16 outubro 2007

Fim?

Foram 3 anos e meio. O vigor não é o mesmo. Nem o tempo. E é por motivo de forças maiores, que não tenho conseguido apresentar aos poucos leitores que sobraram algum texto ou mesmo uma mísera atualização. E isso tende a piorar. Por isso anuncio que este blog se ENCERRA. Mesmo que momentaneamente. Não sei quando voltarei ou se mesmo voltarei. A vontade é de voltar, e ter uma boa frequência de textos. Se for para continuar abandonado, prefiro que acabe.
Quando possível, continuarei passadno em vossos blogues.
Ainda poderei ser lido na Revista Zingu! todo mês.
Até a próxima,
Gabriel Carneiro

20 setembro 2007

Corrente literária

Respondo a corrente literária enviada pelo Wallace Guedes, do Crônicas Cinéfilas. O objetivo é determinar meus 5 livros prediletos.

Tarefa difícil, diga-se de passagem. Ainda mais considerando tantas coisas que ficaram de fora - algumas porque nunca li. Obras completas e coletâneas ficaram de fora. Talvez nem sejam meus prediletos mesmo, coisa momentânea... Ei-los.

Nada de Novo no Front, de Erich Maria Remarque

Esse sim, meu livro preferido sem dúvida alguma. “Tombou morto em outubro de 1918, num dia tão tranqüilo em toda linha da frente, que o comunicado limitou-se a uma frase: ‘Nada de novo no front’.” Escrito por Erich Maria Remarque, veterano da guerra, o livro aborda um grupo alemão de soldados durante a 1ª Grande Guerra, relatando suas futilidades e selvagerias em tom extremamente poético. Narrado em primeira pessoa por Paul Baumer, vemos as atrocidades e monotonias das batalhas de trincheira, as peripércias juvenis e o saudosismo do lar. Um verdadeiro retrato intimista de um momento tão calamitoso da História.

O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde

Wilde cria um dos mais apaixonantes livros de realismo fantástico já feitos. A história de um homem que vive para seu ego, para sua juventude, para sua aparência. Dorian Gray é um sujeito da alta sociedade inglesa, um asco de homem, que por meio de algo um tanto inexplicável consegue tranferir sua feiúra interna (e externa) para um retrato de sua pessoa. Dessa maneira, nunca envelhece. Wilde com toda sua ironia e seus brilhantes diálogos prende o leitor nessa fábula excêntrica.

A Revolução dos Bichos, de George Orwell

Muito mais que 1984, A Revolução dos Bichos é a síntese perfeita entre fantasia e realidade. Orwell era notadamente um autor político, que através da sua narrativa exacerbada e consciente, delineava os problemas pela ficção. Nesse, ele metaforiza a revolução bolchevique russa, colocando animais que se rebelam numa fazenda, tomando o poder. E como fruto disso, vemos a crítica feroz a URSS e a Stálin. Mais, vemos a crítica ao próprio homem e seu conceito asqueroso de poder.

Últimos Poemas (O mar e os sinos), de Pablo Neruda

Neruda é meu poeta preferido. Sendo assim, é-me muito difícil escolher um livro. Crepusculário e Cem Sonetos de Amor poderiam figurar aqui facilmente, não devem nada a O mar e os sinos. Fico com esse por ser seu último livro, escrito às vésperas de seu falecimento, em 1973. Os poemas de Neruda são dotados de uma sutileza impressionante, e quando escreve sobre o cotidiano, sobre as trivialidade e sobre o amor, é que s encontra mais perfeitamente. Seus Últimos Poemas são os mais melancólicos, mais nostálgicos, e os mais vivos...

Noite na Taverna, de Álvarez de Azevedo

Considerado o único escrito brasileiro de teor gótico, Noite na Taverna é o único romance de Azevedo, conhecido pela sua poesia ultra-romântica. Na realidade, é um belo conto macabro. Num bar, sete amigos se desafiam para contar a história mais escabrosa. Sucedem-se sete histórias, todas rechaçadas com violência, sexo e sangue. Seria perfeiamente adaptada por José Mojica Marins, que consegue juntar a seu horror, o lirismo de uma história descomunal como essa.
Repasso a quem quiser. Só deixar o nome no comentário.

01 setembro 2007

Filmes vistos em Agosto (2007)

legenda: revistos


Bergman ganha primeiro lugar numa revisão
com sua de minha preferência

  1. Kaze no tani no Naushika (Idem, 1984) 8,5
  2. Rebecca – A Mulher Inesquecível (Rebecca, 1940) 9
  3. Quando fala o coração... (Spellbound, 1945) 4,5
  4. Profissão: Repórter (Professione:reporter, 1975) 7,5
  5. Harry Potter e a Ordem da Fênix (Harry Potter and the Order of the Phoenix, 2007) 4
  6. Abril Despedaçado (Idem, 2001) 7,5
  7. A Bela e a Fera (La Belle et la bête, 1946) 7
  8. Paris, Texas (Idem, 1984) 8,5
  9. Hércules 56 (Idem, 2006) 5
  10. Batismo de Sangue (Idem, 2006) 4
  11. Os Simpsons - O filme (The Simpsons Movie, 2007) 7,5
  12. Boleiros - Era Uma Vez o Futebol... (Idem, 1998) 4,5
  13. Morangos Silvestres (Smultronstället, 1957) 9,5
  14. Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (Mujeres al borde de un ataque de niervos, 1988) 5
  15. O Rato Humano (Quella villa in fondo al parco, 1988) 3,5
  16. Hell W10 (Idem, 1983) 7,5
  17. O Sétimo Selo (Det Sjunde inseglet, 1957) 8,5
  18. Monsieur Verdoux (Idem, 1947) 9,5
  19. Malèna (Idem, 2000) 8,5
  20. O Monstro Sangüinário (Monster on the Campus, 1958) 8,5
  21. O Salário do Medo (Le Salaire de la peur, 1953) 7,5
  22. Kolobos (Idem, 1999) 2
  23. A Besta da Caverna Assombrada (Beast From Haunted Cave, 1959) 4,5
  24. Medos Privados em Lugares Públicos (Coeurs, 2006) 7,5
  25. The Monolith Monsters (Idem, 1957) 6,5

Comentários: Excelente mês. Assisti a muitos filmes bons no geral. Harry Potter 5 é o pior da série, composto de uma história besta e má realização; A Bela e a besta de Cocteau seria um belíssimo filme se não fosse aquele péssimo final; Batismo de Sangue é a prova de que a lei do incentivo ao cinema brasileiro não sabe no que investir; O Rato Humano é uma porcaria de filme, mal feito e tosco, porém a diversão é extrema - vale ser conferido; se puderem confiram o filme de The Clash, Hell W10; para quem não acredita em revisão de filmes: se não fosse por isso, nunca teria achado O Sétimo Selo tão bom - subiu 3 pontos; Jack Arnold é um grande diretor, seus filmes de ficção B são obra geniais - O Monstro Sangüinário é mais um exemplo; Medos Privados em Lugares Públicos é filme para se rever, mas já adianto que tem um dos finais mais sublimes que já vi.

Melhores:

  1. Morangos Silvestres
  2. Monsieur Verdoux
  3. Rebecca - A Mulher Inesquecível
  4. O Sétimo Selo
  5. O Monstro Sangüinário
  6. Malèna
  7. Paris, Texas
  8. Kaze no tani no Naushika

Piores:

  1. Kolobos
  2. O Rato Humano
  3. Batismo de Sangue
  4. Harry Potter e a Ordem da Fênix
  5. A Besta da caverna Assombrada

22 agosto 2007

Os Simpsons - O Filme

Os Simpsons - O Filme (The Simpsons Movie, 07)

Sempre gostei da série animada. Não é por menos que fui conferir o filme na estréia. Os Simpsons são para mim porvavelmente o que há de melhor na TV hoje. Sabendo mesclar o humor nonsense com a crítica, para fazer um dos programas mais inteligentes. As personagens são geniais em suas peculiariedades, desde os principais até os insignificantes, todos eles tem suas características particulares.

Homer é o meu preferido. O gordo, careca, patriarca amarelo é hilário pelo simples ser. Seus atos desinteressados, suas trapalhadas, suas expressões faciais, suas idédias estúpidas... E agora vou bater na mesma tecla, a dublagem é também essencial no personagem. Assisti ao filme legendado pois a brilhante dublagem de Waldyr Sant'Anna foi substítuida após problemas burtocráticos pela de Carlos Alberto. Não culpo este, de maneira alguma, mas está tão aquém do trabalhor de Waldyr, que a essência de Homer não existe mais. Usualmente gosto muito mais da versão nacional, porém nesse caso, preferei a original.

O filme é certamente feito para os fãs ferrenhos. É um belo filme, engraçado e satírico. Aproveita-se bastante das fórmulas da série, e não faz feio. Só que o problema é que, assim, o criador Matt Groening confirma que Os Simpsons é para se ficar na telinha. Pois se for para fazer um longo episódio, não faça filme. Ou faça como um especial para TV. Infelizmente me parece que foi muito mais concebido para se ganhar dinheiro fácil, do que uma nova experiência.

O longa toca na crise do meio ambiente, com a mania de aquecimento global que tem acometido o mundo. Ainda mais depois daquele documentário horrendo do Al Gore. Quando Homer arranja um porco de estimação e tem que se livrar das fezes do animal, resolve jogar no lado de Springfield. O governo comandado por Arnold Schwarzenegger põe uma cápsula em torno da cidade, e ao descobrirem que Homer é o culpado, começa-se uma caça às bruxas. Ao criticar a chatice dessas organizações politicamente corretas, Os Simpsons conseguem um efeito muito mais construtivo do que Al Gore. É bom saber isso.

Dentre as sequências a se destacar, temos a brilhante cena em que Homer encena O Homem-Aranha com o porco ("Spider-pig"). A do donuts de graça também é excelente.

Nota: 7,5/10

13 agosto 2007

Kaze no tani no Naushika

Kaze no tani no Naushika (vulgo Nausicaä of the Valley of the Winds, 1984)

Nausicaä é o segundo filme da brilhante carreira do animador japonês Hayao Miyazaki, que infelizmente só teve 2 de seus filmes lançados por aqui - A Viagem de Chihiro e O Castelo Animado.
Uma coisa fica clara ao ver o filme, Miyazaki amadureceu muito, adquirindo um estilo próprio e único dentro das animações. Nausicaä flerta muito mais com o anime tradicional dos que seus filmes mais recentes. Não apenas na construção narrativa, mas também na criação gráfica do filme. As extravagâncias estão lá - como ao chorar, água escorre e não lágrimas -; Hayao ainda estava se encontrando. O próprio desenho não se assemelha nos traços, mesmo que procure fazer um desenho mais próximo ao humano. E isso mostra o quão fantástico esse diretor é. Provavelmente o único dentre as artes animadas que faz longas tão autorais, tão artísticos, mesmo que não completamente comprovado em seu início de carreira.
Em contrapartida, a temática do fantástico e místico está presente. Dois mundos estão presentes em Nausicaä, o dos humanos e o dos insetos. Eternos inimigos, aparentemente. Existem criaturas, os 'ohm', extremamente venosos, assim como muitas das plantas. Nausicaä é a princesa do Vale do Vento, um dos povoados terrestres. Quanto o Vale é atacado misteriosamente, descobre-se que um outro povoado, com a ajuda de um monstro, pretendem destriur todo esse mundo alternativo. Nausicaä é contra, pois vê nele a essencialidade. É nessa esfera de conflito que o filme se coloca.
Longe de ser uma apologia à questão ambiental e afins, o que vemos é uma história do choque de dois mundos, tema tão recorrente em sua filmografia. O fantástico é uma mera metáfora, mas uma metáfora que não faz questão de se desdobrar. O intuito não é te fazer refletir sobre a vida, mas sim ver a poesia nela quando, talvez, dela nos aproximarmos. É através da magia que se vê a arte, e dela, extrai-se tudo o que quiser. Miyazaki sempre soube fazer isso, ao que tudo indica.
Nota: 8,5