30 janeiro 2006

Adeus, Lênin!

Adeus, Lênin! (Good Bye Lenin, 03)



Eis um filme alemão de muito prestígio que é muito bom. Um excelente trama, um excelente elenco, um excelente diretor, o que tem para dar errado? Justamente nada. Sem dúvida um dos melhores filmes dos últimos anos, e por que não da década? Inteligente, cativante, carismático, interessante, emocional e merecidamente ganhou o status que tem hoje. Uma grande injustiça foi excluí-lo da corrida pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, porque foi sem dúvidas o melhor filme de 2003. Adeus, Lênin! é um filme muito bem rodado, que nos torna pessoas diferentes, nos dá outra perspectiva de vida. Como ela pode ser bela, mesmo fazendo diversos sacrifícios, como a solidariedade e bondade com as pessoas, e vontade de tornar sua vida melhor, não importando o quanto isso a afete, é bom. Dá prazer e te deixa feliz, você se sente útil. É isso que o filme faz.

Creio que isso é uma grande contribuição do ótimo roteiro, vibrante e ao mesmo tempo conscientizador, que apela para a nobreza da pessoa e ao mesmo tempo é intrigante, que nos faz querer voltar no tempo e consertar os erros. E isso não importa se você ou essa outra pessoa errou. Ele pode ser classificado em diversas categorias, desde um drama a uma comédia. Mas qualidade é o que não falta, estranhamente interessante é um filme que utiliza um fundo histórico que abalou o mundo e transformou magnificamente num filme humano e pessoal.

Creio que Wolfganger Becker, o diretor, contribuiu bastante para isso também, competente e com um novo estilo, ele inovou a técnica de se utilizar a câmera e sua perspectiva com a condução minuciosa e redundante. Uma nova noção de ver as coisas, é isso que ele faz, assim como a mensagem do filme, é o jeito que ele opera a câmera e dirige. Focando e centralizando nas emoções das personagens, ele consegue exprimir o máximo de qualidade da obra. Você chega a se imaginar na pele das personagens, e isso é um fator muito positivo.

Alexander Kerner é um garoto da Alemanha Oriental, ou seja, da Alemanha socialista, que ainda quando criança perde seu pai, que fugiu para a Alemanha capitalista. Sua mãe abalada com a notícia e com o fato de ficar sozinha tendo de criar dois filhos, acaba tendo uma síncope e fica catatônica. Quando recupera a consciência e volta a atividade, se tornando um membro da RDA (República Democrática Alemã), sendo uma ativista socialista. Mas ao ver que Alex fazia parte do movimento para acabar com tudo que ela acreditava, ela sofre um ataque cardíaco e entra em coma. Durante oito meses ela fica "dormindo", e o país sofre drásticas mudanças, como a queda do Muro de Berlim e a entrada do capitalismo no país. Quando acorda, o médico previne que qualquer choque maior que ela venha ter pode resultar em outro infarto, resultando na morte, e assim Alex a todo custo tenta esconder os últimos fatos que ocorrerão. Disfarçando tudo, até mesmo os programas de televisão.


Daniel Brühl é um excelente ator, conseguindo ao máximo executar uma obra significante para o mundo (ao menos deveria ser), e mostrando uma ótima relação mãe e filho, carinhosamente e carismaticamente ele envolve as pessoas em seu conforto e naturalidade, e em nenhum momento parece estar escondendo e mentindo para a mãe, pois ele sabe que aquilo é para o bem dela. Convincente, talentoso e brilhante, é assim que caracterizo sua atuação. Admiração é o que se sente quando vê o filme, e não só dele como ator, mas como da sua personagem. É isso que move ele antes de tudo, admiração pela mãe, e assim como ela tem por ele. Katrin Sab é uma ótima atriz, e apesar de estar em grande parte do filme inconsciente ou na cama repousando, ela mostra que é capaz de fazer seu trabalho muito bem. Ainda destaco as atuações de Chulpan Khamatova (Lara, a namorada de Alex) e de Maria Simon (Ariane Kerner, irmã de Alex), surpreendentes, assim como todo o filme. Admito que não esperava tanto do filme, mas tive uma ótima surpresa, descobri um dos melhores filmes que já vi.

Além do roteiro, direção e atuações que já seria o suficiente, o filme ainda tem uma ótima trilha sonora que se adequa perfeitamente ao clima cômico dramático e ajuda muito a produção. Muito boa. A fotografia é soberba, chega a ser cristalina a imagem de tão boa. Assim como o resto, cenografia, figurino, montagem (o filme conta com bastantes imagens da época da queda do Muro de Berlim), e tudo é feito para se passar em 1989/1990 na transformação do mundo socialista em capitalista.

Não foi à toa que o filme foi super aplaudido ao redor do mundo e foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e ganhador de seis prêmios no European Film Awards (Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Roteirista e três na escolha do público: Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Atriz), é simplesmente fabuloso, magnífico. É uma lição de vida, mas o filme não cai em clichês e não é um clichê ambulante como a maioria dos filmes que tentam abordar assuntos ou temáticas parecidas, ele é um filme digno, compreensivo e inteligente. A comédia do filme dá um toque de descontração e ajuda muito a passar a idéia de ambiente saudável. É por isso que o filme é tão bom, e é no meio de tanto blockbusters ruins como Hulk e Matrix Revolutions, que um filme estrangeiro e pequeno se sobressai, como esse maravilhoso Adeus, Lênin!.

Nota:100/100 - Crítica escrita em janeiro de 2004.

Escutando: CD (Absolution - Muse); Música (I'm Waiting For the Night - Depeche Mode)

A Descobrir



Fuga à Meia Noite (Midnight Run, 88) - Esse filme é a denominação de entretenimento, de filme pipoca de qualidade. Vocês não te, idéia como eu me diverti nessa aventura que mistura o policial e a comédia. Robert De Niro, John Ashton e Dennis Farina, com direção de Martin Brest. O que mais falta no descmpromisso. Chega a ser empolgante essa brincadeira de gato e rato. [85]

Postado originalmente em 25/03/2005.

0 Comentário(s):

Postar um comentário

<< Voltar