30 janeiro 2006

Redentor

Redentor (Idem, 2004)

"Colateral" ou "O Terminal", esta era a dúvida ao ir ao cinema. Quais dos dois iríamos confeirir? A primeira escolha era "Colateral", caso ocorresse o esgotamento da sessão, iríamos ver "O Terminal". E o que aconteceu? Ambos estavam esgotados. Sobrou este e "A Vila". Fomos ver Redentor, o que presumimos que seria melhor mesmo não esperando muito do filme - quando me refiro a nós, quer dizer eu e Raphael, que ocasionalmente comenta aqui. Afinal o cinema nacional não produziu nada significativo este ano, e porque seria justamente esse? Mas fomos ver, tinha o Pedro Cardoso e uma história interessante. E não é que eu adorei o filme, muito melhor que "A Vila" por exemplo. Mesmo não tendo visto "Olga", creio que este deva ser o escolhido brasileiro ao Oscar - mesmo com grande probabilidade de ser "Olga" -, o filme se demonstra engraçado e nunca cansativo.

Utilizando uma narrativa a lá "Memórias Póstumas de Brás Cubas", Redentor conta a história de Célio Rocha. Um repórter que quando pequeno foi ludibriado pelo vizinho milionário e empreiteiro. O Condomínio Paraíso, um sonho de consumo, edifício de luxo, que nunca saiu do papel. Resguardando esse ódio, Célio e sua família envelhecem. Otávio Sabóia, filho do milionário e herdeiro, está sendo investigado. Seu pai, antes havia decretado falência e se suicidado. Célio é então designado a fazer a cobertura do caso. E é assim que ele vê Deus.

Filme feito pela família Torres (Cláudio, Fernando, Fernanda, Fernanda Montenegro), com muito sucesso. Cláudio em seu primeiro trabalho como diretor mostrou talento e sabedoria para contar uma boa história. O roteiro tem uma ou duas cenas meio cansativas e inúteis, mas nada que comprometa o resultado. Destaco as cenas em que Célio faz contato com Deus, em que vê a
destruição de Brasília, e nas piadas repetitivas (quem viu sabe).

Pedro Cardoso está ótimo, nunca o vi tão engraçado. Rouba todas as cenas e ainda se sobrepõe a elas. O filme já vale por ele. Outro que gostei foi Miguel Falabella, não tão engraçado quanto Caco Antibes em Sai de Baixo, mas muito bem, repetindo o mesmo estilo de papel só que não tão escrachado. Também gostei de Fernando Torres, o papel mais carismático da fita (a cena de defumar o canário é ótima). Destaque para Lúcio Mauro e Tony Tornado. E Camila Pitanga continua maravilhosa.

Uma coisa que me surprendeu no filme foram os efeitos especias, ótimos para uma produção brasileira. Jamais pensei que isso fosse possível, efeitos que estão pau-a-pau com super produções norte-americanas. Certo que não são demasiadas, mas quando utilizadas, ótimas. Percebe que o cinema nacional está num patamar mais alto, tecnicamente falando...e isso é bom. Uma ótima comédia despretensiosa que merece atenção.

Nota: 80/100 (no lançamento e na crítica); 81/100 (revisão)

Escutando: CD (Both Sides Now - Joni Mitchell); Música (There's a Light That Never Goes Out - The Smiths)

A Descobrir

Ararat (Ararat, 02) - Ararat conta a história de descendentes de armênios que revivem em um filme o massacre sofrida pelo povo na Turquia. E acabam por se descobrindo. Um filme sensível e apaixonante, carregado de emoção e sentimento. Uma história belíssima. Um filme americano que merece muita atenção por ter passado despercebido. [90]

Postado originalmente em 20/09/04.

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