30 janeiro 2006

Old Boy

Old Boy (Oldboy, 2003)



Ps.: O texto pode conter SPOILERS.

Estou enferrujado, não escrevo nada desde A Vingança dos Sith, portanto, peço perdão a vocês, leitores. Antigamente conseguia escrever pelo menos dois textos semanais, agora fico feliz quando sai dois mensais. Entrar na internet está difícil, como expliquei no penúltimo post, mas estou tentando cumprir com minha meta. Sem mais delongas, encerro isso e inicio a razão deste post: Old Boy, o excelente filme Chan-wook Park.

Old Boy é uma história sobre consequências. E não necessariamente proporcional a suas causas. Causas pequenas podem trazer grandes consequências e grandes causas podem trazer pequenas consequências. Nem sempre sabe-se se irá haver alguma consequência, e muitas desprovidos de um senso crítico, ou mesmo dotados de uma ingenuidade nobre, acaba por tornar uma simples ação em algo que mudará a vida de alguém e acabará trazendo, através dos fantasmas do passado, seu lado psicótico à tona. Somos todos seres racionais, capacitados de distinguir o ético e anti-ético (mesmo que seja uma questão muito subjetiva, ao menos, através de valores morais, sabemos a base do que é ético ou não), porém existe momentos em que a racionalidade dá espaço para emoção e perde-se o senso crítico. A psicose, a obessão, a compulsão podem ser aspectos de quem perde esse senso crítico, mesmo tendo a consciência presente. Creio que a vingança se enquadre nesta última frase. Não a condeno, nem a reverencio, isso apenas faz parte do ser humano. E Old Boy é um filme sobre vingança, e um excelente por sinal. Se o filme terminasse dez minutos antes, sem aquele final besta, com certeza seria uma obra-prima.

Pessoas são egoístas, isso que as tornam vingativas. Porque se não pensassemos em nós mesmos tais pensamentos jamais corromperiam nossas mentes. Não digo que somos todos vingativos, muitos conseguem levar esses sentimentos para uma dimensão alternativa de nossa mente, mas outros passam muito tempo explorando um meio de causar mal a este que lhe causou anteriormente. Eu sou uma pessoa vingativa. Mas até o momento não tive problemas em conter meus desejos instintivos. A partir do momento que isso se torna uma obsessão, transforma-se em algo doentio, pois assim são as coisas, pequenos acontecimentos são capazes de transformar uma vida inteira. E isso é um ciclo.


Oh Dae-Su em 1988 é sequestrado e aprisionado num quarto. Na Tv descobre que a esposa foi morta e a filha sumiu, e que se tornara o principal suspeito. Tenta suicídio, tenta escapar, mas tudo em vão. De 1988 até 2003 ele fica preso, quando é solto sem menor explicações. Durante o tempo passado sob custódia de um alguém ele prepara vingança. E quando sai, sua meta é descobrir quem o fez aquilo, porque e matá-lo.

O mais impressionante é a conclusão da história. O roteiro é brilhante, e afirmo que nunca, algo em filme algum teve o mesmo impacto que a derradora vingança. Meus olhos saltaram, minha respiração parou por aquele momento e me senti levado a um grau nunca percebido. Raramente algo me impacta, me deixa boquiaberto, e, nesse momento do filme senti que aquele seria o filme que tomaria o lugar de O Poderoso Chefão na minha lista de preferidos - este último ocupa essa posição desde 2002 (quando comecei realmente a me interessar por cinema e procurar assistir os clássicos). Uma pena que o filme ainda perdura por uns vinte e cinco minutos, e cena do feitiço causa o declínio na supremacia de até então. Crueldade não tem limites. Eu falaria muito mais sobre esse final, sobre as conclusões, porque o filme, para mim, é basicamente isso, mas prefiro não revelá-lo.

Estava doente desde a 28ª Mostra de Cinema do Brasil para assistir. E imaginem minha felicidade quando estreou, só não vi no dia por estar de cama. E nada me segurou no dia seguinte. Sem dúvida, um dos filmes do ano. Tem filmes que me despertam vontade de escrever, esse é um deles. Filmes que me abismam, fazem-no em mim. Por isso o baixou número de críticas negativas. Inclusive penso em modificar a sessão a descobrir, ou acrescentar uma nova, falando das minhas desilusões com filmes.

Voltando ao filme. Não posso deixar de dar créditos ao fabuloso elenco, principalemnte Choi Mink-sik e o cara da segunda foto (desculpem-me, mas não sei o nome dele, e nem diferenciar o nome da personagem dele de qualquer outro, incluindo a garota). Pessoas que conseguem transbordar ódio e cinismo nos olhos me chamam muito a atenção. Acho-os fenomenais.

Alguém que tenha visto o filme poderia me dizer se é nele que tem uma cena em que se andam bicicleta muito similarmente à cena de Cinema Paradiso. Adoro referências aos meus filmes preferidos.

Filmes de vingança são maravilhosos, e donos de uma profundidade incrível (o que falta aos meus textos, que chegam a insultar tais obras).

Nota: 91/100

Escutando: CD (A Is For Accident - Dresden Dolls); Música (The Way I Feel Inside - The Zombies)


A Descobrir

Coração Selvagem (Wild at Heart, 90) - Quem é fã de Tarantino irá se deliciar com esta obra de David Lynch. Extremamente absurdo, que a cada momento me fazia lembrar de Kill Bill. Lynch é o cara. Nicholas Cage ótimo. Laura Dern muito interessante. Willem Dafoe. Caras e bocas. Esteriótipos ao extremo. Situações desconexas. Fantástico. Ir ao noitão HSBC Belas Artes me rendeu ótimos momentos. [87]

Postado originalmente em 18/06/2005.

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