30 janeiro 2006

Guerra dos Mundos

Guerra dos Mundos (The War of the Worlds, 05)


Pode conter spoilers

Esse filme teve dois fatores negativos. Primeiro, foi o último filme que fui no cinema com a Mel até ela voltar de viagem daqui um mês (e isso muito tempo para se ficar longe dela) e, segundo, é o pior filme do Spielberg, meu diretor preferido. Ambos são terrivelmente tristes. O primeiro encerra-se por aqui, pois creio que ninguém entre aqui para ver lamúrias amorosas. Então me resta discursar a razão de tamanha decepção com um filme que esperava ser um dos melhores do ano. Eu, como grande fã do Spielberg, esperava um filmaço, ainda mais quando falaram que ele voltava aos tempos de Encurralado e Tubarão. Farsa. Spielberg exacerba no pieguismo e a tentativa de comoção sai extremamente forçada. E tirando o fato que não acaba com o exército americano salvando o mundo, várias cenas poderiam ter sido filmadas por Roland Emmerich. Muito triste isso.

Tem algo nas adaptações cinematográficas dos livros de H.G. Wells que me chamam atenção e me deixam em dúvida: era o livro que acabava do nada ou só são as adaptações? Em Guerra dos Mundos acontece isso, e em A Máquina do Tempo também. Não entendo, alguém que tenha lido o livro e frequente esse blog, por favor responda-me. Como Spielberg pôde fazer isso comigo? Eu, que coloco diversos filmes dele na minha lista de preferidos e que raramente desgosto de alguma obra dele. Espero que o projeto do final do ano seja muito superior. Não culpo apenas Spielberg pelo fiasco, mas pricipalmente ele.

Por que? Porque foi ele que escolheu o elenco, em péssima forma. Tirando Tim Robbins não há ninguém que se salve. Defendi Tom Cruise o ano passado, elegendo-o como Melhor Ator do Ano por sua performance em Colateral. E agora é dono de uma das piores do ano. Mais canastrão impossível. Dakota Fanning pode até ser uma boa atriz, mas ela é insuportavelmnte chata. Sua personagem é sempre a mais irritante, a mais metida a sabichona. Vocês não tem idéia de como eu torci para ela ser pulverizada por um daqueles raios. Cada vez mais ela me irrita, não aguento mais filmes com ela.


Pelo menos o filme tem uma coisa sensacional. Mostra a ignorância dos EUA em relação ao mundo: "Eles não são daqui, são de outro lugar." "Eles são da Europa?", genial, não? Mas também só isso, pois a história é praticamente nula, e reina-se as cenas da destruição e o sentimentalismo. Ok, Ok, não me venham falar que é uma síntese do espírito norte-americano pós 11 de Setembro, assim como todos tiveram seus lançamentos em perídos críticos. Não é isso que vai tornar o filme melhor - e só para constar, a versão da década de 50 é bem superior a essa -, só porque temem o terrorismo, e que estão atordoados. Se ainda aprofudassem tal temática, mas tais palavras de medo são apenas jogadas. E por que tinham que acabar da pior maneira possível o filme. Ele era razoável e se tornou pior. Aliás, acho que duas estrelas são de piedade, porque não consigo dar menos que isso para Spielberg.

Nunca reclamei de filmes que são praticamente efeitos visuais, pois muitos deles são ao menos divertidos. Mas esse relamente me irritou. Independente de serem bem feitos - assim como em todos os filmes do Spielberg, as categorias técnicas dão um show -, eles tomam todo espaço da história, não há desenvolvimento. São três pessoas buscando a todo custo a sobrevivência dos ataques alieníginas que sem razão resolvem atacar o planeta. Olha aí a grande vazão para se explorar ao máximo os efeito visuais.

Nunca vi alguém com tanta sorte como o Tom Cruise no filme. Os raios sempre vão exatamente ao lado dele, e nunca nele. Falhas, falhas, tsc, tsc, tsc... E ainda fui obrigado a ver na Folha um ranking de maldade dos vilões das histórias do Spielberg, e esses alieníginas recebem 10, o único com nota máxima, e criaturas muito mais apavorantes recebendo menos. O tubarão de Tubarão recebendo 8. Vai entender. E por favor, expliquem-me a razão de todo auê nesse filme. Por que falam que é maravilhoso? Spielberg já fez tanta coisa melhor, na verdade, tudo o que fez é melhor. Mas, sério, por que falam tão bem do filme?

Ao menos posso dizer que as cenas de ação são divertidas. Ri bastante. E não acho isso bom, porque o filme deveria possuir uma certa tensão e não cair para a sátira e para o cômico. Não há sustos, não há tensão, há cenas para nos fazer rir com a desgraça alheia. E o filme se leva a sério, aí reside o problema.

A história é básica e velha conhecida: alienígenas (que são muito burros) planejam por milhares de ano um ataque a Terra visando seu fim. Um dia eles resolvem fazê-lo.

Tá. Muito bonitinha a mensagem final, aquela historinha das amebas e tal. Mas cai em entre nós, é simplesmente muito fácil. Isso me deixou bem desgostoso. Além do sentimentalismo sempre presente nos filmes do cara, mas geralmente eles nivelam o razoável. Esse foi demais. Exagero ao extremo nunca é bom. Falhou nessa conclusão. Clima de deu tudo certo, e somos perfeitos, e resolvemos sempre nossas falhas, e mesmo que o mundo esteja um caos, sempre haverá solução. E isso não funciona em Guerra dos Mundos. Gostaria de voltar a aprofundar meus textos. Mas nesse filme nada posso aprofundar além da minha decepção com o mestre. E acho que já falei demais.

Nota: 41/100

Escutando: CD (Forever Changes - Love); Música (The Chalet Lines - Belle and Sebastian)


A Descobrir

Esta Mulher é Proibida (This Property is Condamned, 66) - Adorei esta adaptação do grande Tenesse Williams comandada por Sidney Pollack. Uma garota que conta a história da irmã e de seu passado de glória e que sonha a todo custo se mudar, até encontrar o homem de sua vida. Com o nível exato de drasticidade, o filme conclui-se muito bem. Natalie Wood é maravilhosa. Wish me a rainbow, wish me a star... [81]

Postado originalmente em 02/07/2005.

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