30 janeiro 2006

O Carteiro e o Poeta

O Carteiro e o Poeta (Il Postino, 1994)

Eis mais uma surpresa italiana: o fantástico O Carteiro e o Poeta. Admito que não sou um grande fã por filmes europeus, mas quando se trata especificadamente dos italianos, aí a história é outra. Também não posso dizer que sou entendido em filmes de tal nacionalidade, pois confesso que nunca vi um grande número de obras de Fellini, Rosselini ou De Sica, mas do cinema italiano moderno, que engloba "Cinema Paradiso" (já comentado), "A Vida é Bela", o não italiano mas dirigido por um "A Lenda do Pianista Mar" de Giuseppe Tornatore, são filmes espetaculares, divinos... e esse O Carteiro e o Poeta não foge a exceção. Brilhante! O roteiro, atuações, trilha sonora, direção, cenografia...

Mesmo possuindo um diretor americano, Michael Radford, o que deixa de ser algo completamente de autenticidade italiana (assim como Noiret, porém este já fez o maravilhoso Cinema Paradiso e se saiu muito bem), o filme é perfeitamente elaborado, com cenas que vão ficar para história. E sim é um trabalho muito bom do diretor, que não está lá apenas para fazer número. Não posso dizer que aplica seu estilo de filmagem, pois este é o único filme vi dele, mas posso dizer que esse filme tem um estilo próprio.

Vamos a história: Pablo Neruda, famoso poeta chileno, é exilado do país de origem por ser um ativista comunista, tendo de se refugiar em uma pequena cidade (leia-se vila) italiana, onde todos são analfabetos. Quando chega a esta localidade, chegam também correspondências, e é nisso que Mario Ruoppolo, infeliz pescador, entra. Ele se torna o carteiro particular de Neruda, e nisso nasce uma amizade.

O filme conta com um roteiro excelente, que só mesmo vendo para entender, pois é algo muito difícil de dizer. Mas há cenas, além da final (uma das mais emocionantes da história do cinema), que nos faz encher de orgulho por estar assistino uma obra como essa. Cenas como em que Mario quer aprender a ser poeta, que ele vê Beatrice, que Pablo vai embora, entre outras. E diálogos fantásticos. Que chegam a arrepiar, que fora do contexto do filme se tornam banais e piegas.

Massimo Troisi (Mario Ruoppolo) está numa excelente performance, tendo tido uma merecida indicação ao Oscar. Uma pena ele ter morrido um dia após a conclusão do filme, o filme que ele lutou a vida inteira para fazer e não pode ver seu resultado. Mas obrigado Massimo por esta excelente obra. Philippe Noiret é um ator muito bom e carismático, seu Pablo Neruda carrega algo traços de Alfredo, mas continua original. Os outros em cena estão bons, mas nenhum que mereça destaque.

A trilha sonora de Luis E. Balacov é linda, trazendo consigo influências de Ennio Morricone, a música é carregada de emoção, trazendo um compositor inspirado. Cenografia, fotografia e tudo é demais. É uma experiência única apreciar um filme tão bom. Assistam!!

Nota: 100/100

Postado originalmente em 27/06/04.

0 Comentário(s):

Postar um comentário

<< Voltar