30 janeiro 2006

Alexandre

Alexandre (Alexander, 04)



Posso assegurar que Alexandre era o filme mais aguradado por mim neste primeiro trimestre (não digo do ano por A Fantástica Fábrica de Chocolates e Sin City), aliás, este era o filme mais aguardado por mim no ano passado. Mas a enrolação das distribuidoras brasileiras, que estão cada vez mais adiando as estréias, só me fez conferir o polêmico épico de Oliver Stone nessa semana de janeiro. Independente da crítica ter massacrado o filme e ter considerado por demais mentioroso e presunçoso, eu esperava uma nova obra-prima de Stone, que já nos agraciou com filmes como Platoon e Assassinos por Natureza. Porém devo dizer que Alexandre me decepcionou muito. De uma obra-prima esperada, só pude conferir um filme bem mediano. Percebi que muitos da crítica amadora brasileira adoraram Alexandre e falaram ser infinitamente superior a Tróia, porém só posso dizer algo a essas pessoas: NUNCA! Tróia, que também foi super criticado, é muito melhor, muito mais filme que Alexandre que peca pela pretensão de querer ser O épico. Exato. Não que tenha algo contra filme pretensiosos, mas você ir lá e juntar todos os clichês que rodeiam épicos e dizer ser inovador e grande, é pretensão demais para mim. Posso até estar enganado, muito provável que isso seja causado pela decepção, mas Alexandre só serviu para mostrar como um diretor a beira da loucura ainda pode levantar muito dinheiro para fazer um filme se ele tiver dois Oscar na prateleira de casa.

Oliver Stone sempre foi um grande diretor, mas derrapou feio aqui. Acho que todo aquele sonho e a nova mania de ser polêmico (que começou ano passado com Mel Gibson e seu fraco A Paixão de Cristo) tornaram um dos maiores diretores ativos em um canastrão da indústria cinematográfica. Digo que o principal problmea do filme é exatamente Stone. Tem outros problemas, mas é Stone querendo ser grande o tempo todo que mais me irritou. E creio que o problema nem seja a direção, e sim o roteiro. E pode até parecer que a questão da bissexualidade/homossexualidade me incomodou, mas não foi isso - que me pareceu muito pouco explorado para tanto buzz. O roteiro é fraco, sempre tentando mostar um Alexandre egoísta e vingativo - e covarde, que se esconde atrás de seus soldados.



O filme narra a história de Alexandre desde sua infância (e caia entre nós, ele já era uma pessoa insuportável desde então), até se tornar o grande imperador macedônio, denominado Alexandre, o Grande.

Colin Farrel é um pretenso bom ator, acho que está acontecendo com ele o mesmo que aconteceu com DiCaprio a partir de Titanic, ele ganhou popularidade e deixou de ser um bom ator - não sei os motivos disso - mas, Leonardo DiCaprio em meados dos anos 90 era uma das grandes promessas, filmes como Diário de um Adolescente e O Despertar de um Homem mostravam isso, aí veio Titanic (em que está péssimo) e A Praia e mais atuações tristes de serem assistidas. Farrel está caminhando para o mesmo. Começou com Minority Report, Por um Fio e Demolidor - sempre muito bem em todos -, estourou, e agora nos presenteia com uma atuação bem fraca, inossa. Anthony Hopkins que a meu ver é um dos grandes atores do cinema passa despercebido o filme inteiro. Val Kilmer nasceu para um papel, e infelizmente não foi esse, foi Jim Morrison. No filme inteiro Kilmer representa o que sempre representou em sua vida, um cara revoltado com a vida. E a grande surpresa para mim foi Angelina jolie, a melhor atuação do filme, calando a boca de todos que falaram que a maldição do Oscar a afetou.

Agora vou falar do melhor do filme, a magnífica trilha sonora de Vangelis. Se não fosse a sua trilha, as cenas não teriam o mesmo impacto e filme perderia muito de sua pouca graça. Sim, pois a trilha é a única coisa capaz de tornar o filme menos cansativo em suas longas três horas de duração.

Eu amo épicos, um dos meus gêneros preferidos. Difícil não gostar de um. Esse Alexandre começou bem, foi perdendo o rumo, foi ficando canstaivo e repetitivo, a personagem de Alexandre foi me irritando cada vez mais,e a conclusão é: eu ia dar uma nota positiva para o filme, mas depois de escrever esse review, só consegui ver os pontos negativos. Portanto nesse meio termo a cotação baixou. De 3 estrelas para 2. Ou seja, essas duas estrelas são pelas belas imagens, trilha sonora e Angelina Jolie - tá certo, o filme tem boas cenas. Mas fiquem longe dele, eu que adorei Tróia, O Patriota, Gladiador, O Último Samurai e outros épicos que tanto desagradou as pessoas não gostei de Alexandre.

Nota: 54/100

Escutando: CD (Donovan's Greatest Hits - Donovan); Música (Born in the USA - Bruce Springsteen)

A Descobrir
O Mundo de Andy (Man on the Moon, 99) - Milos Forman é o melhor diretor de personagens que já vi. Deixe-me explicar melhor, todos os filmes dele são centrados em uma personagem e é isso que os torna tão bom, porque ele sabe como fazer isso. Peguem como exemplo Um Estranho no Ninho, Amadeus, Hair e esse O Mundo de Andy. Jim Carrey mais versátil impossível. E é uma pena as pessoas não admitirem o brilhante ator que é (com exceção dos Ace Ventura e Debi & Lóide). Nessa história sobre a vida do bizarro comediante Andy Kaufman, Carrey se mostra em seu melhor papel ao lado de Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças. Fiquei pasmo ao ver o quanto gostei desse filme. [97]
Postado originalmente em 21/01/2005.

0 Comentário(s):

Postar um comentário

<< Voltar