30 janeiro 2006

I Thought Fairies Did Nice Things

Em resposta a meu pedido, Mel escreveu algo para atualizar meu blog, pode-se considerar, por que não?, uma coluna.

O texto pode conter SPOILERS sobre o filme em questão: Labirinto - A Magia do Tempo (Labyrinth, 86).

I Thought Fairies Did Nice Things

Labirinto! Labirinto!! Esse é um dos nada-a-ver movies que estão na minha lista de preferidos ever. Pela trilha sonora, pelo Bowie, pelo clima, pela Jennifer, tudo. O Bowie com aquelas calças justas é uma coisa... Aliás, o Bowie é uma coisa com qualquer coisa. [existe alguém no mundo que não ache esse moço um charme?]

O curioso desse filme em particular é que ele está aberto a TANTAS interpretações diferentes e paradoxais que é impossível não amar tentar encontrar significados ocultos no roteiro. Labirinto é fofo e é amargo. Embora eu ache que pouca gente enxergue metáforas nele. Eu nem sei se as que eu enxergo de fato o são, mas elas me fazem gostar do filme.

Eu nunca considerei, por exemplo, o personagem do Bowie um vilão. Jareth é encantador e portador de características extremamente atraentes. É obviamente uma alma sozinha e amargurada, mas com tanta beleza ao seu redor, tanta dor e tanta tristeza... Eu, no lugar da Jennifer, aceitava o pedido dele e me entregaria ao submundo de Jareth.

"I have been generous till now and I can be cruel. Everything that you wanted I have done. You asked that child be taken. I took him. You cowered before me and I was frightening. I have reordered time. I have turned the world upside down. AND I HAVE DONE IT ALL FOR YOU! I am exhausted from living up to your expectations. Isn't that generous? I ask for so little. Just fear me, love me, do as I say and I will be your slave. " Há como não se render a tal pedido? Há como se manter impassível perante uma súplica tão doce e deseperada? Há como não relacionar tanta solidão vinda de um rei à verdade esmagadora e cruel de que, aqui, no mundo real, todos são egoístas e condicionais, todos têm noções distorcidas de justiça e lealdade, TODOS querem algo em troca do amor ou da confiança? É por isso que eu choro quanto escuto à trilha sonora desse filme - down, in the underground, you WILL find someone true. E a Sarah prefere continuar no lado do mundo em que não há mais sonhos, não há mais verdade, não há mais nada. A diferença entre ela e o resto do mundo é que ela experimentou o outro lado, ela sentiu na própria carne a devoção de Jareth, a loucura que a procura por uma sensação que pareça verdadeira pode trazer.

E tem aquela cena em que Sarah está em seu quarto falso, no meio do lixão do labirinto, completamente alheia ao seu intuito e seus princípios, e ela se olha no espelho e tenta encontrar nos arquivos mentais de sua jornada - pelo labirinto e fora dele - até o momento algum resquício de quem ela é. Quantas vezes eu já não fiquei assim, olhando pro espelho do quarto e divagando sobre coisas que eu sabia que nunca aconteceriam? Duvidando da vida que eu não sabia se era minha e que, mesmo assim, me levava, senhora do tempo e das escolhas, para algum lugar que eu nunca reconheceria...?

Não há nenhum outro filme do qual eu lembre ter gostado tanto. Existe Quase Famosos, é claro, um concorrente pesadíssimo na história da minha vida, que também me traz sensações de amargo-doce - mas por outros motivos, talvez. Labirinto é uma fábula linda, sabe, e tudo o que vem nesse formato misterioso me atrai um pouco mais do que o resto das coisas.

E todo o filme é entrelaçado pela trilha sonora significativa e perfeitinha. Todas as músicas do Bowie nesse filme são lindas e fofas e meigas. Cada uma no momento certo. Sempre.

Por mais cafoninha que você possa achar:

As The World Falls Down

There's such a sad love
Deep in your eyes
A kind of pale jewel
Opened and closed
Within your eyes
I'll place the sky
Within your eyes

There's such a fooled heart
Beating so fast
In search of new dreams
A love that will last
Within your heart
I'll place the moon
Within your heart

As the pain sweeps through
Makes no sense for you
Every thrill he's caused
Wasn't too much fun at all
But I'll be there for you
As the world falls down

Falling
Falling down
Falling in love

I'll paint you mornings of gold
I'll spin you Valentine evenings
Though we're strangers till now
We're choosing the path
Between the stars
I'll live my love
Between the stars

As the pain sweeps through
Makes no sense for you
Every thrill he's caused
Wasn't too much fun at all
But I'll be there for you
As the world falls down

Sim, esse filme É essa música, embora na época eu cantasse mais "Underground" do que ela. Hoje em dia é essa.

[abstraiam]Eu estava comentando com alguém um dia desses que, fora todo o resto, esse filme me fez questionar minhas preferências sexuais e tal. Numa época eu achei que estava virando lesbo porque me apaixonei pela Jen... Hahaha, abafem o caso. Se eu tivesse internet nessa época e visse outras girls berrando que amam Madonna, Courtney Love, Bettie Page e etcétera, não teria tido uma crise existencial. [ /abstraiam]

Escrito por Mel von Erlea.

Postado originalmente em 17/08/2005.


0 Comentário(s):

Postar um comentário

<< Voltar