30 janeiro 2006

Amor em Jogo

Amor em Jogo (Fever Pitch, 05)


Enquanto meu texto de Casa Vazia continua com meio parágrafo e sem probabilidade de continuação, tento escrever algo sobre a nova comédia dos irmãos Farrely. Outra incursão dos irmãos no gênero da comédia romântica e melhor sucedida que O Amor é Cego. Este traz um maior diferencial, e creio que seja a despretensão. É um filme bem gostoso de assistir, e o melhor, não tem toda aquela pieguice que rodeia 80% das comédias românticas atuais. A vantagem, creio eu, está na divisão temática do filme, o romance é um coadjuvante, focando muito mais neles como dois bons amigos, que são namorados, e pode-se dizer que isso é o romance, mas longe de ser aquele esteriótipado. Os Farrely tem um dom, são dois ótimos diretores, sabem muito bem criar um clima envolvente e uma comédia engraçada - e não importa o tipo de comédia, seja no humor sutil, seja no escrachado eles sempre conseguem um resultado positivo. E embora a obra seja uma adaptação de um livro do aclamadíssimo - e aparentemente principal atrativo do filme - Nicky Hornby, Febre de Bola, a dupla se mostra em uma de suas realizações mais autênticas e ao mesmo tempo mais reverentes ao cinema.

Os irmãos Farrely ganharam uma geração de fã com seus Debi & Lóide e Quem Vai Ficar Com Mary?, usando da bizarrice para embolsar milhões e lançar dois atros ascendentes ao estrelato, Jim Carrey e Ben Stller. Algo aconeteceu com a dupla e seus últimos filmes são mais leves e mais voltados a um público mais amplo. Perderam bastante espaço na publicidade, pelo menos por aqui, e agora, eles fazem filmes para implantar, talvez, uma nova linguagem, com um humor negro mais leve, sátiras não tão explícitas e referências a grandes clássicos. Ao falar desse filme a crítica coloca o mérito no livro, não sei, não o li, mas a direção tem sim seus créditos.

O que diferencia o livro do filme é a troca do original futebol, passado na Inglaterra, para o beisebol, um esporte tipicamente americano. Não que isso me faça diferença, o que vale é a paixão do cara pelo esporte. Eu juro que gostaria de ter um amor por algo como esse, é emocionante vê-lo falando do beisebol e do Red Sox. Já fui fã de futebol e de F1 - na área esportiva -, e hoje, digo que sou apreciador - e não fã, pois ele sim é fã, e perto dele não sou nada - de cinema, de música e até de literatura, com mais ou menos intensidade, mas jamais pode-se comparar com a paixão da personagem pelo beisebol. É fantástico. Tudo gira em torno daquilo, e a própria questão do filme é querer saber se é possível converter tamanha ânsia de devoção à mulher amada. Será que o amor pode tudo? Obviamente que há uma clara diferença entre o amor a uma pessoa e a algo material, são paixões que significam coisas completamente diferentes para nossos seres. Imaginem amar sua namorada do mesmo jeito que você ama futebol, não dá, certo? Mas o legal do filme é mostrar que isso é capaz, e que apesar dos apesares, há sempre uma solução plausível, basta exercer a comunicação - por quê não haveria como conciliar coisas diferentes?



O filme narra uma cena comum, um professor apaixonado pelo Red Sox leva alguns alunos para ter uma palestra com uma profissional bem sucedida. Instigado por uma aposta com os alunos - que dizem que ele é um bobão por não tentar nada e que memso se tivesse coragem jamais conseguiria -, consegue um encontro com ela e acabam apaixonando-se. Mas o trabalho e o beisebol podem vir a atrapalhar esse romance.

Não sei se sabem, mas tenho um grande apresso por Frank Capra e seu A Felicidade Não Se Compra. Gostei bastante da menção ao pedido de casamento, que em Amor em Jogo ganha o valor do pedido ao acompanhamento no primeiro jogo da temporada. E vou além, o filme conta um pouco com a maneira de Capra contar suas fábulas repletas de esperança e crença - refiro-me a parte do romance, pois Capra para mim é inigualável.

Finalmente Jimmy Fallon encontrou-se nas telas grandes, pois esse foi seu primeiro grande papel com um ótimo destaque. Achei que não veria mais a promessa apresentada em Saturday Night Live, não que eu seja um grande fã de sua capacidade de atuar, acho apenas que ele pode muito bem se sobressair num papel cômico. Drew Barrymore é a mesma, feita na medida para todos esses papéis. É bonita e boa atriz, para isso. Chegará aos 40 anos como Meg Ryan e Sandra Bullock querendo provar que sabe fazer papéis mais complexos. O filme conta com uns coadjuvantes bem simpáticos.

Sei que talvez estejam pensando que a cotação está inadequada. Só falei bem do filme e dei três míseras estrelas. Pois é, poderia dar mais, mas não posso dizer que sou um grande fã de comédias românticas, portanto é muito boa aquela uma que receba uma nota acima de 70. A película ainda conta com um final aquém do meu esperado, mesmo sabendo o que o filme só poderia ter terminado daquela maneira. Vale a pena conferir, nem que seja em sua casa, no conforto de seu sofá, de preferência com seu parceiro.

E viva o amor e o beisebol, e claro, os irmãos Farrely.

Moral da história: beisebol pode causar dependência e vício, e posteriormente utilizado como medida de auto-destruição e trotura psicológica.
Nota: 72/100

Escutando: CD (As Quatro Estações - Vivaldi); Música (Space Dementia - Muse)

A Descobrir

Eles Não Usam Black-Tie (Idem, 82)
- Fantástica a adaptação da obra teatral de Gianfrancesco Guarnieri, que conta com ele como personagem principal. Isso sim é exemplo de cinema brasileiro com crítica social. Uma história comovente e dura sobre operários que querem seus direitos. A formação de sindicatos e aceitação social. No estado em que vivem é perfeitamente plausível todas as atitudes. Alcoolismo, gravidez, pobreza e ditadura militar figuram entre os temas abordados. É, cinema brasileiro tem sim sua qualidade crítica e cinematográfica sem cair na chatice. [87]
Postado originalmente em 13/09/2005.

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