30 janeiro 2006

Faherenheit 11 de Setembro

Fahrenheit 11 de Setembro (Fahrenheit 9/11, 04)



Michael Moore é maior marketeiro do cinema atualmente, o sujeito conseguiu duas semanas seguidas em primeiro lugar nas bilheterias americanas, e a maior renda de qualquer documentário já feito. O sensacionalismo que atrai a todos é o que gosta de fazer. Depois de seu discurso no Oscar, ultra-sensacionalista contra o atual presidente americano George W. Bush, Moore ganhou toda atenção como o "rebelde". Certo que hoje em dia ele já tenha se tornado motivo de piada nos EUA, mas nada que tire seus méritos por tentar defender suas idéias. E ao contrário de seu documentário anterior, "Tiros em Columbine" (postado há menos de um mês aqui no blog), ele não vai contra algo generalizado, no caso o armamento. Nesse o alvo de suas críticas é o próprio presidente dos EUA. É, uma premissa muito mais interessante que o anterior, um filme contra o presidente mais odiado do mundo (até mais que o Lula). Mas, infelizmente, Moore não se supera, não cria um filme melhor que Columbine e não cria um filme que seja capaz de ser lembrado por muito tempo.


Moore começa muito bem, de maneira genial contando toda trajetória do presidente. Começa com uma narração em off, igual ao começo de todos seus filmes, parecendo narração de The Simple Life. O filme parece que vai se tornar um dos melhores já feitos. Mas é aí, depois de contar todos os defeitos de Bush ironicamente, que o filme se torna extremamente sensacionalista, apelativo e cansativo. Uma pena. Moore podia ter feito seu melhor filme (apesar de ainda não ter visto "Roger e Eu"), mas seu radicalismo impediu isso. Ele quer tanto mostrar seu ponto de vista que acaba se tornando numa hiper conspiração não crível. Como disse no post de "Tiros em Columbine", me interessei realmente a ver seus filmes com a Palma de Ouro, em Cannes desse ano, justamente por este filme, aqui hoje comentado. Um prêmio super discutível, principalmente, num ano de eleições como esse. E não só por isso, também pela sua qualidade, pelo menos dois dos filmes eram melhores: "Diários de Motocicleta" e "Shrek 2". Tarantino disse nessa mesma premiação que Fahrenheit 11 de Setembro é o primeiro filme feito para justificar
um discurso no Oscar. Eu particularmente discordo disso, algo tão apelativo nunca é muito bom. Este filme não passa de um bom filme, um bom entretenimento (desde quando não gostamos de ver conspirações), mas nada que vá mudar muito as opiniões, não pelo menos no Brasil (creio eu. Não, espero eu). Creio que vá ser indicado a Melhor Documentário e que possa até ganhar, mas acho que dificilmente será indicado a outra coisa. Um filme tão polêmico quanto "A Paixão de Cristo", outro filme que achei super decepcionante, não é o tipo de filme que agrade os conservadores da Academia.


Entra as melhores seqüências estão as férias de Bush e quando o homem recebe a notícia do atentado ao WTC. Fora a tentativa de Bush de recrutar filhos de congressistas ao exército e a conclusão. Acho que o principal defeito do filme foi a ausência de Moore e seu sarcasmo. Ele em entrevista disse porque aparece menos: "Quando você tem George W. Bush como seu personagem principal, ele não precisa de ajuda com o humor. Ele tem frases mais engraçadas e eu apenas achei um modo de ficar fora de seu caminho", usando toda sua ironia. Mas acho que foi exatamente isso que estragou o resultado. A primeira meia hora é fantástica, assim como os últimos quinze minutos e algumas seqüências centrais, exatamente pelo sarcasmo de Moore. A parte central inteira não tem isso, não passa de muitas cenas sobre a guerra e sobre Bush, editadas de um jeito que agrade Moore – o filme se perde nesse momento, a ironia e o humor somem – e faça do filme uma campanha eleitoral negativa a Bush. Sua mensagem final é essa: Votem em quem quiser, desde que não seja em Bush.


Eu sei que está mais para um crítica negativa do que positiva. Mas é o tamanho de minha decepção, esperava um dos melhores filmes do ano. Mas o filme não deixa de ser bom e ter seus excelentes momentos. Se for fazer um balanço de todo o filme é essa a nota que recebe. É um filme que vale a pena ser conferido pela tamanha polêmica em volta de tal, mas nunca esperando um dos maiores feitos cinematográficos. Moore precisa parar de se achar o queridinho da América e "o" documentarista, e elaborar melhor seu conteúdo e fazer algo agradável, como em Columbine. Ele mesmo disse que o objetivo do filme é fazer com que a pessoa saia do cinema achando que não desperdiçou duas horas, e se fazer essa pessoa pensar no conteúdo, isso é lucro. Mas não é bem assim, sabe-se perfeitamente que seu objetivo é outro... e isso ele não cumpre.


Nota: 69/100


A Descobrir

História Real (The Straight Story, 99) - Belíssimo filme de David Lynch, que conta a história de uma senhor de idade, debilitado fisicamente, que recebe a notícia de que o irmão que não via há mais de dez anos sofreu um derrame. É nesse momento que ele conclui que deve visitá-lo, porém uma mora muito longe do outro e impossibilitado de dirigir, ele sai num cortador de grama. Gostei muito do filme e que creio que seja um de seus melhores filmes. O grande atrativo, além da bela trilha sonora, roteiro e diração, é a brilhante atuação de Richard Farnsworth. [88]

Postado originalmente em 09/08/04.

1 Comentário(s):

Anonymous Anônimo disse...

O documentario fahrenheit é simplesmente excelente e mostra o perfeito hipócrita que vem comandando os EUA que além de reagir ao ato terrorista de maneira completamente infantil, ou até mais inadequada, sedimenta sua luta pela mortandade em massa de crianças, adolescentes e até mesmo adultos e idosos inoscentes mas pelo "filhinho de papai" tachados de terroristas pagando com a vida pelo decreto do grande e imprestável Bush com certeza o pior político da história norte-americana, tudo isso pela sede de petróleo para abastecer nada mais, nada menos que o seu bolsinho através da TEXACO (Texas Company). Um filme excelente que mostra o ser humano que simboliza a grande vergonha mundial.

maio 16, 2007 9:22 PM  

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