30 janeiro 2006

Cônicos e Cômicos

Cônicos e Cômicos (Coneheads, 1993)

Baseado na série animada de TV de 1983, os Coneheads, o filme conta com os principais dubladores nos mesmos personagens e um roteiro inspirado de seu astro, Dan Aykroyd. Sendo um veículo para muitos comediantes de séries de TV, muitos tendo participado do programa humorístico Saturday Night Live, como seus protagonistas Dan Aykroyd. e Jane Curtin (que depois ficaria famosa na série 3rd Rock From the Sun). Nota-se caras conhecidas da TV como Adan Sandler, Jon Lovitz, Kevin Nealon, Jan Hooks, Tim Meadows, Chris Farley, David Spade, Phil Hartman (todos do SNL), Michael Richards e Jason Alexander (ambos de Seinfeld) e Drew Carey (The Drew Carey Show).

O filme me foi uma grande surpresa, assistido no Telecine num momento de falta do que fazer, esperando ao grotesco, idiota, e já preparando para utilizar uma estrela para cotação. Foi aí que me encantei com a bizarrice do filme. Mostrou-se ser uma inteligente comédia de costumes usando um humor negro, sarcástico e ácido, com ótimas sacadas (como o uso de camisinhas vermelhas como chiclete pelos aliens). Ok, que não é a melhor comédia já produzida, mas que é muito bem escrita e interpretada é. Ok também, que a direção é fraca, no piloto automático, dando vazão as inúmeras estrelas televisivas do filme.

A história é simples, colocando as piadas em primeiro plano, e a devida esquisitice das personagens, o filme conta a história de alienígenas (os Coneheads) que caíram acidentalmente na Terra (terra dos cabeça chatas que pretendiam invadir e conquistar), e foram obrigados a conviver normalmente com os humanos (pois o resgate demoraria a chegar). Porém quando começam a ser suspeitos de imigração ilegal, e suas reais identidades, eles tem de fugir para um lugar distante de todos esses problemas, já que a esposa de Beldar, Prymatt, está com Cone (grávida).

Beldar sem dúvida é a melhor personagem e a mais carismática do filme, isso dado a ótima atuação de Aykroyd. Um personagem sinistro e bizarro e ao mesmo tempo adorável (o jeito que ele ri é hilário). Jane Curtin como sua esposa também está bastante aceitável, mas sempre ofuscada por Dan. O que me desagradou foi a filha terrestre e cônica deles, não sei se é a atriz ou se é a personagem, ela não se enquadra dos padrões dos Coneheads, é apenas mais uma terráquea com uma cabeça pontuda, e isso faz com que a graça seja perdida. Chris Farley nunca me agradou e não foi agora que ele conseguiu, seu humor é muito, digamos assim, idiota. Não consigo achar graça nele. Os tantos outros (parece até filme brasileiro onde você conhece até os figurantes) fazem bem aquilo que estão programados.

Este não é um filme que se espera grandes coisas da parte técnica, no máximo figurino, efeitos visuais e maquiagem, que são pouco explorados pelos filmes, mas estão presentes. Não chegam a comprometer nada. Ou seja, Coneheads (me recuso a usar o título em português: Cônicos e Cômicos – podiam ter feito um pior trocadilho?), é uma excelente diversão, engraçado, descompromissado, inteligente, e o melhor: não é aquele tipo de comédia que quer fazer a gente rir pelo pastelão da vida (nada contra pastelão, os antigos pastelões são muito bons, mas os atuais são deploráveis – com pouquíssimas exceções). Confiram, ainda mais porque este é o tipo de filme que não se espera nada, acabando sempre por ser uma grande surpresa.

Nota: 77/100

Postado originalmente em 19/07/04.

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