30 janeiro 2006

A Queda!

A Queda! - As Últimas Horas de Hitler (Der Utergang, 2004)


Adolf Hitler foi um homem mau, certo? Matou, direta ou indiretamente, milhares de pessoas. Foi a grande razão de ter existido o Holocausto. Prendeu milhares de judeus em campos de concentração, e devido a isso 6 milhões deles foram mortos. Perseguia, além de judeus, comunistas, homossexuais e todos que eram contra seu totalistarismo ariano infundamentado. Quis dominar o mundo, e se não fosse uma tática errada de seu aliado, Benito Mussoilini, provavelmente teria conseguido. Cometeu a maior atrocidade do século XX, dizimando grande parte da população. Cometeu um genocídio. Com todos esses fatos só pode-se dizer que o "Füher" (Líder) era um homem perverso, insano, e maldade em pessoa. E o que aconteceria se um dia alguém virasse e dissesse: "Sim, Hitler era louco, suas teorias de superioridade de raça eram extremanete precipitadas, mas ele era alguém que tinha esperança e acreditava naquilo que fazia. Hitler, pode ter causado tudo isso, mas fez por seu ideal. Ele acreditava no que fazia, e por isso o fazia. Teria sido uma das melhores pessoas do mundo, se não fosse psicologicamente afetado." - É principalemente isso que se pode extrair do filme (e muito mais).

Eu sempre fui ávido por saber cada vez mais e mais de História. Segunda Guerra Mundial sempre me fascinou, acho fantástico a maneira como decorreu todas essas atrocidades, isso sempre me chamou atenção - não só a 2ª GM, mas quase todos grandes conflitos, mas nenhum como essa guerra e seus líderes, e quando falo seu líderes, me refiroo apenas a Benito Mussolini e Adolf Hitler -, e agora, com a comemoração dos 60 anos de fim de Segunda Guerra, estou me esbaldando. A mídia nos presenteia incansavelmente com matérias e artigos sobre esse fato, e quem foram esses homens. E, sem dúvida, esse filme veio a calhar. Nem preciso dizer, que estava lá, para conferir A Queda! na estréia. Nunca vi um filme que retrate tão bem um homem tão vazio como o ditador nazista. Já vi filmes melhores sobre esse período, mas nenhum que falem diretamente sobre tão peculiar figura.
O objetivo do filme é mostrar um Hitler mais humano, desgastado por/com tudo aquilo. Conseguir, consegue. Mas por trás disso ainda vemos um Hitler mais alucinado, mais hipócrita, mais egocêntrico na sua vida reclusa do que se imaginaria. O que não deixa de ser humano, pois, pelo próprio conceito, a humanidade é imperfeita e cheia de falhas. Oliver Hirschbiegel torna tal figura num homem determinado, mesmo que inseguro nos últimos dias em seu bunker, aclamado por muitos - seguidores que realmente acreditavam que seu domínio era algo essencial para a natureza de um novo mundo, regado pela perfeição - e odiados por muitos outros. O "Füher" acreditava tanto que estava fazendo um bem a humanidade, que mesmo em seu momento final, creditava a derrota aos cidadãos e parte dos militares alemãos - e não à loucura deste.


Muito já se sabem respeito de ditadores malucos, aliás, que ditador bate bem da cachola? todos tem seu revés. Mesmo abastados em poder, algo sempre dá errado. Pois nada é eterno. Mas ditadura é sempre algo maligno? Se for assim, o bem sempre triunfará sobre o mal? E, se todo ditador tem a índole maligna, qual a diferença entre eles? Ou tudo apenas não passa de uma corrida para ver quem consegue ser mais popular, e matar e destruir mais - Vejam Stálin, Hitler, Mussolini, Mao Tsé Tung, Fidel Castro todos tem sua parcela de loucura, todos são fascistas, alguns mascarados, outros deslavados? Eu particularmente não concordo com isso, pois ainda acho que Getúlio Vargas foi o melhor presidente do Brasil, e que Mussolini estava no camiho certo que não fosse por Hitler. Ah, e mais uma coisa: Se todos ditadores são malignos, e vestem toda aquela pompa, eles se redimem de alguma maneira ao mostrar seu lado humano quando está tudo no final (covardia, culpa, fracasso, desistência...)?

Traudl Junge, secretária do "Füher" narra últimos dias dele (e não só as horas como aponta o errôneo subtítulo).

O grande destaque da película é Bruno Ganz, sim, soa redundante mais um idiota falando tão bem de um paspalho tão bem em cena, mas Ganz é tudo o que falam. Ele é Hitler em cinco minutos de projeção, com todo aquele visual excêntrico, de cabelo para o lado, bigodinho milimetricamente simétrico e mal de Parkinson. Consegue até passar todo carisma que o ditador utilizou para cativar metade da Europa. Sensacional seu trabalho nesse filme, que Ray Charles que nada, quem merecia o Oscar era Hitler. Chiliques em perfeição. Também gosto de Alexandra Maria Lara, que faz sua secretária.

Destaque ainda para toda equipe técnica que conseguiu recriar esplendidamente o bunker e para Stephan Zacharias, compositor responsável pela ótima trilha sonora. O único possível problema do filme são suas duas horas e quarenta minutos, que podem torná-lo um pouco cansativo para aqueles que não apreciem tanto tal contexto histórico.

Nota: 92/100

Escutando: CD (I Am a Bird Now - Antony and the Johnsons); Música (All Dead All Dead - Queen)

A Descobrir

A Última Gargalhada (Der Letzte Mann, 1924) - Filme que compõe o período do Expressionismo alemão que consegue ser fantástico sem nos dizer uma única palavra sequer. Já havia visto O Anjo Azul antes, mas achei muito chato e cansativo - preciso rever urgentemente depois que contemplei este exemplo de cinema, quero mais e mais. A sobriedade a angústia da personagem central + o visual impecável, que varia nas tonalidades de preto = uma das histórias mais simples e sinceras que já vi. Dá-lhe F. W. Murnau. [90]

Postado originalmente em 15/05/2005.

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