30 janeiro 2006

Filmes da mostra de 2004

Ocorreu em São Paulo a 28ª Mostra BR de Cinema, entre 22/10 e 4/11, contando com mais de trezentos filmes do mundo inteiro. Infelizmente só consegui assistir 3 filmes, mesmo tentando ver vários outros filmes que só consegui escutar na bilheteria: “Está esgotado”. O que me serviu
de completo desânimo. Mas devo dizer que foi uma experiência interessante, a primeira vez que saio pela Av. Paulista e travessas a traz de sessões.

Eis os filmes que vi:

Detroit (Detroit, 2003)

O filme que abriu a mostra para mim no dia da abertura foi esse alemão. Não se pode negar que a premissa da película é muito boa, mas acaba por se perder completamente. Muito chupado de Donnie Darko na bizarrice e no “viajol”. Um sujeito volta a cidade natal para o enterro do irmão, e o filme narra sua estranha viagem. Na verdade, o que me incomodou mais no filme foi ele não ter lógica alguma, em nenhum momento se explica e se torna mais confusos. Confesso que estava adorando o filme, mas ficou idiota, mesmo resguardando algumas coisas (como o discurso que ele faz baseado na carta). O que consegui tirar de proveitoso foi exclusivamente o fato de assistir um filme que nunca ninguém mais vai ouvir falar. Não entendo como o Gabriel, meu amigo que me acompanhou, gostou.

Nota: 50/100

De-Lovely – Vida e Amores de Cole Porter (De-Lovely, 2004)

Surpreendi-me com esse filme. Não esperava boa coisa dele, e só fui ver por falta de opção. E não é que gostei. Gosto bastante de Cole Porter, mas nunca boto fé em filmes biográficos. São poucos os que realmente gosto, felizmente esse foi um deles. Eu nem preciso dizer a sinopse, pois o título em português já diz tudo. Quero acrescentar que fiquei encantado com a trilha sonora, nem as participações de Robbie Williams, Alanis Morrissete (que tem o melhor momento) e Diana Krall conseguiram estragar. Tá certo que tem Elvis Costello, mas nem por menos. Interessante foi o fato de intercalar romance, drama e musical na mesma obra, e numa obra sobre um artista tão digno. Ressalto a brilhante atuação da inossa Ashley Judd. Cinema bastante agradável de se ver,
mesmo tendo umas cenas meio maçantes.

Nota: 72/100

A Música Mais Triste do Mundo (The Saddest Song in the World, 2003)

O melhor filme que vi na mostra foi esse A Música Mais Triste do Mundo, do homenageado Guy Maddin, um diretor canadense que visa o cinema underground. Interessei-me inicialmente pelo título, achei fantástico. Depois pela premissa, e fui ver, e acabei pelo surpreendendo com o filme. É um filme muito interessante para se ver as diversas influências, assim como Kill Bill. Percebe-se bastante do visual do Expressionismo Alemão, do cinema Buñuel (que ele mesmo assumiu ser sua principal influência), e da psicanálise, sem contar dos filmes B da década de 50. Esse, afirmo, que é muito bizarro, tem coisas que nenhuma mente sã iria pensar. Quem colocaria uma mulher com pernas de vidro cheias de cerveja? Enfim, a película narra um concurso d’A Música Mais Triste do Mundo, para combinar com a Grande Depressão – pessoas do mundo inteiro são convidados para representarem seus países. É muito incomum, mas é fantástico, me fascinou do começo ao fim, e antes que me perguntem, a música é muito triste mesmo.

Depois do filme teve uma palestra/sessão de entrevista com o diretor Guy Maddin, onde o cara expôs todas as explicações para tamanha bizarrice. E gostei tanto do cara que quero ver vários filmes dele agora. Espero, não, torço para encontrar algum de seus filmes para locar.

Nota: 87/100

Filmes que estavam esgotados para meu infortúnio:

Zatoichi, de Kitano
La Niña Santa, de Martel
Spartan, de Mamet
Os Sonhadores, de Bertolucci
5 X 2, de Ozon
Apenas um beijo, de Loach
Casa de Areia e Névoa, de Perelman
Herói, de Yimou

Escutando: CD (The Boy With The Arab Strap – Belle and Sebastian); Música (Just like Heaven – The Cure)

Postado originalmente em 19/11/04.

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