30 janeiro 2006

Os Suspeitos

Os Suspeitos (The Usual Suspects, 1995)


Os Suspeitos foi um dos melhores suspenses policiais já produzidos. Inteligente, dinâmico, intrigante, desafiador, polêmico, e simplesmente magnífico. Esse é o tipo do filme que se você perder a atenção, nem que seja por um milésimo de segundo, se tornará um filme completamente confuso. Seu raciocínio irá se perder e você não terá noção do que está acontecendo. Mesmo com completa atenção você já fica um pouco perdido, e sempre por imaginar e se perguntar o que o filme propõe: "Quem é Keyser Soze?". É essa a dúvida que paira durante seus 105 minutos. Uma pergunta só respondida no final. Vai ver por isso o filme é tão surpreendente, você nunca terá 100% de certeza, a não ser que alguém de conte. Podem ser todos, ou não. Existem maneiras de você suspeitar, mas a surpresa será a mesma. Um dos finais mais antológicos do cinema, o que torna o filme com uma conclusão tão perfeita, inteligente e maquiavélica.

Bryan Singer estreou muito bem, fazendo sua obra-prima, mas nunca decaiu, seguiu-se ainda o excelente "O Aprendiz", e os ótimos blockbuster que realmente o tornaria famoso e abriria todas as portas com os dois "X ? Men". Singer mostrou logo do inicio sua capacidade de transformar uma história tão complicada, que é cercada por flash-backs, e cenas que vão e voltam. Isso é um
problema, fazer com que torne um trama inteligente sem fazer uma coisa sem explicação. O filme tem sentido, é completamente coerente, e em hipótese alguma abusa de nossa paciência e sensatez. Creio que grande parte dos créditos vai para Singer, por sua bela condução e excelente visão e pretensão correspondida.

27 mortos. 91 milhões de dólares desaparecidos. O que será que aconteceu? Em Nova York, um navio que transportava 91 milhões de dólares e diversas pessoas, explode. Sem pistas, a polícia chega milagrosamente a "Verbal" Kint (Kevin Spacey), um criminoso aleijado. O delegado Kujon (Chazz Palminteri) pressiona Kint até falar. Segundo ele, tudo começou seis semanas antes com um roubo a um caminhão de armas. Cinco suspeitos foram presos, além de Kint, estavam Dean
Keaton (Gabriel Byrne) um ex-tira corrupto, McManus (Stephen Baldwin) um bandido de quadrilhas, Tood Hockney (Kevin Pollack) um especialista em bombas e armas pesadas, e Fenster (Benício Del Toro) o principal parceiro de McManus. A partir desse primeiro encontro, o mundo da justiça estaria condenado. E assim sucede-se, até a entrada do mito Keyser Soze, a grande intriga do filme, que culmina no brilhantismo do filme.

Esse é o típico filme que necessita atenção redobrada, em todas as cenas, mas recomendo além do desfecho, o primeiro encontro deles, na delegacia e seus depoimentos. O encontro com Kobayashi (Pete Postlewaite), e os sucessivos contos e lendas de Keyser Soze. Além da cena do barco, onde eles dão sua investida.

O filme também tem grande ajuda do excelente elenco, provavelmente estariam em suas melhores performances da vida, com poucas exceções. Gabriel Byrne está perfeito como ex-tira corrupto, imprevisível até o último minuto, ele passa várias emoções além de mostrar como interpretar num suspense policial. Realmente, sua melhor atuação. Kevin Spacey, ainda em começo de carreira e sem muito prestígio, deu um show, um perfeito aleijado, que vê no crime a saída para seus problemas. Mereceu o Oscar de Ator Coadjuvante, sendo sua melhor atuação ao
lado de "Seven", que estrelaria no mesmo ano, tendo as mesmas repercussões. Spacey é um excelente ator, e esse um excelente filme... se combinaram e deram um toque inesquecível ao filme. Stephen Baldwin é sem dúvida o irmão mais talentoso da estrela Alec Baldwin, apesar de só ter feitos poucos filmes de prestígio e bom gosto (como esse), Stephen é um ator competente que sabe fazer seu trabalho, apesar do individualismo nas cenas, ele é carismático e ao mesmo
tempo bombástico, um ator que faz personagens de duas faces, sendo sempre um mistério. Kevin Pollack é um ator razoável, não há nada de especial, sempre fazendo papéis coadjuvantes, talvez devido a não ser um grande ator, não passa de um bom diretor. Ele em nenhum momento brilha na tela e sempre está com uma atuação caricata. Todas cenas de todos os filmes sempre com a mesma cara. Benício Del Toro, ainda era um desconhecido nos EUA e no mundo, foi seu filme de introdução, com um visual matusquelo e com pouca importância. Seria descoberto mesmo com seu Oscar em "Traffic", tornando "público" o bom ator que era. Desde esse filme já tinha boas aspirações. Cahzz Palminteri e Pete Postlethwaite estão em suas melhores atuações, centrados e criativos, mostram seu lado "mau" no filme com estilo, são bons atores com escolhas de filmes ruins, ou seja, não sabem escolher um bom roteiro. Um mal que assombra também grandes atores de Hollywood como Kevin Costner e John Travolta. Palminteri vive isso no péssimo Diabolique.

Os Suspeitos tem um excelente roteiro. É simplesmente fantástico o modo que a obra envolve as pessoas e as deixam intrigadas até a fantástica conclusão. Um dos filmes mais inteligentes já produzidos é um filme confuso que prende todos a tela. É impossível não reconhecer uma obra como essa.

O filme é completado pela ótima trilha sonora, que contribui com o envolvimento das personagens com seus respectivos objetivos. Além da ótima fotografia, direção de arte e cenário e outras técnicas atribuídas ao filme. E apesar de não ser o ponto forte, é um fator que ajuda a compor o clima de tensão do filme, mas nunca sendo exagerado. Uma das grandes características do filme é não tentar impressionar nesse ponto.

Nota: 100/100

Postado originalmente em 04/05/04.

0 Comentário(s):

Postar um comentário

<< Voltar