30 janeiro 2006

Acerca da Mostra

Farei um comentário pequeno sobre todos os filmes que vi na 29ª Mostra Internacional de Cinema. Na ordem de vistos.

Um Anjo Apaixonado (Zakochany Aniol, 05)

Um bom filme polonês. Uma comédia romântica bem boba, mas que chega a divertir em alguns momentos. Alguns personagens são muito bons. O filme narra a história de um anjo que, numa missão na Terra, se apaixona por uma mulher. Teoricamente, anjos são assexuados, mas não quando são escolhidos para integrar a crescente população humana. Diferente das comédias românticas americanas, mas que no resultado não se sobressai. Dificilmente chega ao mercado brasileiro, e isso não fará difereñça alguma. [56]

O Fora da Lei e sua Mulher (Berg-Erjvind Och Hans Hustru, 18)

Brilhante. Fantástica a maneira como Victor Sjöström compõe a narrativa tão depressiva, de caráter intenso, sem utilizar-se de um único som. Ele é um excelente ator - depois, mais velho, viria ser o protagonista de Morangos Silvestres -, roteirista e diretor. A trama aparentemente simples cai num grande plano incerto, a velhice proeminente e o acaso transformam o filme ritmicamente. Mas o único problema do filme se dá exatamente no ritmo, desigual e cansativo em muitas cenas. É um filme que me remete bastante a A Última Gargalhada e ao próprio Morangos Silvestres. Muito bom. Se estiver disponível para locação - se existir aqui - aluguem-no. [88]

Café da Manhã em Plutão (Breakfast on Pluto, 05)

Achei muito simpático o novo filme de Neil Jordan. Encaixei-o em minha programação mais pelo prestígio que tenho pelo diretor de Entrevista com o Vampiro do que por interesse à história. Quase desisti de vê-lo pelo atraso de quase meia hora - o que me fez perder o começo de Além do Azul Selvagem -, pois pressupunha que o filme de Herzog seria muito melhor. Aliás, a organização da Mostra desse ano estava caótica. A história de um rapaz, homossexual, que indignado com sua vida assume realmente quem é, aduirindo a identidade feminina. Parte para vida, e mesmo não conseguindo se estabilizar tenta unicamente ser feliz. Divertido. Deverá chegar aos cinemas em breve. [77]

Além do Azul Selvagem (The Wild Blue Yonder, 05)

Decepção total. Começa muito bem, as cenas são lindas, toda a trama, a criação de um falso documentário, a proposta do alien - fantasticamente interpretado por Brad Dourif, que é a melhor coisa do filme -, mas chega uma hora que cansa muito. A película começa a desandar na chegada ao Planeta Azul, e a exploração, por mais bonitas imagens que possa trazer, não passa de um programa submarino da Discovery Channel. O final é extremamente euivocado e pretensioso. Pode ser que mude de opinião com uma revisão, tem quem goste. [46]

Querida Wendy (Dear Wendy, 05)

Imensa surpresa esse drama roteirizado por Lars Von Trier e realizado por Thomas Vintenberg. Uma história simples. O cotidiano de uma pequena cidade, que como qualquer outra cidade possui seus marginalizados, aqueles excluidos socialmente por motivos banais. O início, a formação, a maneira como a história é contada, mostra dois lados: a vertente irônica e a vertente Romântica. As armas, objetos metálicos que introduzem cinco jovens ao seu próprio mundo, pacifistas, que visam a integração. Caracterizados e em sincronia, os fatores externos pouco importam para uma trupe devota a si mesmos. Até o fraco Jamie Bell está bem no filme, infelizmente não se pode dizer o mesmo do canastrão Bill Pullmam. O figurino é fabuloso. O filme está previsto para entrar em cartaz dia na próxima sexta, corram para os cinemas e assistam. [85]

Meu Pai Tem 100 Anos (My Dad is 100 Years Old, 05)

Eu adoro o Guy Maddin, infelizmente seus filmes nunca chegam aqui. O ano passado eu vi o maravilhoso A Música Mais Triste do Mundo, neste ano, infelizmente, só teve seu novo curta. Meu Pai Tem 100 Anos foi escrito por Isabella Rosselini, visando a uma homenagem ao pai, Roberto. Contrasta a visão de cinesta de seu pai com Chaplin, com Hitchcook, com Fellini e com David O. Selzinick, todos interpretados por ela. Guy Maddin é um cara muito estranho, porém sua maneira de filmar é fantástica, atribuyindo sempre muitos valores estéticos e bizarros para compor a trama. Se puderem, baixem-no na internet. [85]

Roma, Cidade Aberta (Roma, Città Aperta, 45)

Galardeei dois filmes vistos na Mostra com cinco estrelas: esse e 2046, já comentado. Roma, Cidade Aberta foi o melhor que vi, e sinceramente, não guardava mutias expectativas quanto a ele. Mesmo parecendo muito bom, não imaginaria que seria tanto assim. O precurssor do neo-realismo italiano - que mesmo não tendo visto muitos, é liderado com vantagem por Ladrões de Bicicletas - é dotado de uma grande engajamento social numa Itália ainda se desvinculando do Fascismo e da Segunda Guerra Mundial. O território está destruído, as pessoas não têm emprego, passam fome e ainda são sondadas por militares a fim de exercer a política de Hitler. O cinema social da atualidade preciso retroceder a esses clásicos para ter algo a almejar. Roma, Cidade Aberta é fantástico. Preciso rever. [95]

Caché (Caché, 05)

Eu sinto que não tenho muito a dizer sobre esse filme. Não sei se o compreendi direito. O final é muito confuso e ambíguo, permitindo algumas diferentes interpretações, que aqui não citarei devido a um senso crítico de não revelar o que nele se sucede. Digo, porém, que mesma com a impressão de não ter entendido nada, é um filme muito envolvente. Tem a cena mais chocante que vi na Mostra, e ainda um ar austero, inteligente, e um suspense petrificante durante toda projeção. Demora-se um pouco para entender o que está acontecendo, o jogo com as cenas, tudo friamente calculado para impactar com a narração o espectador. O melhor filme que vi dos concorrente a Palma de Ouro - ainda não conferi Last Days e The Three Burials of Melquiades Estrada - que ironicamente perdeu para aquele que considero o pior. A dupla de atores é fantástica, principalmente por Daniel Auteuil. Está previsto para março, torçam para que chegue até antes. [86]

Espelho Mágico (Espelho Mágico, 05)

É por filmes como esse que não podemos nos basear em apenas um ou dois filmes para qualificar um cineasta. Mesmo que tenha visto três filmes de Manoel de Oliveira, não posso negar o culto que ele representa para mim. Meu primeiro contato com ele foi com O Convento, galardeando-o com 2/10. Sim, o filme é bem chato e monótono. Felizmente, Um Filme Falado e esse mudaram radicalemnet minha opinião sobre este senhor de 97 anos. O trunfo de seus filmes encontra-se em toda discussão filosófica que rodei as personagens e o filme. É inevitável que se assista ao filme com toda atenção, compreendê-lo assim é difícil. Mesmo que o enredo fique em segundo plano, não deixa de ser interessante ver alguém que a todo custo quer conhecer Virgem Maria e lhe fazer perguntas. E que Manoel de Oliveira dure muito anos. Em 2007 chega, pelo menos essa tem sido a lógica de estréia de seus filmes. [88]

O Projeto Goebbles (Das Goebbles-Experiment, 05)

Não posso evitar meu desapontamento com esse documentário. Adoro quase tudo relacionado à Segunda Guerra Mundial, e o que ainda não tinha visto era algo sobre o Ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbles. A meu ver, o grande problema do filme reside no fato da superficialidade com que se trata toda a trama. O filme é vazio no aspecto psicológico e até histórico. Ao invés de narrar seus atos, e de mostrar sua capacidade propagandista, a fim de angariar o apreço de milhares de pessoas em prol de uma teoria ariana absurda, o filme se concentra na vida pessoal dele e em sua ascenção no Partido Nazista. A ausência de recursos enriquecedores no filme é algo muito chamativo, uma narração regular que alterna vídeos e fotos do período numa narração em off. Entrevistas com pessoas que presencivam, ou mesmo campanhas publicitárias tornariam a argumentatividade do filme melhor. Mesmo assim não se pode deixar de dizer que mesmo pouca, é bem vinda a informação. Deve estrear ano que vem. [50]

Off Screen (Off Screen, 05)

Off Screen é um confuso filme holandês. Um caráter bizarro controla todo o filme, iniciando-se pela história verídica, em que um motorista de ônibus, abandonado pela família, desvenda um segredo da Tv Widescreen da Philiphs. Toda uma conspiração o então rodeia. Todo seu mistério familiar não se revela, parecendo uma constante toda essa alienação. Pelo menos o suspense mantém um clima perturbador e a simplicidade da caracterização das estranhas personagens ajuda a cativar o espectador. A incumbência de John Voerman é exatamente se mostrar certo. Por mais confuso que seja o desenrolar, o filme se controla e foge de possíveis absurdos e clichês. Dificilmente chega em cartaz. [66]

Estrela Solitária (Don't Come Knocking, 05)

Tenho que falar antes de mais nada que não conheço a filmografia de Win Wenders. Menciono então minha experiência com esse road-movie. Interessante, sensível e bonitinho. O defeito é ser esquecível. A história de um galã do faroeste, um rebelde sem causa, que descobre ser pai há uns 30 anos. Nisso, ele decide voltar à pequena cidade onde havia engravidado alguém. Na busca de contato com seu filho, há os seus dramas e daqueles que compõem a trama. Sam Shepard está fenomenal. Deve chegar aos cinemas brasileiros no próximo ano. [66]

O Beijo da Morte (Dödskyssen, 16)

Diferentemente de O Fora da Lei e Sua Mulher, O Beijo da Morte tende muito mais para um suspense, visando ao entretenimento. Deixa a visão puramente artística para contar um mistério, um caso de morte, que lembra bastante Edgar Allan Poe. Na procura da causa da morte de um homem, há o desmembramento dos dias anteriores. A curta duração - 30 minutos - torna o filme bem dinâmico. Sjöströn evidencia sua boa direção e atuação nessa película. [80]

Terje Vigen (Treje Vigen, 17)

O único filme de Victor Sjöström que não gostei, não sei se foi por ser demasiadamente devagar, ou se pelas diversas alterações na narrativa, ou mesmo pelo clima otimista que rodeia a película - diferentemente dos outros dois filmes. Pena mesmo não foi nem ver algo dele que não gostasse, foi não ver
filmes dele como A Carruagem Fantasma ou O Vento e a Areia, que infelizmente possuía horários e localidades indisponíveis para mim. Por diversas vezes o filme muda de ritmo, e sua capacidade de impressionar ou mesmo causar uma maior atenção acontece em duas das cinco partes. Se quiserem conhecer sua filmografia, não percam tempo com esse. [50]

Vênus e Apollo nº 19 (Vénus et Apollon Printemps Doux nº 19, 04)

Baseado na série de TV Vênus e Apollo, este curta ou episódio, não sei ao certo, incutiria o espírito do seriado francês. Sei apenas que se o seriado for tão ruim quanto ao que fui remetido a ver, padece-me uma pena em relação aos criadores do programa em que cérebro é algo raro. Situações esdrúxulas, sem graça e com um humor muito aquém ao que se encontra presente em diversos filmes de mesma nacionalidade. Assisti apenas por ser incluso ao filme A Criança e pela parceria da Mostra com a empresa que produz essa porcaria. Só me resta saber quem assiste a isso regularmente. [18]

A Criança (L'Enfant, 05)

Especula-se muito sobre esse filme, afinal ele foi o ganhador da Palma de Ouro em Cannes deste ano. Não conhecia o cinema dos irmãos Dardenne, porém a história desse filme sempre me pareceu muito boa. Ledo engano ao comprovar que A Criança é extremamente super estimado, desprovido de senso crítico e sensibilidade; tentando chocar e ao mesmo tempo pontuar a vida de jovens sem prespectiva, eles se perdem e fazem um filme muito abaixo do medíocre, que passa a única sensação de estar diante de algo fútil. As personagens são dotadas de uma debilidade mental surpreendente, principalmente o rapaz. Não consegui depreender ainda se o título A Criança se refere ao infante recém-nascido ou rapaz que age como uma. [21]

Sra. Henderson Apresenta (Mrs. Henderson Presents, 05)

É certo dizer que Sra. Henderson Apresenta é o filme leve que todo ano demonstra grandes chances de indicação a melhor filme. Simpático, gracioso, bonitnho, adjetivos que serão alegados ao filme. Este não é nem um grande filme, nem uma porcaria, não quer ser pretensioso e o clima britânico configura um ar de ironia e deboche às situações. O grande atrativo reside nas atuações de Judi Dench e Bob Hoskins, ambos maravilhosos, ambos em sintonia, ambos são a razão de existência desse filme. A história de uma mulher que com a morte do marido resolve adquirir um hobbie, e este foi exatamente o de ser mecena e patrocinar o teatro. Porém, há uma peculiaridade: durante a Segunda Guerra Mundial, na Inglaterra, ela resolve mostrar os dotes das mulheres em suas peças, tendo grandes repercussões. Divertido. [66]

O Mundo de Jack e Rose (The Ballad of Jack and Rose, 05)

Difícil dizer algo sobre esse projeto de Rebbeca Miller. Muito estranho. Seria um mostruário de como evoluiu a vida dos hippies, e de como seria uma sociedade fundamentada em princípios desse estilo influencidas pela responsabilidade de se criar um filho. O pai sofre de uma doença e mora com a filha, privando-a de qualquer contato com o mundo exterior. Suas relações se alteram quando sua amante e os filhos dela vão morar com eles. As situações que se sucedem são minimamente bizarras, visto que a nossa tradição cultural não compartilha dos mesmos valores. Os artifícios usados por Rose para atingir o pai são extremamente infantis, caracterizando sua própria existência. O que mais decepciona é péssimo final. [60]

Primeiros Passos (Idem, 05)

Bonito curta baseado no poema Ao Luar, de Augusto dos Anjos. Ao falar da efemeridade da vida, Mocarzel assim como Anjos, utilizam-se de temas do cotidiano para traçar paralelos com seus temas. No curta, há dois momentos: do escritor, com sua veia pulsante, escrevendo aquilo que se conheceria como Ao Luar, e um bebê, que atravessa uma rua em direção ao precipicio, desbocando no mar. Seria melhor se tivesse desenvolvido melhor o tema. Fecha muito bem com o poema original. [70]

Do Luto à Luta (Idem, 05)

Faz bem o que propõe, mas isso nem sempre é o suficiente para elevar um filme a grandes patamares. Mesmo sendo muito simpático e mostrando algo recorrente à sociedade, Do Luto à Luta trava uma disputa consigo mesmo para encontrar um obejtivo de existir. O próprio diretor quando entrevistado por um de seus personagens não sabe responder o propósito daquilo estar sendo filmado. A sensação é de que a película só existe para angariar fundos para seu cofre e para mostrar a boa meninice de Mocarzel, não há críticas ou seuqer argumentos válidos, e em alguns momentos aparenta e ele tenta zombar discretamente dos portadores de mongolismo. Ao menos temos as entrevistas que são um deleite de carisma e conseguem fazer do filme o que não foi feito pelo diretor. [65]

Nuvens Carregadas (Tian bian yi duo yun, 05)

Coerência e coesão são dois aspectos ausentes nesse filme. As imagens bizarras e os acontecimentos desconexos devem tentar trasmitir algo, eu não consegui identificar. Sei que até boa parte do filme o clima de entretenimento absurdo, com músicas divertidas e esquizofrências, e coreografias bem entusiasmantes, a receita incomum para um filme talvez artístico estava funcionando. O problema é que num momento aquilo tudo simplesmente cansa, passa-se uma hora e o filme não se reinventa, as cenas tornam-se maçantes e repetitivas, e as alegorias ao sexo tornam-se uma alegoria para o consumismo. Sim, para que as pessoas consumam aquele filme como brilhante e consagrem-no, além daquela velha história em que tudo que relaciona sexo ou mulheres nuas recolhe muito dinheiro. Pelo menos se explora de maneira muito boa a melancia, especialmente na cena de abertura. [50]

Atravessando a Ponte - O Som de Istambul (Crossing the Bridge: The Sound of Istambul, 05)

Só mesmo sendo gratuita a sessão para eu ir assistir a esse filme. E mesmo meu nível de expetativa ser nulo, esse documentário sobre a música de Istambul e da Turquia em geral é muito chato e bem fraco. O principal problema é a inutilidade em que se fundamenta o filme. Em qualquer grande capital haverá diversas culturas musicais distintas. Se fosse ainda para focar na tradição da música turca, mas o filme é um aglomerado de sons diferentes sem nenhum aprofundamento, vemos do rock ao hip hop com algumas observações com a tradição cultural nos diferentes continentes. Se estrear, não percam tempo com ele. [39]

Blood and Bones (Chi to hone, 04)

Kitano apenas atua nesse filme que narra a saga de uma família nipônica por meio século, desde a juventude da personagem de Kitano até sua velhice. Com uma personalidade difícil e agressiva, Kitano consegue o que quer através da força sem conseguir grandes obstáculos. Imprudente e sem escrúpulos ele comanda a família e os negócios desonestamente, tratando-s como animais. A cena em que seu filho aparece, procurando contato sintetiza toda essência do filme. Ridículo foi ver tapas-sexo durante todas cenas de sexo na genitais de Kitano. Típico de programas de televisão aberta. Deve estrear no próximo ano. [77]

Palíndromos (Palindromes, 05) 0

Nojento. Asqueroso. Nauseante. Palavras-chave quando o assunto é o novo filme do polêmico Todd Sollondz. Palíndromos é uma tentativa de satirizar uma sociedade e a precocidade das pessoas, porém a abordagem de Sollondz não podia ser pior. Aviva - o palíndromo do título, como a própria abordagem que ele usará - é uma garota de 13 anos que quer a todo custo engravidar. Nessa busca ela encontrará todo tipo de pessoa, e sua forma física se alterará diversas vezes. Palíndromos podia muito bem ter sido dirigido por Larry Clark, em que utiliza o cinema para chocar de maneira repugnante. Péssimo. Eu realmente fico com náusea ao me lembrar de tamanha hipocrisia e do estilo que ele retrata a pedofilia como iniciativa da adolescente e a falta de valor a que se dá à relação sexual. Deve estrear no próximo ano, mas isso não significa que devam ir assistir a essa coisa horrenda. [0]

Al Otro Lado (Idem, 04)

Só posso dizer que esse filme de Gustavo Loza é simpático. Simples a temática, simples a realização, simples o roteiro. A idéia de contar sobre três realidades diferentes, cada uma com algo em comum, o fato do pai estar do outro lado do mar. Nos três cursos da história é iminente a vontade e a garra dos três garotos em encontrar o pai. Um vê o pai ir embora, tentar a vida nos EUA; outro acha que o pai que seria Robert DeNiro está nos EUA; e a outra vai buscar o pai na Espanha. Mesmo sendo bobinho, o filme agrada e não chega a perturbar. Acho que dificilmente estréia, não fará diferença mesmo assim. [58]

A Grande Viagem (Le Grand Voyage, 05)

O principal problema de A Grande Viagem é o fato de ser um filme fórmula-alternativo. Foge dos padrões hollywoodianos, mas sua essência é permeada pela vontade de mostrar a redenção e o aprendizado, seja do pai, seja do filho, nas suas diferentes tradições culturais. O pai marroquino muçulmano e o filho francês sem crença. O desejo do pai é ir para Meca e para isso seu filho é obrigado a leva-lo. Nessa viagem eles se depararam com adversidades, mas só trabalhando juntos blá blá blá. Todos conhecem esse formato. Independente disso há seus aspectos positivos. O filme mesmo sendo correto, mostra de bom senso as diferenças culturais que hoje causa tantos conflitos. E o ator que interpreta o pai é muito bom. Não entendo como tantas pessoas aclamaram tanto esse filme. Chegará em circuito logo. [61]

O Mundo (Shinjie, 04)

Não acho que entendi esse filme direito. A primeira meia hora o filme flui e até aí se entende numa boa o filme. O problema é a restante 1h40. Se arrastando, a única coisa que senti foi um profundo sono, e uma luta me tomou. A luta de manter-me acordado e não desperdiçar dinheiro. A simbologia do mundo globalizado é centro. Na China, há em um parque todos os grandes monumentos em versões menores para aqueles que não podem conhecer todos esse lugares, das pirâmides à Torre Eiffel, a excursão apresenta todos esse pontos turísticos. O embate se encontra nos trabalhores desse local e suas relações com pessoas de dentro e de fora desse lugar. Mesmo não assimilando direito o que foi visto - faltou-me lógico para encaixar todas as informações jogadas -, o final me pareceu vazio. Deve chegar no próximo ano, já que ganhou o prêmio da crítica de Melhor Filme, na Mostra. [40]

Sonho Tcheco (Ceský sen, 04)

Ótimo. O documentário tcheco, feito como trabalho final de estudantes de universidade de cinema, tem um ponto: mostrar o poder da mídia sobre as pessoas. Filmado como um reallity show, Sonho Tcheco carrega também um visão política contrária a adesão do país à União Européia. Até onde o povo vai baseando-se em anúncios e propagandas? Com essa pergunta, e visando mostrar como as pessoas são facilmente influenciáveis por marketeiros, eles bolam um estratégia. Durante um mês inteiro eles fazem uma campanha grande sobre um novo supermercado - que dá título ao filme. O local que será inaugurado o supermercado não é dito, querendo manter assim a expectativa. Ao invés do supermercado há apenas uma grande lona. Quantas pessoas apareceram na inauguração de um supermercado que diz ter os melhores preços e fazem uma campanha intensa? Mesmo inescrupuloso, a argumentação do filme é válida. E o filme é hilário. Espero que estreie. [85]

Ingmar Bergman Completo - Bergman e o cinema, Bergman e o Teatro, Bergaman e a Ilha de Farö (Ingmar Bergman - 3 dokumentärer om film, teater, Fårö och livet av Marie Nyreröd, 04)

Assistir a esse documentário sobre Bergman só me fez querer conhecer toda sua filmografia. Dividido em três parte, esse documentário que alterna de cenas atuaias de Bergman - seja entrevista, seja em seu cotidiano - e cenas de seus filmes ou obras. Primeiramente, a película narra a trajetória de Bergman no cinema, tal que deriva sua fama. Depois retrata seu amor pelo teatro, em que trabalhou até pouco tempo atrás - seu último filme para os cinemas foi Fanny e Alexandre, de 1982 -, e termina falando da sua vida, passada na Ilha de Farö, de onde não pretende sair até sua morte. Bergman é um sujeito muito simpático, engraçado e o filme, mesmo durando quase três e feita exclusivamente para a TV, é um grande atrativo para quem se interessa por tal personalidade. É fantástica maneira que flui. Espero que chegue, nem que seja direto para o mercado de vídeo ou televisivo. [80]

Eis agora um top:

Melhores

  1. Roma, Cidade Aberta
  2. 2046
  3. O Fora da Lei e sua Mulher
  4. Espelo Mágico
  5. Caché
  6. Querida Wendy
  7. Sonho Tcheco
  8. Meu Pai Tem 100 Anos
  9. Ingmar Bergman Completo - Bergamn e o cinema, Bergman e o teatro, Bergman e
    a Ilha de Farö
  10. O Beijo da Morte

Piores

  1. Palíndromos
  2. Vênus e Apollo nº 19
  3. A Criança
  4. Atravessando a Ponte - O Som de Istambul
  5. O Mundo
  6. Além do Azul Selvagem
  7. O Projeto Goebbles
  8. Brokeback Mountain
  9. Nuvens Carregadas
  10. Terje Vigen

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