30 janeiro 2006

Antes do Pôr-do-Sol

Antes do Pôr-do-Sol (Before Sunset, 04)

Finalmente posso dizer que tudo que eu esperava para o fim desse ano ocorreu. Finalmente estreou Antes do Pôr-do-Sol em São Paulo, algo que eu já estava duvidando que acontecesse esse ano. Primeiramente foi marcado para 29/10, e não é que estreou - só que apenas no Rio de Janeiro. Mas sem delongas ele finalmente chegou no último dia 10/12, e pude conferí-lo com muito afinco. O filme, vocês já sabem ou imaginam que é maravilhoso, pois é, e aqui vai constar mais uma crítica intelectualóide super elogiando o filme, nada que vocês não tenham visto, nada que o filme não mereça.

Não saí bem da sessão confesso, não foi como em O Expresso Polar. De fato, Antes do Pôr-do-Sol nem tem conteúdo ou premissa para sairmos nos sentindo bem da sessão, e sim apenas mal e pensativo. É o tipo de filme que faz você pensar depois, enquanto a nostalgia toma conta de você e acaba por te enervar. Mas não é o tipo de filme que faz você pensar como é que aquilo aconteceu, ou o que levou a acontecer tudo aquilo, mas sim na vida, naquilo ficou para trás, ou em que você não quer que fique. Sim, a celulóide mexe com a sua cabeça, com seus pensamentos e com a sua própria visão de mundo. Um filme para você não assitir apenas uma vez, e sim inúmeras, um filme que nunca vai cansar. Inclusive meu primeiro ato após sair da sessão foi querer comprar outro ingresso, mas não o fiz. E me arrependo. Mesmo porque não é sempre que você se depara com o filme com tamanha inteligência, ou tão simples abordagem. Lembra um pouco a forma de filmes franceses, aqueles que são basicamente formados por monólogos ou diálogos, apenas isso. E um filme nunca pode ser tão maravilhoso e tão feliz em seu resultado final. A sutileza com que os temas foram abordados, ou mesmo na simplicidade de suas falas, mas que contém um pesaroso "q" de profundidade, de vivência, de paixão. Isso tudo é o que faz a diferença, e não só para os dois em cena, como também para o espectador.

Richard Linklater é um gênio. Como alguém pode criar algo tão fantástico como Antes do Amanhecer, e depois fazer uma continuação tão original quanto ao primeiro? E Linklater fez, em apenas 15 dias, algo esplendoroso. E não digo só pela fantástica direção, mas principalmente pela franqueza e modernidade do roteiro. Uma coisa tão atual, mas que pode ser tão retrô, afinal o conceito de amor a primeira vista é um tema dos Românticos, aquela idealização toda. Um roteiro que está pau-a-pau com o de Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, um filme que eu também aprendi a idolatrar.

Antes do Amanhecer, seu antecessor, me é crível ser melhor. Gostei mais do primeiro episódio sobre Jesse e Celine, acho que provavelmente pelo romance em si. Nesse eles relembram e falam como é que tudo aconteceu, falam do encontro seis meses depois do primeiro filme, discutem suas vidas e falam de outras coisas. E isso acontece nove anos depois, quando Jesse vai para Paris divulgar seu livro. Ele está casado e tem filho, ela está envolvida em outra relação, eles são pessoas mais maduras, mais vividas. Mas será que toda aquela paixão foi esquecida ou superada?

Julie Delpy é uma atriz fenomenal. Ethan Hawke é um ótimo ator se for bem aproveitado. Ambos estão excepcionais, ambos estão em seu limite. Nunca se foi falado da vida e do amor de uma maneira tão simples e realista, são eles falando - os atores e não as personagens. É como se nós estivéssemos vivendo aquilo que ele fala, dizendo e sentindo aquilo. Eu sei que eu tenho apenas 16 anos, e vida e amor e profundidade são coisas que não sei. Que eu não entendo nada. Mas eu sei que fagulhas de tal já me atingiram, tenho muito que aprender sobre vida e amor, mas pelo que pouco que sei e que conheço foi o suficiente para eu saber o quão esse filme é genial.

O filme não se destaca apenas por tudo que eu falei e ainda acabarei repetindo, também pela excelente fotografia e trilha sonora. Sendo que o cenário é Paris, é impossível não apreciar a fotografia. A trilha que conta com três canções originais da própria Delpy, uma cantada no filme, e que achei fantástica. Fora a parte instrumental e os hits de outrora. Não podia ser mais bem sucedido.

Como um filme baseado em conversa, diálogos, pode ser tão maravilhoso? Tão formador de opiniões e conceitos? Esse consegue, e cada vez que me lembro dele, mais eu gosto dele, mais eu me encanto, e mais nostálgico/esperançoso/saudosista eu fico. Preciso revê-lo urgentemente, assim como a Antes do Amanhecer. A cotação que eu atribuir pode parecer injusta, mas com certeza ela vai aumentar, isso foi atribuído logo após que acabou a sessão. Só vendo para saber e se emcionar e se contagiar.

Nota: 94/100 - nada que não vá aumentar.

Letra de A Waltz For a Night, cantada pela Delpy em uma das melhores cenas do filme.

Escutando: CD (Both Sides Now - Joni Mitchell - tentem escutar horas depois após ver o filme, sua solução vai ser a vontade de se dar um tiro, tá, não é só os dois que fundamentaram isso); Música (As The World Falls Down - David Bowie)

A Descobrir (republicando)

Antes do Amanhecer (Before Sunrise, 1995) - Com o lançamento da continuação "Antes do Pôr-do-Sol", resolvi assistir este Antes do Amanhecer. E não é que adorei o filme, super intimista, pessimista em relação a vida, mas que sempre conta com um ínfimo de esperança. Jesse e Celine são dois jovens a viajar que se encontram e decidem explorar Viena. E é com a premissa que eles terão até Antes do Amanhecer que eles se tornam uma pessoa, contando e descobrindo sobre a vida. E que venha o segundo - e veio, para minha felicidade. [98]

Postado originalmente em 13/12/04.

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