30 janeiro 2006

O cinema brasileiro de 2005

Muitos dizem que o cinema brasileiro está em sua melhor fase, com produções maravilhosas que rivalizam e muito com produções americanas. Dizem que o cinema brasileiro tomou um novo rumo. Eu não posso negar que há produções brasileiras novas maravilhosas, só para citar três: Cidade de Deus, Bicho de Sete Cabeças e Copacabana, mas até aí dizer que é um revolução, não dá. As produções brasileiras tem me interessadomuito e cada vez, mais e mais, quero ver filmes nacionais, mas são apenas bons filmes, produções interessantes que ainda exigem muito para se tornarem ao menos inesquecíveis. Dizem que rivaliza com produções estrangeiras, mas isso em nenhum momento serve como comparação. Filme ruim tem em tudo quanto é lugar. Hoje, por exemplo, assisti um filme espanhol ruim. Semana passada assisti um colombiano e um americano.

O cinema brasileiro é bom, está em uma boa fase. Eis dois filmes de 2005 que me agradaram:

O Casamento de Romeu e Julieta (Idem, 05)

Eu realmente gostei desse filme, não importa que todos tenham muito cirticado a nova produção de Bruno Barreto. Fazia tempo que eu não via algo tão criativo com uma história já tão manjada. Um filme extremamente despretensioso feito exclusivamente para rir. Não foi feito para alguma reflexão, e sim, para puro relaxamento. Mas pode-se fazer uma sobre o conteúdo, no aspecto social, sobre futebol e sua relação com a população: um meio de escape para pessoas que não tem mais nada a fazer da vida a não ser se tornar um fanático, a ponto de brigar por causa de uma derrota. E o divertido do filme é brincar com essa rivalidade entre dois times de futebol paulistanos. Além disso o filme ainda serve para fazer dois atores brilharem: Luiz Gustavo e Marco Ricca, pricipalmente Luiz. Sou fã dele desde o extinto Sai de Baixo. Esse cara é o cara, com certeza uma das melhores interpretações do ano. Fez-me engasgar algumas horas, e é difícil me fazer rir bastante. Marco Ricca também fantástico com uma das melhores tiradas do filme ("E aí, tudo em cima?" e "Eu sou corintiano, porra"). O cinema nacional pelo menos tem isso de muito bom. Romeu é um corintiano fanático e acaba se apaixonando por Julieta, palmeirense e filha de palmeirense roxo. Para conquistar o sogro, ele tem de se passar por palmeirense. E é com essa premissa que muitas situações hilárias se desenrolam. Como eu ri nesse filme, fazia tempo que não fazia isso. E doa a quem doer, O Casamento de Romeu e Julieta é um filmaço sim. Um filme não precisa ser pretensioso para ser bom.

Nota: 77/100

Quase Dois Irmãos (Idem, 05)

Este, um filme já sério que aborda a ditadura militar, me cativou menos. Acho que foi porque minhas expectativas eram maiores, mas Quase Dois irmãos poderia ser muito melhor. Para começar pelo escolha de atores que interpretam ambos mais velhos, Jorginho aparenta ser muito mais velho que Miguel, mesmo ambos tendo a mesma idade. E eu não gosto realmente do Caco Ciocler. Mas, mesmo assim, o filme me agradou. Ora interessante, ora cansativo, o filme mostra a vida de Jorginho e Miguel em três momentos: na infância quando se conheceram; na velhice quando Miguel é deputado e Jorginho comandante do Comando vermelho; e na juventude, quando estavam na prisão de Ilha Grande na década de 1970. E é na prisão que o rumo de ambas as vidas são tomadas. Miguel sempre querendo igualdade entre todos, e Jorginho antes no lado dos "subversivos" e depois se tornou o chefe do crime lá dentro. Eu gosto muito do período da ditadura historicamente falando, e pelo menos a isso o filme serve como ponto de partida para se aprender como eram tortuosos aqueles tempos. Lucia Murat mostra que é uma diretora de qualidade e perseverança, após anos de realização. Quase Dois Irmãos significa a impossibilidade de existir irmandade - o fracasso da utopia esquerdista em querer igualdade e integração social. Um filme que poderia ter tudo para ser muito melhor, mas que é superficial ou muito preso a apenas um ponto de vista. Ainda bem que temos o lado poético para ascender no filme o seu melhor momento: Flavio Baudaqui recitando Fernando Pessoa - "Temos todos duas vidas, uma que sonhamos, uma que vivemos".

Nota: 70/100

Filmes brasileiros de 2005 que anseio ver, e bastante - por enquanto: Cabra Cega, Jogo Subterrâneo, Feminices e O Cárcere e a Rua.

Escutando: CD (Perfil - Chico Buarque); Música (Time in a Bottle - Jim Croce)

Postado originalmente em 24/04/2005.

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