30 janeiro 2006

Herói

Herói (Ying Xiong, 02)


Herói não é um filme comum, e isso me agradou bastante. Sempre tive em crença que cinema também é forma, e não apenas conteúdo. Conteúdo, sem dúvida, é o que conta mais para mim, mas um filme cujas imagens remetem a uma poesia visual estará sempre em alto no meu conceito. Um exemplo disso é, além desse, Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera, outro filme asiático - e curioso é ver que os filmes que mais me comovem visualmente são os aisáticos - que comentei há um tempo, dizendo o quão maravilhado havia ficado com a bela fotografia e direção de arte. E com Herói não é diferente, as paisagens, os cenários são tudo parte de um grande universo de belezas esplendorosas, sem falhas e pormenores. E a vantagem da película não é só a beleza cenográfica, mas também coreográfica, e a história interessante (só posso me queixar de alguns diálogos meio toscos).

Zhang Yimou é um cara que merece todo meu apresso. Não é qualquer um que consegue tamanha qualidade num filme, as cenas filmadas são lindas, algo que dá um enorme prazer de assisitr. Para mim, diálogos ou qualquer tipo de comunicação verbal poderia ser eliminada, e o filme já encantaria. Herói é um filme de arte, essencialmente visual, magistralmente fotografado. E a maneira que Yimou preteriu falas a gestos, mudanças de cenários e a lutas é fenomenal. Só de lembrar da luta entre Neve Que Voa e Lua, e da mudança de cor das folhagens, já me arrepio. E pensar que ele ainda seria a causa de um dos mais belos finais que presencio em O Clã das Adagas Voadoras - só o final já o dobro que você paga pelo ingresso. Eu realmente adoro filmes líricos, poesia cinematográfica.

Na China antiga, ainda dividida em sete reinos, o monarca de Qin sonha com uma China unificada, e resolve fazer isso a força. Três grandes assassinos o ameaçam constantemente. Um dia um herói sem nome aparece com as armas dos três assassinos afirmando tê-los matado.

Quem diria que eu gostaria da performance de Jet Li. Pois é, me surpreendi, vai ver porque ele não está fazendo aqueles péssimos filmes de ação americanos, onde ele só pula e tenta ser um discíplo de Jackie Chan (eu realmente odeio esse cara - ainda bem que ele recusou o papel do monarca de Qin nesse filme). Zhang Ziyi é tão maravilhosa, eu adoro quando atrizes conciliam a qualidade física com a de interpretrar. Tony Leung e Maggie Cheung completam a qualidade do elenco, tornando simplórias lutas (que poderia ser banais como as dos filmes americanos de Jet Li) em arte, um balé no ar. Lutas completamente coreagrafas para o deleite do espectador que fica atento a cada movimento de exuberância, tornando algumas cenas imorredouras.


Fico pasmo desse filme não ter levado o Oscar de Filme Estrangeiro, e ter sido completamente ignorado nas categorias de Fotografia e Direção de arte & Cenários. A trilha sonora também é maravilhosa. Voltando a fotografia - não me canso de ser redundante quanto a isso - é realmente esplendorosa. É algo que eu, pessoa pobre de vocabulário e pouco criativo, não consigo exprimir. Podem contar com uma indicação minha para esse filme em pelo menos três categorias - isso se meu blog persistir. Creio que as imagens acima digam mais que qualquer possível comentário meu. Num mundo horrível em que vivemos, vale sempre ver algo de belo.

Ah, eu adoro esse nomes bizarros do oriente antigo como Neve Que Voa e Espada Quebrada, até Céu.

Nota: 85/100

Escutando: CD (Hot Fuss - The Killers); Música (Luv - Travis)


A Descobrir

O Fantasma da Liberdade (Le Fantôme de la Liberté, 74) - Finalmente pude ver do que Buñuel é capaz, porque eu sinceramente não tenho como descrevê-lo. Uma crítica ferrenha ao maquinalismo, com muita ironia e humor. Com cenas super absurdas e propostas inovadoras, é um belo exemplo do Surrealismo no cinema. Agora me animei para ver mais de sua obra. diria a história, mas a falta de lógica não me permite fazer uma sinopse. Ainda vou mais longe, O Fantasma da Liberdade fez tudo o que Godard tentou fazer em Demônio das Onze Horas. [100]

Postado originalmente em 09/04/2005.

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