson, do qual particularmente detesto a música, mas apreciei muito seu depoimento, sobre seu nome estar ligado como principal influência ao massacre da Escola de Columbine, do título. Mesmo aparentar que a principal vertente do filme a ser explorado será Columbine, será apenas mais um motivo (assim como o assassinato de uma criança dentro do colégio) para expor sua visão sobre as armas, como isso desgraça o mundo e até utilizando uma bela animação, extremamente ácida e satírica aos EUA.

Mesmo sabendo sua fama de atacar George W. Bush - em seus livros, discursos do Oscar, e seu novo trabalho - esta não é a prioridade neste filme, já que o incidente em Columbine se passou no governo Clinton, e suas críticas irem a todos os governadores.

É sempre curioso, no mínimo, ver um trabalho assim, cheio de enigmas insolúveis, tentando achar a razão para o instinto assassínio americano. Michael Moore é engraçado e não perde uma para atacar o governo, e tentar justiça, estilo faça com suas próprias mãos. Um excelente filme, muito bem argumentado, e uma verdadeira lição de moral. Um documentário que te prende na cadeira durante seus 120 minutos que nem se pestanejar.

Nota: 95/100

PS: Há menos de um mês um grande nome do cinema faleceu, hoje foi outro. Aqui fica minha despedida ao excelente compositor de trilhas, Jerry Goldsmith, que morreu de câncer. Eis o
link da notícia:
http://epipoca.cidadeinternet.com.br/news_zoom.cfm?id=12785


Adeus,
Jerry Goldsmith.


Postado originalmente em 22/07/04.

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