30 janeiro 2006

O Castelo Animado

O Castelo Animado (Hauru no Ugoku Shiro, 04)


Começo este review sem saber que nota atribuir ao filme. É maravilhoso? É. Mas ainda não sei se dou 4 ou 5 estrelas. Algo ainda me corrói, mas sei que com certeza figura entre os melhores do ano. Esperava por esse filme já fazia um bom tempo, tal anseio aumentou ao ver o poster e o trailer. Anteontem vi a pré-estreia. A estreia é só no dia 5 de agosto. Isso é uma pena, para os outros que querem conferir e não tem o privilégio de morar numa cidade grande onde haja pré-estreias em cópias legendada no meio da tarde. Sei que sou uma anulidade para discorrer sobre animações, mas tentemos...

Para começar, para uma animação realmente ser do meu agrado tem que ter um visual bonito, mesmo sendo algo bizarro ou incomum. Não gosto de desenhos mal feitos, como muitos do Cartoon Network e esses canais de desenho da televisão paga. Tanto que para o Anima Mundi, que pretendo ir, selecionei os curtas pelo visual e não pela história em si. Enfim, animações têm de ser agradáveis aos meus olhos para relamente me agradar. E este é um trunfo dos filmes de Hayao Miyazaki. Sempre mantém seu mesmo estilo (notem a semelhança do nariz de Sofia velha com o de Yubaba em A Viagem de Chihiro), e é esse visual peculiar, fugindo bastante dos padrões de animes usuais - exceptuando os olhos grandes -, que torna o filme tão interessante. As paisagens animadas, os cenários, e o movimento das personagens colaboram para eficácia dos argumentos fantasiosos de Miyazaki. São belos de admirar, imagens tentadoras que confrontam a luz e as sombras, misturando o conflituoso com o pacífico e delineando a subjetividade entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, colocando em foco as facetas presentes na vida real, em um simples conto de fadas acrescido de muito mais significado que as bobagens infantis que vêm nos apresentando (ou nos apresentaram num passado muito distante).

Não posso evitar uma comparação com a melhor animação já feita, em minha opinião de pseudo-cinéfilo-intelectual, A Bela e a Fera. O amor transparecendo a aparência, o amor na essência, a paixão que cala os traços físicos nos remetendo a alma (se é que existe) e ao interior. E o amor não é isso mesmo? Aquele sentimento ingrato que nos alegra e nos faz sofrer? Obviamente que na prática é quase impossível haver paixão quando não há atração física, mas muitas vezes a paixão faz com que nos sintamos fisicamente atraídos. O Castelo Animado ganha muito por ser sincero. Por transformar o que seria um filme realista em seres animados. Por utilizar a animação não como um mero instrumento de diversão e com o intuito de arrecadar milhões com piadas idiotas, e sim, como uma maneira de se mostrar eficaz ao tratar questões humanas num mundo fantástico. Levantar hipóteses de como poderia ser a vida com magia e encantamentos, de nos levar para o extraordinário. Acho que animações levam muito mais vantagem que filmes nesse quesito. Transpor o mundo fantasioso para as telas. O simples, às vezes, é o mais bonito em algo tão complexo, e tal simplicidade transforma o complexo em bonito, em agradável. A auto confiança, outro traço marcante no clássico da Disney, sempre presente em baixa naqueles que se consideram feios, também está presente. Não sei se me fiz claro com tudo isso. E as semelhanças que quero traçar é em relação a fanstasia mascarando o amor independendo das dificuldades.


Miyazaki tem um grande dom. Ele sabe nos transportar para um mundo encantado em que medos e pensamentos são transformados em características físicas, sendo tudo uma grande metáfora que funciona. Funiona pois aquele mundo criado é muito mais fascinante e bonito que o nosso. É o mundo do fantástico que não impõe limites e traça caminhos, e que deixa seguir seu curso com tal animosidade, que a didática incorporada é imperceptível. Eu gostaria de viver num mundo desses.

O filme narra a história de Sofia, uma jovem de 18 anos, que acaba entrando em contato com Howl. Uma bruxa invejosa então coloca um feitiço nela, fazendo-a aparentar 90 anos. Com isso, vê-se amedorntada pelas possíveis reações de seu círculo social e foge, buscando um novo estilo de vida. Até se deparar com o Castelo Animado de Howl.

Joe Hisaishi é um brilhante compositor. Mais uma vez produz uma trilha sonora fantástica que acompanha perfeitamente cada movimento da trama, assim como em A Viagem de Chihiro. É primoroso ver tal sincronia entre trilha e andamento do filme.

É difícil escrever sobre animações. Eu sei que não disse nada e que tem muito a ser dito. Não sei mais o que dizer, é um exemplo de filme que só a experiência de assistí-lo, pode agraciar tais memórias que em mim permaneceram. E é por essas que o filme ganhará 5 estrelas. Quem sabe assistindo novamente posso redigir algo mais interessante e de melhor maneira.

Nota: 90/100

Escutando: CD (Who's Next - The Who); Música (Little Green - Joni Mitchell)


A Descobrir

Um Tiro no Escuro (A Shot in the Dark, 64) - O único filme que eu vi com o Inspetor Clouseau até o momento me rendeu diversas gargalhadas. Fazia tempo que eu não via uma comédia tão engraçada e inovadora. Peter Sellers é um gênio. Anseio agora por ver o resto da coleção. [90]

Postado originalmente em 17/07/2005.

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