30 janeiro 2006

Closer

Closer - Perto Demais (Closer, 04)



Ao invés de ler uma profanação ao filme, leiam a fantástica crítica de Roger. Mas se você estiver interessado em ler a minha resenha, fique à vontade. Closer, um filme atualmente super discutido, tendo aqueles que defendem que o filme é uma grande baboseira e desperdício de talento e aqueles que, como eu, defendem o filme com unhas e garras. Sim, porque o novo filme de Mike Nichols, é um filme que te atrai do começo ao fim. Seja por sua estética, música, direção, elenco ou roteiro. Eu gosto de surpresas - e quem não gosta? - e talvez seja por isso que admirei tanto esta obra, de maneira alguma esperava um filme de tamanho conteúdo emocional.

Inclusive temia se tornar o que se tornou Encontros e Desencontros para mim, uma idiotice. Fui ver o filme depois da espera de uma semana pela minha companhia preferida, e quando finalmente fui assistí-lo, vocês não imaginam meu furor. E desde a primeira cena ao som da maravilhosa The Blowers Daughter eu já me apaixonei pelo filme. Creio que o clima extremamente depressivo que se cria ao redor da crueza daquelas histórias me cativam, eu simplesmente adoro filmes com climas depressivo, daqueles que transpõem tudo que a personagem sente para você. Outros exemplos: Don Juan De Marco e O Último Tango em Paris.

Mike Nichols tem muito dos créditos desta excelente transposição dos palcos ao cinema. Não posso dizer muito sobre sua carreira, sendo que este é o segundo filme que vejo de sua filmografia (o primeiro foi A Primeira Noite de um Homem), mas posso garantir que o trabalho dele em Closer é fenomenal. E não me faltam elogios para essa celulóide. Foi uma grande injustiça não nomearem este homem para o Oscar deste ano (assim como para várias outras categorias), porque garanto que dificilmente algum deles conseguirá tamanha proeza num filme tão duro como esse.



Se vocês já me conhecem um pouco, lendo meus comentários anteriores, sabem que eu adoro filmes que me fazem refletir. E esse não fugiu a regra dos filmes que me encantaram e me fizeram pensar. Só que desta vez não é sobre futuros planos, esperança ou outra coisa relacionada a pensamentos positivos, mas sim, como a vida pode ser cruel e como as pessoas podem ser cruéis. Como a vida é cheia de decepções que mesmo assim acabamos por superar de alguma maneira (nem que essa maneira seja a morte). Como o 'amar' é muito mais complicado do que deveria, ou como o amor não passa de um desejo instintivo, ou até mesmo como existem pessoas que passam pela vida sem nunca saberem o que realmente é o amor, e como é realmente amar alguém. Por mais que o filme possa parecer chato (muitos se queixaram de falta de eventos, e diálogos muito rápidos), não se enganem, por que por trás disso reside uma quase obra-prima. E se você tiver o mínimo de bom senso ou mesmo sensibilidade (não sei se é a palavra certa) você irá pensar depois do filme.

É um belo dia, Alice e Dan estão caminhando pela rua em direções opostas, toca The Blowers Daughter e tudo acontece em câmera lenta. Dan não consegue desviar o olhar de Alice. Ela sofre um acidente e com um "Hello stranger" tudo começa. Entre eles começa um relacionamento, mas no lançamento do primeiro livro de Dan, na feitoria de sua foto, ele e Anna começam então a se envolver. Larry, um dermatologista, está na internet num porn chat falando com Dan que se passa por Anna (aliás, a cena mais engraçada do filme). Larry e Anna acabam se casando, mas isso não é o fim da história dos quatro, pois se relacionarão muito mais.

Provavelmente o que mais se destaca no filme é o elenco afinado. Mesmo o muito criticado Jude Law está muito bem, em um dos seus papéis mais humanos. Julia Roberts resolveu atuar, estando aturável em cena. Natalie Portman além de linda é talentosa, num papel bem mais maduro que o normal. Não entendo daonde tiraram que ela é coadjuvante e Julia Roberts é principal, pois Portman é o pricipal foco do filme junto de Law. E Clive Owen simplesmente rouba a cena, fazendo o cafajeste e depravado Larry, tem a dose certa de todos os aspectos que um homem angustiado e canalha tem. Não digo que ele merece o Oscar pois ainda não vi os outros, mas com certeza sua indicação foi muito merecida.

Eu gostei particularmente da trilha sonora, cheia de pequenos hits. Além da bela fotografia, obscura, que diz tudo. Se um dia eu for um cineasta (como desejo ser), esse com certeza ia ser um dos filmes que iria querer "imitar" e superar.

Assim, como muito outros, é um filme que cada vez que eu penso mais, sobe no meu conceito. Não vejo a hora de sair para DVD e eu adquirí-lo. Closer além de um excelente filme, é uma lição de vida (eu falei que era uma profanção, vocês não quiseram ouvir, agora aguentem esse clichê monumental porque é a mais pura verdade).

Indicações: Ator Coadjuvante e Atriz Coadjuvante.

Nota: 97/100

Escutando: CD (Hedwig and the Angry Inch - Hedwig and the Angry Inch); Música (The Blowers Daughter - Damien Rice)

A Descobrir

Assunto de Meninas (Lost and Delirious, 01) - Um filme de circuito independente, este Assunto de Meninas não deixa de ser uma pequena obra-prima. Contando a história de uma paixão proibida, impedida pela preconceituosa sociedade, que vê no homossexualismo (no filme pelas meninas) uma forma inescrupulosa de ser. Com diálogos fantásticos, e ótimas atuações, a trajetória de três meninas é mudada por causa de uma paixão. Impossível não derramar algumas lágrimas com sórdida história. E só para deixar um aperitivo, eis um dos trechos do filme: "Liar! Liar! Liar! Liar! You hold your heads up in your assholes because LOVE IS! It just IS! And nothing you can say can make it go away! Because it is the point of why we are here. Is is the highest point and once you are up there, looking down at everyone else, you're there
forever... If you move, right? You fall...you fall..."
- Me perdoem aqueles que não entendem o inglês, mas não quis alterar o monólogo de maneira alguma devido a tradução. [98]

Postado originalmente em 05/02/2005.

0 Comentário(s):

Postar um comentário

<< Voltar