30 janeiro 2006

O Homem Elefante

O Homem Elefante (The Elephant Man, 1980)


O fantástico O Homem Elefante, foi o primeiro filme de destaque de David Lynch. Antes de filmes como Duna (1984), Veludo Azul (1986) e A Estrada Perdida (1997), Lynch concebeu essa obra prima com um orçamento de cinco milhões de dólares, conseguiu Anthony Hopkins, Anne Bancroft e John Hurt para estrelarem e no final de tudo ainda recebeu uma indicação ao Oscar (o filme no total obteve 8, porém não ganhou nenhuma). Tá bom? Ou quer mais? O filme é uma coisa ineplicável, uma pureza, inocência e carisma inimagináveis incorporados na personagem de John Hurt, John Merrick, é o grande aval do filme...é graças a ele que o filme se torna tão emocionante e empolgante. E mesmo o filme passando aquela mensagem de que a beleza interior que importa, o filme não cai na pieguice de tal, o que é difícil. Pricipalmente, depois de ver que os reais crápulas da sociedade não são as aberrações, e sim os oportunistas, exploradores e fanfarrões. E por que não dizer que o filme também é uma crítica à atitude das pessoas, da sociedade... uma crítica ao preconceito, que no filme é ilustrado pelo preconceito a John Merrick, e na sociedade por inúmeras coisas.

David Lynch, mesmo sendo considerado por muitos um diretor ruim, que não tem estilo nenhum, é um diretor da qual gosto. Filmes seus como "Duna" e "Cidade do Sonhos", são muito apreciados por mim, mas com certeza sua obra prima é este O Homem Elefante. O cara escreve bons roteiros, dirige bons filmes, por que justamente esse fugiria a regra?

Baseado na história verídica de Jopesph Merrick, contada por Frederick Treves, o filme fala sobre John Merrick, um homem que nasceu com muitas deformações físicas, e por isso é considerado uma aberração. Ele é forçado a ficar exposto, como um animal domesticado por seu "dono" Bytes, que o espanca. Treves, curioso, o descobre e leva-o ao hospital com intuito de curá-lo. E acaba se apegando a sua pessoa, e inserindo-o a uma sociedade de elite.

A melhor cena em minha opinião (junto com a seqüência final) é a na qual John é convidado à casa de Treves e sua esposa para "lanchar", e começa a chorar. Diz ele que a razão do fato é que jamais uma mulher tão bonita havia sido tão gentil com ele. Uma cena emocionante, tocante e de uma sensibilidade só.

John Hurt está fantástico no papel, não sei se é por mérito dele ou se é efeito da maquiagem, mas sua personagem é extremamente carismática (uma das mais que já vi no cinema), bondosa, humilde, refinada e feia (!), isso que o torna o que ele é. Um cara tão simplório, bom, uma pessoa tão fantástica julgada unicamente pela aparência. Hurt está excelente, pelo menos é o que parece. Já Anthony Hopkins é um excelente ator, não importa quando e onde, ele não tem que provar mais nada, todos sabem o ator que é e não é justamente nesse filme que será o contrário.

Mesmo com a péssima qualidade de imagem, disponível em VHS e no Telecine Emotion, percebe-se a qualidade técnica. Um figurino elegante, uma maquiagem imprescindível, cenário
bem utilizado, e uma trilha sonora muito bonita, porém o tema da cena final do filme me é um tanto familiar, acho que já a escutei em algum lugar (e continua maravilhosa).

Quem teve paciência de ler até o final deste texto deve se programar para assistir este filme
imediatamente...e quem já viu reveja...

Nota: 1oo/100

Postado originalmente em 21/05/04.

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