30 janeiro 2006

Menina de Ouro

Menina de Ouro (Million Dollar Baby, 04)



Falei anteriormente que Sideways - Entre Umas e Outras era meu candidato ao Oscar de Melhor Filme, o porém era que não tinha conferido o mais novo e excepcional filme de Clint Eastwood, Menina de Ouro. Por mais que aparenta ser mais um filme sobre um(a) jovem tentando vencer na vida e o mestre que acaba aprendendo com o discípulo, ele não é. Na verdade é isso e muito mais. Não deixa de ser uma bela história de aceitação social, preconceitos vividos e toda aquela baboseira já muito abordada, mas Menina de Ouro tem uma vantagem sobre todos esses concorrentes, e o nome dele é Clint Eastwood, o homem da hora. Sim porque se não fosse esse sujeito esse filme seria apenas mais um filme filme sobre superação de problema repleto de clichês, com um final bem piegas, e um clima feliz, mas graças a ele é um filme sobre superação de problemas, com clichês pouco aparentes, um clima propenso a tristeza com um teor de melancolia absurdo, um filme reflexivo cheio de amálgamas e correlações com o mundo externo.

Sou uma pessoa bem reprimida quanto a emoções, não demonstro-as em público, raramente alguém me verá chorando, mesmo em filmes. E esse foi um dos poucos filmes que conseguiram arrancar-me um lágrima no cinema, no meio de tanta gente. E mesmo com os incovenientes da sessão (um cabeção na frente, e uma velha fedendo a naftalina ao meu lado) não foi problema algum depois que o filme realmente começou. Ao meio do filme me senti sozinho na sala de tão maravilhoso o meio que a celulóide te prende a poltrona. Ao fim da sessão, depois de acabar o filme fiquei pasmo com tal surpreendente resultado, sentado, olhando, todos indo embora e só eu lá, parado encarando àquela grande tela, pensando. SPOILERS SPOILERS SPOILERS Imaginando porque ocorre certos fatos que nos deixam tão mal, a ponto de esquecermos quem somos e não querermos ser mais quem somos, querer esquecer tudo o que é e o que foi. Querer ser diferente. Porque tudo que é bom dura pouco? E mesmo que, por mais subjetiva que essa afirmação possa ser, já que tudo que é bom devia durar eternamente e menos tempo que isso é pouco, não deixa de ser verdade. Porque as coisas boas não são eternas? Independente das lembranças, mas os fatos. Não se pode viver apenas das memórias, acho que é isso que torna a morte tão difícil, mesmo sendo algo natural. Eu particularmente sou bem frio com isso no "mundo real", mas não deixo de me sensibilizar às vezes. FIM DOS SPOILERS FIM DOS SPOILERS.

Eu já falei como Clint Eastwood é o cara? Mesmo esse não sendo seu melhor filme, cargo de Os Imperdoáveis, pode-se dizer que esse é o mais humano. Ano retrasado deu-nos o ótimo Sobre Meninos e Lobos, antes As Pontes de Madison. Foi o principal ator de 3 filmes do genial Sergio Leone. Virou um marco do cinema moderno e do faroeste. Se tornou um dos melhores e mais sensíveis cineastas da atualidade. Brilhante ator quando quer. E ainda faz uma das melhores trilhas sonoras que já ouvi. É por essas e outras que quero ser como ele no futuro.


A história é simples e pode até parecer banal. Um antigo boxeador é agora dono de uma academia e tem como sonho o título. Uma garota sonha também com isso, e pede para ser treinada por ele. Ele recusa-a por ela ser uma garota, mas com a interferência do companheiro Scrap, ele a treina. Tudo é narrado aos olhos de Scrap de uma maneira bem sublime, o que ajuda a compor todo aquele clima de vitórias e decepções.

Todo elenco está fantástico e todas as indicações são justíssimas. Clint Eastwood é o cara, e eu já mencionei isso. Concordo quando dizem que essa é a melhor atuação de sua carreira, as últimas cenas provam isso. Hillary Swank também fantástica no filme, mas inferior ao filme que lhe rendeu o Oscar, e mesmo com todo buzz nela acho difícil levar a estatueta. Morgan Freeman sempre foi um dos meus coadjuvantes preferidos e neste filme também está fantástisco. Agora fiquei mais em dúvida: Clive Owen, Tomas Haden Church ou Morgan Freeman? Não sei mais que adjetivos usar, pois não existe um que apenas sintetize suas atuações.

SPOILERS SPOILERS SPOILERS Um dos fatos que mais me chamou a atenão no filme foi a suposta paternidade de Clint com Hillary no filme. Ele se sentia carente e solitário pelas desavenças com a filha, ignorado e culpado. Ela por mais que se esforçasse só servia de hospedeiro para os parentes sanguessugas dela, pois nada além de si próprios importava. Ela de certo modo também era carente. Toda aquela relação que acabou se formando foi a questão chave para um indagação minha: Por que somos tão dependentes de carinho, afeto e das pessoas? Porque não somos auto-suficientes? Já que é isso que torna tão difícil as coisas para nós. Impossível se viver largado por todos, pois sempre procuramos proteção, segurança e a bondade das pessoas para com nós. Será que tem como ser feliz sozinho? Nós sempre estamos em busca de alguém que nos torne feliz em diferentes aspectos, e por isso sofremos tantas decepções e tristezas. Coisas curiosas aparentemente inexplicáveis.

Ainda gostaria de comentar a culpa que Clint carrega o filme inteiro pela cegueira de Scrap e sua consequência final. O fato de ter desaparecido, o que sugere uma possível morte, mostra o quanto Clint não suportou a culpa pela morte de Hillary. A igreja foi um jeito de redenção que ele encontrou, com a cegueira - já que sua filha o abandonara - e a possível morte seria sua redenção por Hillary. Eu poderia continuar fazendo mais reflexões, mas como esse é um blog para eu comentar o filme não vou prolongar-me com indagações sobre a vida, e vou parar com essas coisas filosóficas de má qualidade.
FIM DOS SPOILERS FIM DOS SPOILERS

Vejam o filme, reflitam, torçam por ele no Oscar - ou não, vocês que sabem. Já mencionei que quero ser como Clint, estou até pensando em mudar de nome.

Indicações: Filme, Direção, Ator, Atriz, Ator Coadjuvante, Roteiro Adaptado e montagem.

Nota: 96/100

Escutando: CD (No Angel - Dido); Música (Bizarre love Triangle - New Order)


A Descobrir

Minha Vida Sem Mim (My Life Without Me, 03) - Um belo filme sobre a vida. Conta a istória de uma mulher que descobre ter um tumor e resolve não dizer a ninguém, em seus dias terminais faz uma lista de metas a cumprir e tenta realizá-las. Sempre acompanhado de reflexões da personagem central vivida por uma interessante Sarah Polley. Quem se interessa por profundamentos sobre a mente de cada um em diferentes situações (neste caso a morte) vai gostar do filme. [84]

Postado originalmente em 19/02/2005.

2 Comentário(s):

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