30 janeiro 2006

Star Wars III

Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith (Star Wars: Episode III - Revenge of the Sith, 05)



Pode conter spoilers.

Não posso dizer que sempre fui um fanático pela série, porque meu contato com a trilogia original só veio há umas duas semanas com a exibição na Fox, a qual sou muito grato por isso. Oportunidades não me faltaram, mas assistir dublado no SBT não é algo que eu chame de diversão. Já estava até pensando que só iria ver a Triologia iniciada em 1977 e terminada em 1983, depois de ver os epidódios novos. E assistindo a saga completa, agora, posso dizer que sou um fã dela, mesmo não idolatrando todos os filmes. Mas não posso deixar de mostrar minha empolgação com toda filosofia e aspectos históricos por trás de Star Wars, ou Guerra nas Estrelas - que a meu ver é muito mais que mero entretenimento. Como assisti A Vingança dos Sith por último, e por já ter assistido o trailer, minha expectativa era muito grande, achando que esse seria provavelmente o melhor, ou estaria quase lá. Manipulação de poder é algo legal, seres maniqueístas são legais, e queria muito disso no filme. E, felizmente, todas minhas expectativas foram atingidas. Star Wars III é provavelmente o melhor episódio da saga, pau a pau com Uma Nova Esperança. O mais sombrio, o que tem mais cenas em que me arrepiei, o que mais se assemelha com os três originais, o único com uma vitória evidente do mal.

Os fanáticos pela saga criticaram Lucas pelos Episódios I e II, pricipalemente por que queriam Darth Vader, e não o que está por trás de toda aquela história de intrigas e imprudências. Eu não gosto do Episódio I, mas gosto do II, e creio que agora, com todos vistos, irei gostar muito mais deles. Tecnicamente e qualitativamente são bons filmes, que se tornam vazios por serem incompletos. Bem que Lucas estava correto ao afirmar que, quem não gostou dos anteriores, gostará agora, que faz muito mais sentido. Ele conseguiu juntar as duas pontas, sem deixar um só ponto sem ser explicado. George Lucas mostra como tem não só capacidade para arrecadar milhões em dinheiro (160 milhões de dólares já no primeiro fim de semana nos EUA) - e milhares de seguidores pelo mundo -, mas também criar uma incrível jornada pela fantasia que ocorreu numa galáxia distante há muito tempo atrás. Não digo que a originalidade esteja no roteiro - que é basicamente um amontoado de intrigas familiares e fatos ocorridos que se tornaram histórico -, mas sim na transposição de um universo na qual pequenos e insignificantes detalhes de nossa existência tomam lá proporções gigantescas. É a questão de quem tem a Força - creio que aí reside o fato de muitos considerarem o Jedi como uma religião, que não deixa de ser verdade, por ser uma crença. Outro filme, recentemente visto em breve comentado é Old Boy, que explora as singularidades da vida, e suas importâncias.

O interessante do filme é ver como todo ato tem sua consequência, por mais banal que seja um ou outro. E mesmo com toda sua sina moralística - egoísmo, egocentrismo, e quase tudo é errado, pregando praticamente tudo que a Igreja Católica diz -, a película mostra o lado caótico das coisas, como não é sempre que o bem triunfa sobre o mal. Imaginem o mundo como no final de O Retorno do Jedi. Exato: ECA! - vocês não imaginam meu desapontamento com o final mega feliz do filme. Em A Vingança dos Sith, tudo que vivemos se encontra lá. E isso que torna tudo tão fantasticamente intrigante obscuro. Uma pessoa, cega de amor, protelando pela vida de sua amada, mesmo contra todos, inicia uma viagem pela obstinação e servidão, tentando encontrar uma possível solução para a sobrevivência desta. Poético, não? Uma pena terminar com aquele "Nãooooooo" extremamente forçado.

O filme narra a ascenção do Império e de Palpatine e a queda dos Jedi, já corrompidos pelo poder. Anakin Skywalker passando para o negro da Força, e o nascimento dos gêmeos Luke e Leia fazem parte dessa trama.

O principal destaque para mim foi Ian McDiarmid, fantástico como Palpatine, o cara conseguiu se igualar ao fabuloso Alec Guinness como Obi-Wan Kenobi nos três últimos episódios. Brilhante suas impressões demoníacas e gestos maquiavélicos, transformando-se em tudo aquilo que é mal. Minha torcida para qualquer prêmio como coadjuvante vai para ele. Hayden Christensen não é ruim, uma pena ele não ter a carga dramática para interpretar alguém tão complexo como Anakin/Vader. Mas eu acho bem legal o momento que o lado negro floresce em seu rosto (aka. 1ª foto). Ewan McGregor é um dos meus atores preferidos da atualidade, mas lhe falta o carisma de Guinness. Nenhum grande destaque para os outros.

Cenas desde já antológicas: Lutas entre Obi-Wan e Anakin, Mace Windu e Palpatine, Yoda e Palpatine - e a luta entre Doku (recuso-me a traduzir um nome) e Anakin/Obi-Wan é legal também -; Palpatine levando Anakin para o lado negro e a transformação em Vader; o final dos heróis e a cena em que se encerra. Não posso esquecer de mencionar as aparições de Chewbacca, C-3PO e R2-D2. Eu adoro os três, e me divirto bastante com eles.

A Vingança dos Sith é uma das melhores surpresas do ano, espero que os próximos blockbusters estejam a altura desta obra-prima da ficção. Agora quero conhecer mais da saga, revê-los e comprá-los, qurero um sabre de luz e uma fantasia do Darth Vader. Star Wars é uma coisa legal para caramba, e quanto mais conflitos, mais legal.

Nota: 88/100

Escutando: CD (O - Damien Rice); Música (Under Pressure - Queen e David Bowie)


A Descobrir

Agora ou Nunca (All or Nothing, 02) - Filmaço de Mike Leigh, o mesmo que dirigiu o fraco Vera Drake. Em Agora ou Nunca, muito mais maduro e mais melancólico, narrando a história de um casal, que já muito distantes, têm de enfrentar algo além das adversidades comuns da vida, e isso os rará a um novo plano. Timothy Spall merecia muito mais reconhecimento por esse filme, tremendamente fantástico. Adoro atores que exalam depressão e melancolia. Preciso rever, deve melhorar assim. E assim que a vida continua. [87]

Postado originalmente em 24/05/2005.

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